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Empresas de mineração e petroquímica investem mais de R$1 bi em inovação

A Lei do Bem, que permite desde 2005, que empresas obtenham incentivos fiscais automáticos quando realizam pesquisa tecnológica e desenvolvimento de inovação, tem atraído as empresas brasileiras que atuam nos setores Petroquímico e de Mineração. De acordo com levantamento do Ministério de Ciências e Tecnologias, os seguimentos investiram, juntos, aproximadamente R$ 1.118 bilhão em 2010 na criação de projetos de P&D e obtiveram mais de R$ 383 milhões em benefícios fiscais.
As empresas do setor petroquímico seguem com alto investimento em políticas de inovação tecnológica. Em contra partida, o número de empresas com participação evolutiva, desse segmento, no programa dos incentivos fiscais da Lei do Bem, caiu de forma significativa de 14 em 2007 para 2 em 2010. “Muitas empresas brasileiras desconhecem o benefício e não sabem como identificar e enquadrar os projetos”, explica André palma, diretor Brasil da GAC. “É importante ressaltar que a inovação é uma questão chave e decisiva para torná-las mais competitivas”, afirma.
Já as mineradoras, por outro lado, passaram de 1 em 2007 para 7 em 2010, em número de empresas com participação evolutiva por setores no programa dos incentivos fiscais. Índice bastante tímido, segundo Palma. No Brasil, apenas 639 empresas utilizam o instrumento fiscal. Na França, por exemplo, somente a GAC atende 1.500 companhias.

Empresas que inovam têm melhor desempenho na bolsa

As 20 companhias que mais investiram em mudanças, segundo pesquisa feita pela Hay Group, registraram rentabilidade de 5,39% em ações, enquanto as empresas que compõem o S&P 500 tiveram retorno de 2,92%.
Em um mercado global cada vez mais competitivo, a inovação se tornou mais do que um diferencial entre as empresas: é a chave para o crescimento das companhias.
Para destacar as melhores iniciativas, a consultoria global de gestão de negócios Hay Group acaba de lançar um estudo mundial com as 20 principais empresas no quesito liderança e ambiente propício para desenvolvimento da inovação.
A General Electric ocupa o primeiro lugar do ranking, seguida por Procter & Gamble e IBM. Já na lista com os 10 principais nomes da América Latina, a Unilever figura na liderança, enquanto Petrobras e Itaú Unibanco aparecem na sétima e oitava colocações, respectivamente.
A pesquisa denominada Best Companies for Leadership - que está na sétima edição - aponta que os líderes das 20 melhores empresas mundiais apoiam a inovação e 90% deles relataram que os colaboradores podem contornar a cadeia de comando sem consequências negativas caso tenham uma boa ideia. Essa quebra de protocolo é permitida em 63% das outras companhias pesquisadas.
Ao todo, foram ouvidos quase 7 mil executivos de 2,3 mil organizações, sendo 35% provenientes da Europa, 31% da América Latina, 21% da Ásia/Oceania/África, 11% da América do Norte e 2% do Oriente Médio.
O cálculo por trás da posição da empresa no ranking é feito a partir das respostas das empresas nos questionários aplicados pela consultoria, mais o número de indicações de outros pesquisados. Para figurar nas primeiras posições, as companhias precisam ser citadas por entrevistados de outros países.
Resultado prático
De acordo com o estudo, 95% das companhias que aparecem no ranking mundial afirmaram que seus líderes seniores dispõem de tempo para desenvolver pessoas e 90% disseram que os líderes trabalham ativamente para que os colaboradores entendam as estratégias da empresa a longo prazo. Nas demais empresas isso ocorre, respectivamente, em 48% e 53%.
O resultado prático dessas decisões é que as 20 principais companhias superam seus pares na bolsa. Em 10 anos, as empresas que compõem o S&P 500 tiveram retorno de 2,92%, enquanto as empresas que aparecem no levantamento apresentam rentabilidade de 5,39%.
As companhias que se destacaram na América Latina figuram quase que em sua totalidade no ranking do Brasil. A exceção é a Ambev que aparece na sexta colocação no levantamento nacional em lugar da LAN.
Cerca de 76% das 30 empresas brasileiras pesquisadas pretendem investir em inovação neste ano e 52% delas utilizam a Lei do Bem para os processos de inovação, que permite que as organizações obtenham incentivos fiscais automáticos quando realizam pesquisa tecnológica e desenvolvimento de inovação.
 
Por Natália Flach/Brasil Econômico

Weg vê oportunidade de US$ 7 bilhões na Petrobras

De olho no potencial do setor petrolífero, a catarinense Weg espera abocanhar uma parcela do Plano de Negócios anunciado pela Petrobras.
Diante da previsão da Petrobras de investir US$ 236,5 bilhões entre 2012 e 2016, a fabricante de máquinas e equipamentos Weg fez um levantamento interno de oportunidade que mostrou um mercado de interesse de 3% do total anunciado no plano.
Segundo Luis Fernando Oliveira, gerente de Relações com Investidores da Weg, essa projeção poderá trazer uma receita adicional de cerca de US$ 7 bilhões para a companhia.
"Enxergamos essa oportunidade e vamos trabalhar para atingir essas metas", ressaltou em entrevista ao programa Fique por Dentro da Souza Barros Corretora.
Parte desse potencial visto pela Weg é motivado pelo interesse da petrolífera pelo conteúdo local.
"A Petrobras não quer ficar na dependência de um técnico que venha de fora e leve muito tempo para consertar um equipamento. Ela quer alguém que esteja do outro lado da esquina."
Esse pensamento tem ajudado a empresa a se posicionar diante de suas parceiras. "Por exemplo, quando fazemos parceria com fabricante de bombas, damos condições para que eles atendam requisitos do conteúdo local exigido pela empresa. Viramos uma porta de entra para que as empresas entrem no mercado brasileiro", destacou.
 
Fonte: Brasil Econômico

Brasil começa a 'perder o brilho' para novos investimentos externos

O Brasil subiu três posições no ranking dos países que mais receberam investimento estrangeiro direto (IED) em 2011, passando do oitavo para o quinto lugar, mas começa a "perder o brilho" aos olhos dos investidores para novos aportes, revela pesquisa divulgada ontem pela Conferência das Nações Unidas para Comércio e Desenvolvimento (Unctad). Com aumento de 37,4% nos ingressos de recursos externos no ano passado, que somaram US$ 66,7 bilhões, o Brasil deixou para trás Cingapura (US$ 64 bilhões), Reino Unido (US$ 53,9 bilhões) e Ilhas Virgens (US$ 53,7 bilhões).
No topo da lista dos países que mais receberam recursos externos aparecem os Estados Unidos (US$ 226,9 bilhões em IDE), China (US$ 124,0 bilhões), Bélgica (US$ 89,1 bilhões) e Hong Kong (US$ 83,2 bilhões).
Além do relatório anual, a Unctad publicou pesquisa com 400 executivos de grandes multinacionais sobre as economias mais atraentes para se investir nos próximos dois anos. O Brasil, que ganhou posições nos últimos quatro anos, desceu um degrau. Caiu do quarto lugar, em 2010, para o quinto este ano, superado pela Indonésia, agora o quarto destino preferencial para novos investimentos.
Para Luís Afonso Lima, presidente da Sociedade Brasileira de Estudos de Empresas Transnacionais e da Globalização Econômica (Sobeet), responsável por divulgar a pesquisa no Brasil, embora o país continue em destaque entre os destinos mais atrativos para o investimento, os novos dados acendem a "luz amarela".
- A longo prazo, o Brasil começa a perder um pouco o brilho como destino dos investimentos estrangeiros - disse, frisando que a previsão de o Brasil crescer menos explica a relativa perda de interesse pelo país.
Queda das múltis do Brasil é a maior entre emergentes.
A Unctad mostrou também que houve retração dos investimentos das multinacionais brasileiras lá fora. Em 2011, repatriaram líquidos (excluídas remessas de investimentos) US$ 12,6 bilhões.
- O Brasil não foi exceção neste movimento de recuo de investimento externo, mas foi uma queda importante pelo histórico do país. Foi também o maior recuo entre os países emergentes - diz Lima.
A Sobeet projeta que o investimento estrangeiro no Brasil este ano some US$ 50 bilhões, 25% menor do que em 2011, enquanto que o fluxo de IED no mundo deve crescer 5%, alcançando US$ 1,6 trilhão, diz a Unctad.
Para o período entre 2012 e 2014, a agência da ONU estima uma alta de 25% no fluxo global de investimentos estrangeiros, que atingiriam US$ 1,91 trilhão, superando o recorde anterior, de US$ 1,7 trilhão de 2007, antes da crise global. Nessas condições, a América Latina tenderia a perder participação dos fluxos globais de IDE, informa o relatório. Esse é um cenário básico, adverte a Unctad, que reconhece existir um risco "significativo" de revisão para baixo dessas projeções.
O órgão cita que no primeiro trimestre, os fluxos de investimento estrangeiro para novas fábricas ( greenfield ) recuaram 24%, e para fusões e aquisições encolheram 45% em relação ao mesmo período de 2011.
 
Ronaldo D"Ercole/O Globo

Montadoras aumentam produção

Pouco mais de um mês após as medidas do governo de incentivo ao setor automotivo e com uma alta de quase 25% nas vendas de carros e comerciais leves em junho, ante maio, as montadoras retomaram o ritmo forte de produção de veículos no país. As três maiores companhias - Fiat, General Motors e Volkswagen - anunciaram medidas que refletem a retomada na produção, como a suspensão de férias coletivas, a ampliação de jornada e ainda o início de novos turnos de operação para alguns modelos.
Na maior fábrica do mundo da Fiat, com 18 mil empregados, em Betim (MG), a montadora chegou a comunicar, em maio, férias coletivas para 3 mil metalúrgicos por conta da redução na produção e dos altos estoques. No entanto, segundo João Alves, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Betim, "a produção da montadora retomou o nível de 3.200 veículos por dia, contra menos de 3 mil antes das medidas".
Além da suspensão das férias coletivas, a Fiat chamou operários para trabalharem aos sábados, com o pagamento de horas extras por um período de oito horas e meia. "Normalmente, os metalúrgicos da unidade já ficam pouco mais de 40 minutos por dia entre segunda-feira e sexta-feira para não trabalharem no sábado", explicou Alves. "Mas, agora, com a convocação para trabalharem aos sábados, está ficando até ruim, porque a jornada saiu de 44 horas para mais de 52 horas por semana", completou o sindicalista.
Para cumprir o acordo trabalhista, a unidade da Volkswagen de Taubaté (SP) iniciou ontem, por 15 dias, um novo Programa de Demissão Voluntária (PDV), que nem mesmo os sindicalistas imaginam que resultará em cortes. " uma medida meramente para cumprir o acordado, porque o ritmo de produção está forte na unidade", disse Cláudio Batista, secretário-geral do Sindicato dos Metalúrgicos de Taubaté. Segundo ele, assim que as medidas do governo foram anunciadas, em maio, a montadora retomou os turnos de trabalho em sábados alternados dos 5.700 metalúrgicos.
Segundo o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, a unidade de São Bernardo do Campo da Volkswagen, também retomou o ritmo normal, com a jornada de cinco dias por semana, que havia sido reduzida para quatro dias.
Em São José dos Campos, a demanda criada pelo lançamento da Nova S10 obrigou a General Motors do Brasil a ampliar de dois para três o número de turnos na linha de produção do modelo. A medida evitou a demissão de empregados no setor de montagem do Corsa, Classic, Zafira e Meriva. Essa linha teve um turno de trabalho reduzido, por conta na queda da demanda dos modelos, os quais podem sair de linha, substituídos por outros lançamentos da montadora.
Segundo Luiz Moan, diretor de assuntos institucionais da GM, a empresa, assim como o setor, deve divulgar o melhor junho da história no país, na quinta-feira, quando as montadoras apresentarão os resultados de junho. "Assim como na linha de produção da Nova S10, as unidades da GM em São Caetano do Sul (SP) e em Gravataí (RS) estão com a produção a todo vapor, com três turnos e jornadas aos sábados", afirmou Moan.

Produção industrial de São Paulo é a responsável por média nacional baixa

O recuo de 1,5% da produção do parque industrial de São Paulo na passagem de abril para maio, divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), acende um sinal de alerta sobre a profundidade da crise que o setor atravessa. Na comparação com maio do ano passado, as perdas alcançaram 6,9%, essa é a nona taxa negativa consecutiva do setor.
"Esse resultado é a pior coisa possível. Esse número é que é desanimador. No caso de São Paulo, o recuo é geral e muito revelador de que a crise industrial afeta de A a Z em termos de atividades do setor", declarou Julio Gomes de Almeida, professor da Unicamp e consultor do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi).
São Paulo representa 40% da indústria do País. Por ter um parque diversificado, costuma apontar tendências na produção, além de neutralizar movimentos pontuais em determinadas atividades.
Em relação a maio de 2011, 14 entre as 20 atividades da indústria paulista registraram queda na produção. A fabricação de veículos automotores, atividade mais importante no estado, caiu 21%, enquanto a de alimentos, que tem o segundo maior peso, teve redução de 10,4%. Juntos, os dois setores respondem por 25% da indústria paulista.
"Por isso que quando esses setores caem, costumam puxar a indústria para baixo", notou Rodrigo Lobo, economista do IBGE.
Ele disse que a redução na fabricação de automóveis foi o que puxou a queda na principal atividade da indústria paulista, mas houve retração também nas linhas de montagem de caminhões e caminhões-tratores. "Além de (o setor) não ter capturado ainda a redução do IPI, a demanda já está um pouco saturada", avaliou o economista do IBGE.
A produção industrial recuou em seis dos 14 locais pesquisados pelo IBGE na passagem de abril para maio. A queda não foi generalizada, mas, mesmo nos estados que expandiram, os avanços foram menos intensos e aconteceram depois de recuos expressivos nos meses anteriores. Como resultado, a produção nacional caiu 0,9%. "Mas o que acabou puxando o Brasil para baixo foi São Paulo, porque caiu mais do que a média nacional e é o parque mais importante do País", explicou Lobo.
Na comparação com maio de 2011, nove dos 14 locais pesquisados apresentaram recuo na produção, com destaque para as perdas também no Rio de Janeiro (- 5,1%), em Minas Gerais (-2,1%), no Amazonas (-14,7%) e no Espírito Santo (-14,4%).

Indústria nacional perde espaço para os estrangeiros no mercado interno

Em queda de braço com os produtos estrangeiros há pelo menos dois anos, a indústria brasileira perde cada vez mais espaço no mercado interno. No ano passado, esses produtos supriram 100% do aumento do consumo de bens industriais no país. Em 2012, mesmo com queda no consumo, as importações continuam a crescer. Isso significa que os importados estão abocanhando uma fatia cada vez maior do mercado antes atendido pela produção nacional. Há dois anos, eles respondiam por apenas 40% do aumento do consumo de bens industriais.
Os dados foram levantados pelo Banco Central (BC) que, pela primeira vez, fez alerta sobre o tema. Estudo com a análise do peso da produção industrial e dos importados no consumo doméstico foi incluído no último relatório trimestral de inflação.
"O dinamismo registrado pela demanda interna no período recente não vem sendo acompanhado pelo desempenho do setor industrial. Nesse cenário, elevações da demanda interna ao menos parcialmente devem ser atendidas por importação de bens", diz o BC no documento.
A maior entrada dos importados é identificada no setor de bens duráveis. O crescimento das compras nesse segmento chegou a 167% entre 2008 e 2011.
- Se a demanda cresceu, por que a indústria não está acompanhando e produzindo mais? Está implícita aí perda de competitividade - diz uma fonte do governo, com base nos dados do BC.
  Segundo essa análise, quando os importados começaram a ganhar força, a indústria nacional tinha capacidade instalada ociosa, não precisava de investimentos para elevar a produção. Quando a expectativa do empresariado piorou por causa da crise externa e pelo dólar barato, o desejo de investir desabou.
Os especialistas dizem que este é um quadro clássico de desindustrialização e a saída agora é tentar "reindustrializar" o país.
- Investir menos é consequência e não a causa da invasão de produtos importados no Brasil e o resultado disso é desindustrialização - afirmou o economista-chefe do IEDI, Júlio Gomes de Almeida. - E isso é ruim porque o Brasil ainda é um país relativamente pobre e esse quadro representa menos emprego, renda, demanda, arrecadação de impostos e crescimento.
  Setor de máquinas já demitiu 6 mil só este ano
Termômetro da indústria, o setor de máquinas e equipamentos, usados para montar as fábricas brasileiras, sofre com a redução das encomendas. A Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) admite que já demitiu, só este ano, seis mil funcionários.
- O pior é que, para cada vaga no setor de bens de capital, são sete indiretas - disse o vice-presidente da Abimaq, José Velloso.
O valor total das importações - que inclui bens de outros setores além da indústria - comprova a invasão de produtos estrangeiros. No primeiro semestre, enquanto as exportações caíram 1,7% na comparação com o mesmo período de 2011, chegando a US$ 117 bilhões, as importações cresceram 3,7% e já somam US$ 110 bi. No resto do mundo, em função da crise, as importações estão caindo.
Para o economista-chefe da CNI, Flavio Castelo Branco, a indústria já indicava declínio desde o ano passado. Se a taxa de câmbio antes era compensada pela expansão da economia mundial, hoje a competição do produto brasileiro é dificultada pelo cenário externo adverso.
- A demanda mundial caiu e a competição se acirrou. Agora que o câmbio melhorou, o ambiente todo é ruim e, por isso, não se sente o efeito.
 
Por Gabriela Valente/O Globo