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Tabaco energético é sustentável e alternativa para biocombustível


O objetivo é proporcionar uma alternativa para o produtor de tabaco através do aproveitamento das sementes para a fabricação de óleo vegetal

Tabaco energético é a aposta das empresas italiana Sunchem e a gaúcha M&V Participações. Uma iniciativa inédita no Brasil e já realiza a primeira colheita do tabaco energético em uma área experimental de 10 hectares na localidade de Rincão Del Rey, município de Rio Pardo, Rio Grande do Sul
O objetivo é proporcionar uma alternativa para o produtor de tabaco através do aproveitamento das sementes para a fabricação de óleo vegetal e, consequentemente, de biodiesel ou bioquerosene de aviação, ração animal e biomassa para geração de energia.
A Sunchem já investiu mais de 10 milhões de euros na Itália no desenvolvimento desta tecnologia. “No Brasil, a M&V já investiu 1,5 milhão de reais e pretende investir mais 20 milhões nos próximos 10 anos. Nosso plano é construir a primeira indústria no sul do Brasil - Sunchem South Brazil - com produção de 250 mil toneladas do tabaco energético ao ano”, explica o sócio executivo da M&V Participações, Sérgio Detoie Cardoso Martins.
De acordo com Detoie, não há lavoura mais rentável que a do tabaco para o fumo. “Nosso foco é assistir o produtor de tabaco para ter uma renda adicional na área de diversificação da lavoura. Hoje, a área média de um produtor de tabaco é de 16 hectares, onde dois deles são destinados à produção de tabaco para o fumo e outros 14 para outras aplicações. O objetivo é dar ao produtor a oportunidade de utilizar um percentual desta área de diversificação para produzir o tabaco energético. Em nenhum momento competimos com a indústria fumageira”, esclarece Sérgio.
No país, o projeto do tabaco energético é desenvolvido desde 2010. De acordo com Detoie, a Itália é o país mais avançado no assunto e já desenvolveu diversas aplicações para o óleo. “Uma delas que está sendo comprovada é o bioquerosene de aviação. O produto indica ter características físico-químicas muito vantajosas já que seu ponto de congelamento é bastante inferior às alternativas disponíveis no mercado. Como consequência, a energia utilizada para manter o combustível no estado líquido a baixíssimas temperaturas em altitudes de cruzeiro é bem menor”, ressalta Detoie. Atualmente, a tecnologia está sendo testada também nos EUA, Norte da África e várias regiões da Europa. O Brasil possui algumas vantagens competitivas muito promissoras para ser um grande produtor de tabaco energético. “Hoje, o Brasil já é considerado um dos maiores produtores de tabaco, é altamente desenvolvido no setor agrícola e desfruta de políticas favoráveis ao uso do biocombustível”, salienta Sérgio Detoie.
Para os próximos cinco anos, a Sunchem e a M&V Participações pretendem alcançar uma área de cinco mil hectares para produzir 15 milhões de litros de biocombustível. Uma boa alternativa para reduzir a dependência da principal matéria-prima para a fabricação do biocombustível: soja.
Outra matéria prima que veem se destacando para reduzir a dependência da soja é o milho. “O problema, no entanto, é que o milho é um produto com baixa rentabilidade na produção de combustível e seu uso nesta aplicação aumenta o seu preço e de outros alimentos, como resultado de uma simples análise de oferta e demanda. No mundo há um grande desafio: alimentar uma população que pode chegar em 2050 com nove bilhões de pessoas. Entendemos que o milho deve ser utilizado para alimentar as pessoas e não os veículos”, ressalta Detoie.
Case do tabaco energético – O projeto do tabaco energético iniciou em 2011 no Brasil. A primeira colheita de porte para processamento industrial na América Latina está acontecendo na propriedade de Nelson Tatsch em Rio Pardo (RS) e deve se estender por mais alguns dias. Para conhecer a resistência da planta de tabaco energético, esta lavoura teste foi desenvolvida no período contrário ao período recomendado para a planta do tabaco. As mudas foram transplantadas nos meses de abril e maio e resistiram às geadas nos dias 6 e 7 de junho, bem como às condições impostas pelo inverno gaúcho. “Apesar dos desafios climáticos, a planta do tabaco energético cresceu e produziu as sementes esperadas em condições adversas nas quais a planta de tabaco para fumo não sobreviveria. Ainda não existem dados conclusivos sobre a produtividade, mas há um reconhecimento notório sobre a planta ser muito robusta. Além da manutenção da lavoura existente, temos planos para expor em março de 2013, na feira Expoagro, uma lavoura de aproximadamente 600 metros quadrados”, complementa.
Histórico da Sunchem – A Sunchem é uma empresa criada para o desenvolvimento e aproveitamento do tabaco energético, sediada na província de Parma, na Itália, e fundada em 2007 a partir da também italiana Idroedil. Para entender a Sunchem é preciso saber um pouco sobre a Idroedil. Fundada nos anos 70, a empresa do dr. Carlo Ghilardi demonstrou desde sempre que tem uma visão de longo alcance, focada na tecnologia sustentável, pois já na época começou trabalhando com gestão de resíduos e produção de energia de fontes renováveis. Há 30 anos, a Idroedil já gerava aquecimento de estufas a partir de lixo urbano sólido, estando assim à frente do seu tempo.
A Sunchem nasceu com inovação e sustentabilidade em seu DNA. Paralelamente corre a história da Plantechno, laboratório comandado pelo professor Corrado Fogher, professor de genética agrícola na Universidade de Piacenza. A Plantechno representa o lado científico do empreendimento e força motriz da pesquisa sobre o tabaco. Desde 1990 o professor e sua equipe vêm efetuando análises genéticas na planta do tabaco. Em 2003 foi aprimorada uma variedade sem nicotina, sem transgenia, rica em óleo, com potencial econômico extremamente vantajoso. Estas características tornam a variedade única em seu gênero e amplamente aproveitável. Estava criado o embrião do produto tabaco energético. Em 2007, Plantechno e Idroedil criaram a Sunchem e passaram a uma fase de testes em escala mundial.

 Fonte: Portal do Agronegócio

Aumentam empréstimos para renovação de máquinas e equipamentos agrícolas


André Ricci

Redução da taxa de juros deve elevar contratações por meio do Programa de Sustentação de Investimento nos últimos dois meses do ano.ore Sharing Services



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Em 2012, entre julho e outubro deste ano, os empréstimos para aquisição de máquinas agrícolas, equipamentos de irrigação e estruturas de armazenagem totalizaram R$ 2,5 bilhões. As negociações, feitas por meio do Programa de Sustentação do Investimento (PSI-BK), foram 23% maiores comparando com o mesmo período de 2011. O total financiado representa 42,6% dos R$ 6 bilhões disponíveis entre julho deste ano e junho de 2013.
Segundo o Departamento de Economia Agrícola do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), a expectativa é de crescimento ainda maior no levantamento de novembro, período em que passou a vigorar a redução da taxa de juros desse tipo de operação de 5,5% para 2,5% ao ano até 31 de dezembro de 2012.
A avaliação atualizada mensalmente das contratações do crédito agrícola é realizada pelo Grupo de Acompanhamento do Crédito Rural, coordenado pela Secretaria de Política Agrícola do Mapa.

Wilson Sons investe R$ 180 milhões e inaugura expansão em Salvador

Valor Econômico - 28/11/2012 

A Wilson Sons inaugura, na sexta-feira, a expansão do Tecon Salvador, terminal de contêineres da empresa na Bahia. Com investimentos de R$ 180 milhões, o terminal vai dobrar de capacidade, e terá condições de receber navios maiores, acima de 6,5 mil TEUs (contêiner equivalente a 20 pés), e atenderá, com serviços logísticos adequados, as exportações de frutas da Bahia e de Pernambuco, disse o presidente da Wilson Sons no Brasil, Cezar Baião.
 
Parte das frutas produzidas na região de fruticultura irrigada do Vale do São Francisco sai hoje por Pernambuco e Ceará. A aposta da empresa é capturar parcela desses volumes. "A expansão [do terminal] é importante para a Bahia e para os exportadores baianos", disse o executivo. No total, os investimentos no Tecon Salvador chegam a R$ 260 milhões, considerando a expansão e outros R$ 80 milhões investidos desde que a empresa assumiu o terminal, em 2000. No outro terminal de contêineres da empresa, em Rio Grande (RS), foram investidos R$ 400 milhões. Os investimentos da Wilson Sons no segmento alcançam R$ 660 milhões.

Baião disse que a companhia tem interesse em novas licitações de terminais de contêineres. "Temos até plano de negócios para o novo terminal de contêineres de Suape", disse Baião. Ele mostrou-se otimista em relação ao pacote para os portos que vem sendo discutido pelo governo: "Temos a expectativa de que o governo vai respeitar os contratos e não haverá mudanças na lei dos portos porque eventuais mudanças tenderiam a afastar investidores", analisou o executivo.

As obras no Tecon Salvador se estenderam por dois anos. Os investimentos incluíram serviços de pavimentação, expansão e reforço de cais e compra de equipamentos. A capacidade dobra em relação a 2010, quando o terminal podia movimentar 250 mil TEUs por ano. Com a compra de equipamentos, o Tecon Salvador ampliou a capacidade, em fase intermediária do projeto, para 300 mil TEUs/ano, volume que agora chega a 530 mil TEUs/ano.

Baião disse que os investimentos em equipamentos incluíram três 'portêineres' e seis pontes rolantes sobre rodas utilizadas na movimentação de contêineres em pátios, conhecidas como RTGs. Os RTGs e os portêineres, equipamentos responsáveis pela movimentação de contêineres entre o pátio e o navio, foram comprados na China. O Tecon Salvador passa a contar com um cais principal, com 377 metros de comprimento e 14 metros de profundidade, e outro berço, com 240 metros de extensão para atender os serviços de cabotagem, a navegação na costa brasileira. Baião disse que os navios de contêineres que passam a escalar os portos brasileiros, com até 9 mil TEUs de capacidade, poderão atracar em Salvador.

Os principais produtos movimentados no terminal são químicos e petroquímicos, celulose, minérios, siderúrgicos e metálicos, frutas, café, componentes, couro e alimentos e bebidas. O terminal tem apostado no transporte de novas cargas no longo curso, incluindo algodão, piaçava, soja em grão, laranja in natura e manganês. Os principais armadores escalam o terminal na cabotagem e no longo curso.

Baldin fechará safra com moagem acima do previsto


Da redação

O aumento também é visto na parte de geração de energia, que 40 dias antes do encerramento do ciclo, comemora o cumprimento do compromisso comercial assumido




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O Grupo Baldin deve encerrar a safra 2012/13 no próximo dia 14 de dezembro, com uma moagem de 13,7% acima da safra anterior. O aumento também é visto na parte de geração de energia, que 40 dias antes do encerramento do ciclo, comemora o cumprimento do compromisso comercial assumido com um grande player do mercado.

Já para a próxima safra, a direção da Baldin prevê que a moagem será 20% acima da atual, sendo que os investimentos no plantio e nas soqueiras permitirão um crescimento de 10,5% nas produtividades agrícolas, alcançando 86 toneladas por hectare.
Considerando os anos de 2011 e 2012, o acumulado das produtividades agrícolas é de 30,30%.
Para os executivos do Grupo, toda essa evolução só se tornou possível graças ao início do processo de governança corporativa, assessorada por consultoria especializa e, também, ao apoio de seus fornecedores, prestadores de serviços, parceiros comerciais e colaboradores.

Etanol fica 0,69% mais caro; veja onde é vantajoso abastecer com o combustível


SÃO PAULO – O preço do etanol ficou 0,69% mais caro na última semana, com preço médio de R$ 1,897. O maior preço do combustível foi verificado no Acre, que cobrou na semana passada R$ 2,568 pelo litro do combustível.
Já a gasolina apresentou leve alta, de 0,04%. O preço do combustível está cotado em R$ 2,746.
O maior preço também foi encontrado no Acre, único Estado onde o combustível custa mais de R$ 3 (R$ 3,129). Já o menor valor da gasolina foi verificado em São Paulo, com R$ 2,627.
CALCULE O QUE VALE A PENA: ÁLCOOL OU GASOLINA

São Paulo

O etanol continua a ser vantajoso no Estado de São Paulo, que mesmo com alta de 1,09%, tem o referido combustível mais barato do Brasil, com média de R$ 1,760 por litro. Já a gasolina ficou em R$ 2,624 por litro, de acordo com dados da ANP (Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis), com base nos preços praticados na semana encerrada no último dia 24.
De acordo com a ANP, além de São Paulo, só compensa abastecer com etanol em mais três Estados brasileiros: Mato Grosso, onde o litro do etanol custava R$ 1,828 e o da gasolina, R$ 2,948; Goiás onde o etanol ficou em R$ 1,793 e a gasolina em R$ 2,722; e Paraná, onde o etanol ficou em R$ 1,943 e a gasolina, em R$ 2,801 na última semana.
Com esses valores, observa-se que a proporção etanol/gasolina ficou em 67,07% em São Paulo, apresentando mais vantagem para os que optarem pelo derivado da cana-de-açúcar. Da mesma forma, a relação no Mato Grosso ficou em 62,01%, Goiás 65,87% e Paraná 69,37% fazendo com que o abastecimento com etanol também seja mais econômico em relação à gasolina nestes estados.
Para o uso do etanol ser vantajoso, é preciso que o litro custe menos que 70% do preço do litro da gasolina. Se a proporção ultrapassar essa porcentagem, abastecer com gasolina torna-se mais interessante financeiramente.
Veja na tabela abaixo, os valores do etanol e da gasolina nas 27 unidades federativas avaliadas pela ANP e a proporção entre os preços dos dois combustíveis:
Levantamento de preços*
Estados GasolinaEtanolVariação 
AcreR$ 3,126R$ 2,56882,15%
Alagoas R$ 2,769R$ 2,29382,81%
AmapáR$ 2,700R$ 2,25383,44%
AmazonasR$ 2,892R$ 2,31179,91%
BahiaR$ 2,821R$ 2,16776,82%
CearáR$ 2,791R$ 2,19578,65%
Distrito FederalR$ 2,826R$ 2,26980,29%
Espírito SantoR$ 2,782R$ 2,46688,64%
GoiásR$ 2,722R$ 1,79365,87%
MaranhãoR$ 2,654R$ 2,19482,67%
Mato Grosso     R$ 2,948R$ 1,82862,01%
Mato Grosso do SulR$ 2,831R$ 2,09173,86%
Minas GeraisR$ 2,823R$ 2,08273,75%
ParáR$ 2,867R$ 2,34781,86%
ParaíbaR$ 2,655R$ 2,17882,03%
ParanáR$ 2,801R$ 1,94369,37%
PernambucoR$ 2,734R$ 2,15778,90%
PiauíR$ 2,642R$ 2,26785,81%
Rio de JaneiroR$ 2,852R$ 2,18476,58%
Rio Grande do NorteR$ 2,697R$ 2,24183,09%
Rio Grande do Sul R$ 2,776R$ 2,37585,55%
Rondônia R$ 2,952R$ 2,36280,01%
RoraimaR$ 2,876R$ 2,56189,05%
Santa Catarina R$ 2,687R$ 2,36387,94%
São PauloR$ 2,624R$ 1,76067,07%
SergipeR$ 2,773R$ 2,31783,56%
Tocantins R$ 2,899R$ 2,13573,65%
BrasilR$ 2,746R$ 1,89769,08%
Fonte: ANP / * Por litro

Espírito Santo atrai projetos, qualifica mão de obra e diversifica a indústria


Previsão de estudo industrial é receber US$43 bilhões em investimentos até 2015.
Por Juliana Passos
Quando Hailton Almeida deixou São Paulo para se instalar em Vitória, há 25 anos, a região possuía um mercado de apenas 40 empresas voltadas para o segmento de usinagem. Naquela época, o fabricante de ferramentas de corte Sandvik Coromant, com vistas ao potencial de crescimento industrial da região, precisava de um representante local e, para tanto, lhe fez um convite. Na ocasião, ele já trabalhava para essa empresa há 18 anos e havia atuado em diferentes setores ligados à produção, porém nunca diretamente em vendas. Ao receber a proposta para mudar completamente sua vida profissional, ponderou sobre prós e contras e resolveu aceitar o desafio, confiando no conhecimento técnico que possuía sobre os produtos que ajudava a fabricar e na perspectiva de realizar o sonho de ser um empresário bem-sucedido. O tempo provou que Hailton fez a escolha certa. Antes dele, um outro ex-funcionário já havia feito uma tentativa de se estabelecer na região, porém sem sucesso. Desse modo, o novo empreendedor pode participar do início do desenvolvimento de um estado que hoje tem uma das maiores médias de crescimento do país, principalmente na área de mineração e de óleo e gás.
Até pouco tempo, a indústria atuava quase que exclusivamente produzindo peças para manutenção nas indústrias de base presentes no estado, como mineração, siderurgia, papel e celulose. Aos poucos, essa característica está mudando e a fabricação em grande escala vai ganhando espaço na região. Como exemplo, o secretário de Estado da Ciência e Tecnologia, Jadir José Pela, cita a instalação da Weg na cidade de Linhares e o anúncio da Marcopolo que irá produzir miniônibus em São Mateus. A perspectiva de novos projetos em siderurgia, por parte da Vale e da ArcelorMittal, também aumenta a expectativa de crescimento do estado, além dos avanços significativos no setor de óleo e gás. O Espírito Santo foi o primeiro estado a explorar em águas do pré-sal e hoje ocupa a segunda colocação em produção de petróleo do país, ainda que a diferença com o Rio de Janeiro seja significativa.
“Agora, começam a chegar, ainda que timidamente, indústrias de produção seriada, algo totalmente novo no estado Capixaba.”, comenta o diretor da Hailtools e filho de Hailton, Yordan Almeida, pois os investimentos estão chegando em peso. Estão previstos para o Espírito Santo mais de US$ 43,3 bilhões em investimentos nos setores de siderurgia, mineração, papel e celulose, energia, petróleo e gás e infraestrutura. Destes projetos, alguns confirmados e outros em andamento, os investimentos somam mais de US$ 41,4 bi. No pacote, estão incluídos expansão de fábricas, implantação de novas usinas, expansão da exploração de petróleo, manutenção de altofornos e laminadores de aço. Os maiores investimentos estão no setor de óleo e gás, que são responsáveis por 60% desse valor.
Os prédios de Vitória, na orla das praias do Canto e de Camburi, são novos e modernos, a pouca distância se vê a Ilha do Frade, que possui ligação com o continente e é um bairro destinado a belas casas. A ponte que liga Vitória a Vila Velha é outra bela obra que compõe a paisagem arquitetônica da jovem e bela capital do Espírito Santo. Sinais que mostram a prosperidade da qual vive o estado, com um belíssimo litoral e um turismo ainda a ser desenvolvido. A grande Vitória também concentra 73,5% do Produto Interno Bruto do Estado (PIB) e é onde estão localizadas as grandes empresas ligadas à mineração: Vale do Rio Doce, ArcelorMittal e Samarco.
Para atender a toda essa demanda por mão de obra, o Estado está montando parcerias com instituições de ensino e empresas para capacitação. Um estudo do Programa de Desenvolvimento de Fornecedores (PDF-ES), realizado com 821 empresas do estado, mostrou que 72% dos funcionários contratados têm apenas o ensino médio. A porcentagem varia bastante a depender do segmento. Na área de engenharia de projetos estão os melhores índices, 26,3% dos funcionários possuem nível superior e 20% são formados no ensino técnico.
De acordo com o secretário, há uma integração muito forte entre governo, empresas, universidades e centros de ensino técnico para que as necessidades da indústria sejam prioridade no desenvolvimento de novos cursos. O Instituto Federal do Espírito Santo (IFES) já adota essa prática há algum tempo. “Nossos cursos são implantados em consonância com as indústrias da região já instaladas ou aquelas que estão por vir”, diz o pró-reitor de extensão do IFES, Tadeu Pissinati Sant´Anna. Entre os exemplos citados, está a construção do campus de São Mateus, no norte do Espírito Santo, onde a Petrobras realiza extração de óleo. Os primeiro curso criado foi o Técnico em Mecânica, em 2006. Hoje, o campus possui 10 cursos, entre técnico, graduação e pós-graduação. A instalação do Estaleiro Jurong Aracruz também possibilitou parcerias entre a instituição e a empresa. O foco, nesse caso, é a capacitação de professores para a criação de um curso em tecnologia naval nos próximos anos. “A parceria deve incluir o envio de 15 a 20 professores para Cingapura [origem da Jurong] nos próximos cinco anos”, conta Sant´Anna. A preparação se deve à expectativa de que novos estaleiros se instalem na região.
A perspectiva de grandes investimentos para os próximos anos não conseguiu livrar o estado dos efeitos da crise na Europa e nos Estados Unidos. A avaliação é do presidente do Sindicato das Indústrias Metalúrgicas e de Material Elétrico (Sindifer-ES), Luiz Alberto Carvalho, baseada na queda dos índices de produção dos últimos meses. No mês de junho, houve queda de 45% na indústria de Metalurgia Básica e de 10% na indústria de Transformação – perdas significativas para um setor que responde por 17% do Produto Interno Bruto do Estado e movimenta R$ 8 bi por ano. O presidente também lembrou que o Estado sofreu dois importantes reveses nesse ano. O primeiro foi a redução de 12 para 4% no valor do repasse do governo federal do Imposto sobre Circulação de Mercadorias (ICMS) recolhido no Estado por conta da extinção do Fundo para o Desenvolvimento das Atividades Portuárias (Fundap), responsável pela “guerra dos portos”. Os repasses correspondiam a 7% do PIB e o governo do ES deixará de receber R$ 2,5 bi por ano e R$ 600 milhões deixaram de ser repassados aos cofres municipais. A alteração da lei dos royalties do petróleo também pode reduzir a arrecadação na região.
A possibilidade de mudanças na legislação vinha ocorrendo há algum tempo e na avaliação de Carvalho, as circunstâncias podem ter motivado a busca por outras saídas e diversificação da economia. Por exemplo, no reforço à importância da inovação.
Junto com a preocupação sobre o desenvolvimento de mão de obra, a necessidade de inovação começa a ganhar espaço nas indústrias locais. No ano passado, uma parceria da Federação das Indústrias do Espírito Santo com a Confederação Nacional das Indústrias montou um programa para incentivar o desenvolvimento de metodologias para a inovação dentro das empresas. O projeto piloto iniciou com seis empresas que obtiveram assessoria do Instituto Evaldo Lodi de Santa Catarina durante quatro meses. Em setembro, o projeto será lançado oficialmente e contará com a participação de 25 empresas. “Os empresários costumam confundir inovação com invenção. Invenção é algo que ocorre esporadicamente e a preocupação com a inovação deve ser constante. Sem inovação, eles não vão a lugar nenhum”, diz o presidente do Sindifer.
O investimento em inovação também tem reflexos nas vendas da Hailtools e Produtiva, duas empresas de Hailton Almeida. Com o foco na oferta de soluções completas e não apenas nas atividades de vendas, as duas empresas englobam produtos e serviços que abrangem ferramentas, máquinas operatrizes, softwares e, mais recentemente, fluidos lubrificantes, pois firmaram uma parceria com a Blaser, fabricante deste tipo de produto. “Hoje, ambas as empresas começam a investir em máquinas, ferramentas, softwares e treinamentos a fim de serem mais competitivas”, comenta Yordan Almeida, diretor da Hailtools.
A parceria com a Siemens, iniciada no ano passado, foi um modelo que será replicado por parte da empresa de software com outras distribuidoras. “Como distribuidores de ferramentas Sandvik Coromant e Dormer, nossas vendas sempre são realizadas a partir de um projeto apresentado ao cliente para melhoria de sua produtividade. Para essa atividade, nos valemos de estudos feitos em softwares CAD/CAM”, explica. A empresa investiu em um novo centro de treinamento Siemens, em funcionamento há quase dois anos, e também na contratação de um projetista dedicado ao desenvolvimento de tais projetos. Yordan explica que nem sempre os estudos focam a melhoria de produtividade em usinagem, pois estes podem variar para planos de redução de custos, reduções de inventário, entre outros, tudo depende da necessidade encontrada em cada cliente. Obviamente, nem toda venda necessita de um projeto. Estudos realizados com êxito em um cliente podem servir de base de referência para a implementação de melhorias em um outro, desde que estes não sejam concorrentes entre si, pois a ética profissional é imprescindível para o êxito de qualquer fornecedor de respeito.
“Os próximos passos consistem em atender ao crescimento industrial do estado fornecendo, além de ferramentas, treinamentos técnicos em torneamento, fresamento, furação, CAD 3D e CAM”, conta Yordan Almeida. A demanda é grande, porque o estado ainda é carente de mão de obra qualificada. Outro ponto lembrado pelo presidente do Sindifer está na infraestrutura da região, que passa pelos mesmos problemas encontrados em todo o Brasil, ou seja, portos obsoletos, escassez de ferrovias e falta de rodovias de qualidade que sejam adequadas às necessidades logísticas das indústrias.

Desenvolvimento regional em várias frentes da indústria de base aquecem os negócios do Estado do Espírito Santo no campo da manufatura.

Luiz Alberto Carvalho observa que, nos últimos anos, a atividade industrial tem se diversificado, pois já não se encontra tão restrita à siderurgia ou papel e celulose, como no passado. A indústria metalmecânica do estado também tem encontrado novos mercados e não está tão restrita ao fornecimento para as grandes empresas locais. O Programa de Desenvolvimento de Fornecedores (PDF) ajudou a alavancar o volume de negócios e hoje as receitas externas giram em torno de 40% do PIB (Produto Interno Bruto) do Estado. Apesar disso, de acordo com o levantamento feito pelo PDF, 24% das empresas entrevistadas atendem a Vale, 23,4% a Petrobras e 21,6% a ArcelorMittal, mostrando que essas empresas ainda exercem grande influência no desenvolvimento do polo industrial Capixaba.
O mesmo estudo ainda aponta algumas demandas das grandes empresas que poderiam ser atendidas ou fazer parte de um plano de expansão dos serviços já prestados pelas empresas locais, como o desenvolvimento de serviços de caldeiraria e a produção de conectores, fixadores, motores elétricos de baixa tensão, válvulas, entre outros. No caso de estruturas metálicas e caldeiraria, essa demanda estará em ascensão até 2014, de acordo com previsões do PDF. Em 2012, a demanda, em toneladas, por estruturas metálicas e caldeiraria atingiram 39 mil toneladas ante 17 mil em 2011. Em 2014, está previsto para que se atinja o pico, 121 mil, e, em seguida, há uma baixa na previsão para 60 mil em 2015. As demandas são calculadas a partir de consulta às principais empresas do estado e o relatório é coordenado pelo Sindifer, mas reúne quatro sindicatos, mais a federação de indústrias local e tem apoio das empresas que promovem as maiores demandas. O Programa de Desenvolvimento de Fornecedores é responsável por articular a indústria local, por meio de consultorias, capacitações e divulgação de estudos, com o incentivo de grandes empresas.
Evidentemente, os desafios impostos são muitos, contudo há também um sem-número de oportunidades para empresas que tenham ou desejem fazer da manufatura o seu core business. Quem chegar primeiro poderá usufruir antes das grandes possibilidades de negócios oferecidas por este rico e promissor estado.

BMW terá apoio do Sistema FIESC para formar profissionais


BMW terá apoio do Sistema FIESC para formar profissionais
Colombo, Côrte, Robertson entre outras autoridades durante cerimônia em Brasília (foto: Antônio Carlos Mafalda/Secom)
Florianópolis, 22.10.2012 - O presidente do Sistema FIESC, Glauco José Côrte, disse nesta segunda-feira (22) à direção da BMW, em Brasília, que o SENAI, o SESI e o IEL estão preparados para apoiar a montadora na formação profissional e outros serviços como os de atendimento aos trabalhadores ou na interface com as instituições de ensino.
Côrte participou, junto com o governador Raimundo Colombo e outras autoridades  catarinenses, de encontros com o vice-presidente mundial da BMW, Ian Robertson, com o presidente da BMW Group do Brasil, Jörg Henning Dornbusch, e com a presidente Dilma Rousseff. "Reiteramos nossa disposição, já manifestada nos outros encontros com os executivos da empresa, de apoiá-la no que ela precisar, em especial, num primeiro momento, na formação de técnicos para trabalhar na nova fábrica em Santa Catarina", relatou Côrte.
Ele afirmou que a vinda da montadora é uma grande conquista para Santa Catarina. "É o fruto de um trabalho bem elaborado e que vai ajudar a consolidar um novo polo automotivo no Estado, que já possui um diversificado parque fabril", disse.
Em Brasília a BMW confirmou que vai montar em Araquari a primeira fábrica brasileira da marca,
que inicialmente receberá investimento de 200 milhões de euros e vai gerar 1 mil empregos diretos para produção inicial de 30 mil carros por ano. Para a FIESC, um dos aspectos mais relevantes da notícia é a agregação de valor e a tecnologia que chegarão junto com a montadora.
FIESC