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Em uma década, número de importadoras sobe 53% em SC




Lançamento do estudo foi realizado nesta quinta-feira (22), em Florianópolis (Foto: Filipe Scotti)
Na última década, Santa Catarina registrou crescimento de 53% no número de empresas importadoras atuando no Estado. O salto foi de 1.567 em 2001 para 2.411 no ano passado. Os dados estão na publicação "Análise do Comércio Internacional Catarinense 2012", que a Federação das Indústrias (FIESC) lançou na quinta-feira (22), em Florianópolis. Enquanto o número de importadoras registrou forte crescimento, a quantidade de empresas exportadoras se manteve praticamente constante no período, oscilando entre 1,4 mil e 1,6 mil companhias.

O crescimento da demanda interna e a apreciação cambial abriram oportunidades para a importação de mercadorias no Brasil, mostra a publicação. Mas em Santa Catarina outros fatores contribuíram para o crescimento das importações. Um deles foi a ampliação da infraestrutura portuária e o outro foi o programa de incentivos fiscais criado em 2007 pelo governo estadual, o Pró-Emprego, que concedeu redução da alíquota de ICMS para produtos importados via portos catarinenses, lembra o diretor de relações industriais da FIESC, Henry Quaresma.

"Espera-se que a publicação possa auxiliar as decisões das indústrias proporcionando melhores condições de competitividade em um ambiente cada vez mais desafiador. Ao mesmo tempo, a FIESC utilizará os principais resultados e conclusões do trabalho para buscar junto às entidades do comércio exterior brasileiro soluções para os entraves que vêm prejudicando o processo de internacionalização do setor produtivo catarinense", afirma o presidente da FIESC, Glauco José Côrte, na apresentação do documento. 

Ao longo da década, as importações catarinenses, que em 2001 vinham predominantemente da União Europeia (34,5%) e do Mercosul (24,7%), passaram a ser lideradas pela Ásia (43%). "A evolução das importações está em sintonia com as tendências do comércio internacional do período. As compras externas realizadas por Santa Catarina não se destinam totalmente ao Estado, mas entram no Brasil pelos seus portos. Houve um grande aumento no volume de insumos para a indústria, máquinas e equipamentos, além de bens de consumo vindos de países asiáticos nos últimos anos para atender o mercado brasileiro", avalia Quaresma.

Com o substancial incremento de importadoras, as compras catarinenses no exterior cresceram 1.600% nos últimos dez anos. E a participação do Estado no total nacional passou de 1,5% em 2001 para 6,6% no ano passado. Esse quadro explica a perda de cinco posições na participação de Santa Catarina no total das exportações brasileiras. O Estado, que hoje é o 10º no ranking, respondia por 5,2% das vendas internacionais do País em 2001 e fechou 2011 com 3,5%.

O levantamento mostra que Santa Catarina manteve saldo positivo da balança comercial de 2001 a 2005. De 2006 a 2008, o Estado continuou registrando superávit, mas com valores em declínio. A partir de 2009 a diferença entre exportações em importações ficou negativa e em 2011 o saldo registrou déficit de US$ 5,8 bilhões.

A publicação também traz uma pesquisa com empresas de 17 setores industriais, sendo 33% de pequeno porte e 67% de médio e grande portes. Ela mostra que entre as barreiras internas à internacionalização estão as reduzidas economias de escala, o que torna os custos de produção elevados em relação aos concorrentes internacionais; obstáculos de acesso a canais de distribuição em outros países e dificuldades de formar parcerias internacionais. Entre as barreiras externas à internacionalização estão a acirrada concorrência internacional; política cambial desfavorável às exportações brasileiras e o elevado custo do transporte internacional.

Em relação à evolução das quantidades exportadas entre 2007 e 2011, 42% responderam que os volumes estão sendo reduzidos; 27% que estão se mantendo estáveis e 22% têm registrado aumento parcial. "Os dados refletem o acirramento da disputa no mercado internacional, a questão cambial que tirou a competitividade dos exportadores brasileiros e o direcionamento dos negócios para o mercado interno, que apresentou melhor desempenho", diz Quaresma.

Para 48% das empresas pesquisadas, os valores importados representaram até 10% das compras efetuadas. Para 16% das companhias ouvidas, as importações correspondem a 70% das compras globais, mostrando que a indústria também passou a importar com o objetivo de ganhar competitividade.

O levantamento revela que 71% das empresas ouvidas são exportadoras e importadoras. 64% informam que iniciaram as atividades internacionais após 1991, quando o País abriu seu mercado, e 25% afirmaram que têm mais de 30 anos de experiência internacional.

Usimat é pioneira em etanol de milho no país e aumentará produção em 2013


A produção de etanol de milho chegou a 342 mil litros por dia, com utilização de 900 toneladas do grão diariamente

publicado em 27 de novembro de 2012 - 11h19
Produzir etanol de milho já é uma realidade em Mato Grosso através do projeto da Usimat Flex - o primeiro do país -, em Campos de Júlio (545 km de Cuiabá, na região Oeste de MT).
Durante fevereiro deste ano a usina funcionou por 45 dias com o grão como matéria-prima. Os resultados foram positivos e, a partir de 2013, esse período será ampliado para 90 dias.
O gerente industrial da Usimat, Vital Silva Nogueira, contou os detalhes da experiência durante o Workshop Planta Flex, realizado em Cuiabá na sexta-feira (23).
A produção de etanol de milho chegou a 342 mil litros por dia, com utilização de 900 toneladas do grão diariamente - média de 2.6 quilos de milho por litro de etanol.
De acordo com Nogueira, foram investidos R$ 26 milhões para incrementar a estrutura da usina e torná-la flex e os resultados conquistados pela empresa mostram que, além de viabilidade técnica, há a financeira também.
O gerente ainda comentou que os resultados já são satisfatórios apenas se pensando no etanol produzido, mas que é possível agregar ainda mais valor somando subprodutos do processo, como o óleo de milho e o DDG (sigla em inglês para Grãos Secos por Destilação), este último utilizado para alimentação animal.
Nogueira descreveu aos presentes todos os equipamentos adquiridos e o processo completo de implantação, pontuando a facilidade no projeto mecânico e na manutenção. “E nosso objetivo é produzir etanol de cana simultaneamente ao de milho”, acrescentou.
De acordo com a Novazymes, empresa fornecedora de enzimas para a produção do combustível, no Brasil já estão em pesquisa plantas flex nos estados de Goiás e Mato Grosso do Sul. Em Mato Grosso existem atualmente nove usinas de etanol em operação, todas utilizando a cana-de-açúcar e apenas a Usimat fazendo uso de milho na entressafra.

Fonte:
 Agrolink

Fábrica da Fibria e Ensyn vai abastecer mercado externo


No início de outubro, a maior produtora mundial de celulose branqueada de eucalipto anunciou um investimento de US$ 20 milhões para comprar uma participação de 6% na Ensyn Corporation

A unidade fabril que a americana Ensyn e a Fibria pretendem erguer no país, para produção de óleo combustível líquido a partir de biomassa, terá foco inicial nas exportações. Mais adiante, contudo, a ideia é atuar também no mercado brasileiro, ofertando o óleo renovável tanto para refinarias quanto para outras indústrias, como substituto do petróleo. "Nosso plano de negócios prevê o mercado brasileiro e as exportações", disse ao Valor o presidente da Ensyn Corporation, Robert Pirraglia. "O etanol não será um desafio porque nosso produto não é um concorrente direto e pode ser usado em diferentes aplicações", acrescentou.
A companhia americana é proprietária da tecnologia, já comercial, Rapid Thermal Processing (RTP), que permite a obtenção de um óleo combustível renovável que pode ser co-processado em refinarias ou utilizado na indústria para geração de calor e energia. No início de outubro, a maior produtora mundial de celulose branqueada de eucalipto anunciou um investimento inicial de US$ 20 milhões para comprar uma participação de 6% na Ensyn Corporation. Na segunda-feira, em Nova York, as duas companhias formalizaram a constituição de uma joint venture, incorporada em Delaware, para operação no Brasil nos próximos anos.
Segundo o presidente da Fibria, Marcelo Castelli, a primeira unidade fabril da joint venture pode entrar em operação no Brasil em 2015. "O prazo para implantação de um projeto desses é de dois anos. Então, 2015 poderia ser uma boa data", afirmou. Antes disso, a companhia brasileira tem a opção de elevar sua fatia no capital da Ensyn a cerca de 9%, antes que a empresa concretize seus planos de abertura de capital em Nova York, mediante um aporte adicional de US$ 10 milhões.
Esse movimento da Fibria, conforme o acordo acertado em outubro, deverá ser feito antes de a Ensyn realizar uma oferta pública inicial de ações (IPO, na sigla em inglês), o que poderá ocorrer ainda em 2013. Mas, de acordo com Pirraglia, uma distribuição pública não é a única alternativa de financiamento em análise pela companhia. "Temos algumas alternativas e muita gente interessada em financiar nossa expansão", contou.
O plano de expansão a que se referiu o executivo contempla a implantação de 20 novos projetos na América do Norte. O investimento médio em uma nova unidade da Ensyn, nos Estados Unidos e no Canadá, gira em torno de US$ 80 milhões. Esse valor, contudo, não pode ser replicado sem ajustes ao mercado brasileiro. Em princípio, a expectativa é a de que a unidade da joint venture seja instalada perto de alguma fábrica ou floresta da Fibria, onde há oferta de biomassa.
Para o principal executivo da Ensyn, Robert Graham, a constituição da joint venture é um primeiro passo em parceria com a Fibria, que começa no Brasil. "O Brasil é e será um importante mercado para o nosso produto. E é muito importante termos uma empresa com o porte da Fibria como parceira", disse.
Tradicionalmente, a expansão da Ensyn tem se concretizado por meio de grandes "fornecedores" locais de biomassa. Na Malásia, por exemplo, a empresa firmou uma aliança estratégica com a Felda Palm Industries, principal produtora de óleo de palma do país do Sudeste Asiático e também acionista da Ensyn. O óleo de palma, de acordo com Pirraglia, também pode representar uma oportunidade para a empresa no Brasil.
Com o aporte de US$ 20 milhões, a Fibria garantiu direitos semelhantes aos de demais acionistas majoritários da empresa, entre os quais Credit Suisse, Impax Asset Management e CTTV Investments, uma divisão da Chevron USA.

Fonte: Valor Econômico

MS já processou 33 milhões de toneladas de cana


A estimativa da Biosul se mantém desde a segunda quinzena de outubro, quando considerou-se uma moagem em torno de 38,6 milhões de toneladas de cana



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No Mato Grosso do Sul, a safra 202/13 já processou 33 milhões de toneladas de cana. O total é 8,4% maior que o mesmo período da safra passada, quando a indústria tinha um volume de 30,4 milhões de toneladas moídas.
Para o presidente da Biosul - Associação dos Produtores de Bioenergia de MS, Roberto Hollanda Filho, as condições climáticas ainda são importantes. "Existe uma recuperação, mas ainda dependemos de São Pedro para garantir a produção que projetamos para a safra 2012/13", explicou.
A estimativa da Biosul se mantém desde a segunda quinzena de outubro, quando considerou-se uma moagem em torno de 38,6 milhões de toneladas de cana, tendo como previsão para a produção de açúcar 1,91 milhões de toneladas; etanol anidro chegando a 507 milhões de litros e hidratado a 1,48 mi de litros.
Com relação a quantidade de Açúcares Totais Recuperáveis (ATR) por tonelada de cana-de-açúcar, nesses primeiros 15 dias de novembro o valor registrado foi de 133,14 kg, valor 2% maior quando comparado com a mesma quinzena da safra anterior. Já no acumulado, o ATR está em 138,07 kg.

 Fonte: ProCana Brasil

Por que vamos depender da venda do nosso milho para os chineses?


Diversos usineiros e produtores de milho da região Centro-Oeste estiveram reunidos em Cuiabá na última sexta-feira


O objetivo foi discutir a implantação de novas usinas flex, já que em Mato Grosso temos uma em funcionamento, na cidade de Campos de Júlio, ou seja, a produção de etanol de milho já é realidade no Brasil.
Mas aí vem sempre a pergunta: por que produzir etanol de milho? Bem, primeiro porque temos aí uma grande oportunidade de consumo do milho agregando valor regional. Para mostrar a oportunidade que estamos perdendo considere que Mato Grosso produziu 13,9 milhões de toneladas de milho, mas só consumiu 2 milhões, ou seja, houve uma sobra de 11,9 milhões de toneladas. Já o estado de Goiás produziu 7,8 milhões de toneladas e consumiu 4 toneladas do grão, sobraram 3,8 milhões de toneladas. Mato Grosso do Sul produziu 5,7 milhões e consumiu 1,3 milhões de toneladas do total, 4,3 milhões de toneladas de produção excedente.
Como podemos observar, a região Centro-Oeste produziu 27,1 milhões de toneladas de milho para um consumo regional de apenas 7,3 milhões. Esse consumo se concentra, principalmente, na avicultura, suinocultura e nos confinamentos de bovinos e que, embora tenha aumentado ano a ano, não tem acompanhando a capacidade de expansão da produção do milho. Sendo assim tem sobrado quase 20 milhões de toneladas do cereal no Centro-Oeste.
Neste ano o Brasil exportou 21 milhões de toneladas de milho, exportação que ocorreu graças à quebra mundial na produção do grão, sobretudo nos Estados Unidos, o que fez com que o Brasil pudesse colocar a preços remuneradores o excedente da produção nos portos, caso contrário teríamos armazéns abarrotados com em anos anteriores. Lembrando que mesmo exportando este volume expressivo, ainda temos milho sobrando no Brasil. O problema é que ele está em Mato Grosso e custa muito caro levar uma carga de milho do Estado para os portos ou para Santa Catarina, onde está faltando.
Na safra de 2011/2012 o Brasil teve uma oferta global de 84,1 milhões de toneladas, incluido estoques de passagem e produção, mas consumiu apenas 52,5, ou seja, sobraram 31,6 milhões de toneladas. E o pior é que no Centro-Oeste poderíamos ter produzido mais 14 milhões de toneladas. Claro que não produzimos porque teríamos um sério problema de preço por dois motivos principais: não teríamos como consumir tudo internamente, além do que teríamos que exportar todo o produto pelas rodovias do Brasil ao custo do frete mais caro do mundo.
Para se ter uma ideia, hoje o milho em Mato Grosso está a um preço médio, em Sorriso, de 18 reais, e custa 14 reais para levá-lo ao porto. Ou seja, a cada três sacas que enviamos ao porto duas são para pagar o frete. Isto logicamente porque nosso transporte é predominantemente rodoviário, se tivéssemos mais ferrovias e hidroviárias e se soubéssemos explorar adequadamente cada modal de acordo com a distância a ser percorrida (curtas de caminhão e longas de trem e barcaças) este custo seria muito menor: a cada três sacas gastaríamos uma em frete ou até menos.
Diante desse cenário, uma das grandes alternativas para agregarmos valor ao milho do Centro-Oeste é utilizá-lo, em parte, nas usinas de cana-de-açúcar onde - com uma ampliação - conseguimos produzir etanol, DDGs e óleo. Hoje com uma tonelada de milho podemos produzir até 240 kg de DDGs (que são os grãos secos de destilaria, produto excelente para ração animal), outros 395 litros de álcool e ainda 20 litros de óleo.
Diversos usineiros estão vislumbrando a produção do etanol de milho, uma vez que agrega valor industrial, possibilita que a usina ao invés de ter atividade industrial por apenas seis meses possa chegar a operar quase o ano todo. Isto, sem dúvida, reduz os custos operacionais do próprio etanol de cana, já que tem outro produto dividindo os custos. Como prova da viabilidade do modelo, já existem duas novas usinas flex em fase de aquisição de equipamentos, uma em Mato Grosso e outra em Goiás.
A produção de etanol de milho regionalmente seria um grande benefício segundo a Célere Consultoria. Para cada 1 milhão de tonelada de milho transformada em etanol e DDGs teríamos uma receita anual de 700 milhões de reais, o que geraria 180 milhões de impostos ao Estado e 150 novos empregos diretos. Sem dúvida, é uma grande iniciativa e que merece apoio do governo.
Este é o questionamento que faço: vamos ficar dependendo da China consumir nosso milho ou vamos fazer como os norte-americanos e encontrar uma alternativa que agregue valor e nos tire da total dependência do mercado externo? Claro que o etanol tem seus problemas, mas qual cadeia neste país não tem?
A nossa prioridade deve ser buscar soluções, cobrar do governo uma política para os biocombustíveis, afinal este governo posa de ambientalista, mas tem sua política voltada ao combustível fóssil e rodovias, e nós brasileiros pagamos a conta perdendo uma grande oportunidade de crescermos e sermos muito mais competitivos. Imaginem o Brasil com ferrovias, hidrovias, uma política energética sustentável com real apoio aos biocombustíveis, sou otimista vamos chegar lá.
* Glauber Silveira é engenheiro agrônomo, produtor rural, presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Soja (Aprosoja Brasil)

Fonte: Portal do Agronegócio

Raízen define em 2013 plano para etanol de 2ª geração


"Queremos sair na frente na produção em escala comercial do etanol celulósico no Brasil", afirma Pedro Mizutani


Há pelo menos dois anos sem anunciar grandes aquisições ou projetos no segmento de açúcar e etanol, a Raízen Energia, divisão sucroenergética da Raízen, joint venture entre Cosan e Shell, vem restringindo seus investimentos ao campo operacional, na área agrícola e em ajustes industriais, visando ganhos de eficiência. Com capacidade para processar 65 milhões de toneladas de cana-de-açucar por safra, a companhia poderia, apenas com projetos de construção de usinas ainda engavetados, alcançar 100 milhões de toneladas por safra em moagem de cana, não fossem as condições ainda instáveis no mercado de etanol.
Mas a parcimônia com os investimentos na chamada primeira geração do biocombustível não deverá se estender à segunda geração. O vice-presidente da Raízen Energia, Pedro Mizutani, afirmou ao Valor que a empresa deverá finalizar no ano que vem as diretrizes de um grande projeto de produção de etanol celulósico a partir do bagaço e da palha da cana resultante do próprio processo do etanol de primeira geração.
Há cerca de três meses, a companhia começou a enviar sistematicamente matéria-prima (bagaço e palha) para a planta de demonstração da Iogen, empresa na qual tem participação. Segundo Mizutani, a unidade, com sede no Canadá, desenvolve há mais de 20 anos pesquisas em etanol celulósico, usando sabugo de milho e trigo. Os testes da Raízen em segunda geração, conforme ele, também envolvem a Codexis, empresa de pesquisa que foi herdada da Shell após a formação da joint venture, mas que tem foco principal no desenvolvimento de enzimas para produzir o biocombustível.
A planta de demonstração da Iogen tem capacidade para produzir 2 milhões de litros de etanol celulósico por ano. Após finalizados os testes, a Raízen quer implantar em suas unidades do Brasil plantas industriais para fabricar 40 milhões de litros anuais. Mizutani acrescenta que o projeto da Raízen para etanol celulósico também usará tecnologia do Centro de Tecnologia Canavieira (CTC), empresa brasileira de pesquisa na qual a companhia tem participação.
Os detalhes do projeto do etanol celulósico, bem como o valor do investimento na empreitada, ainda estão em fase de definição, mas as decisões devem ser tomadas mesmo no ano que vem, garante Mizutani. "Queremos sair na frente na produção em escala comercial do etanol celulósico no Brasil", afirma o executivo.
Essas decisões serão tomadas em um contexto em que a produtividade do etanol de primeira geração está com crescimento estagnado, o que eleva os custos. Os preços do biocombustível seguem ainda deprimidos, espremendo as margens de lucros.
Nesta temporada, a Raízen deverá moer entre 55 milhões e 56 milhões de toneladas de cana e produzir 4,1 milhões de toneladas de açúcar e 4,1 bilhões de litros de etanol. Ainda assim a empresa ficará abaixo de sua capacidade instalada de processamento de cana, que chega a 65 milhões de toneladas por safra.
Todas as unidades industriais deverão concluir a moagem de cana na safra atual até 22 de dezembro. Se o clima do próximo mês for de pouca chuva - ou seja, favorecer a colheita -, a Raízen encerrará a safra com 400 mil a 500 mil toneladas de cana em pé. Se as precipitações forem mais constantes, esse volume de matéria-prima não processada poderá chegar a 800 mil toneladas, conforme Mizutani.
As 24 unidades industriais da Raízen Energia tendem a processar no próxima temporada, a 2013/14, um volume de cana cerca de 10% maior que o de 2012/13 - algo entre 59 milhões e 60 milhões de toneladas, conforme informações do vice-presidente.
Para Mizutani, a remuneração em 2013 para o açúcar - neste momento mais baixa do que há um ano - vai depender do que ocorrerá sobretudo com a produção da Índia e com a demanda chinesa. "Provavelmente os indianos terão uma safra menor e ajudarão a compensar a maior safra no Brasil. A demanda chinesa poderá fazer a diferença em 2013". Mizutani aposta em preços internacionais do açúcar entre 18 centavos e 22 centavos de dólar por libra-peso, intervalo praticado atualmente.
Para Mizutani, haverá também uma produção maior de etanol no Brasil que, espera-se, seja em parte absorvida pela volta do percentual de mistura de anidro na gasolina de 20% para 25%. "O aumento natural do consumo de hidratado, proveniente da maior frota de carros flex, também deverá consumir um volume adicional, e o mercado externo deve trazer boas remunerações".

Fonte: Valor Econômico

Brasil tem 40 projetos de etanol congelados, diz secretário de desenvolvimento do Rio


Bueno criticou também a falta de leilões de blocos de petróleo no país, que segura o crescimento da economia


Na abertura do seminário sobre gás natural do promovido pelo governo do Estado do Rio, o secretário de Desenvolvimento e Energia, Júlio Bueno, disse que o país tem cerca de 40 projetos para expansão da produção de etanol congelados pela falta de competitividade do preço.
Segundo ele, a informação foi dada pelo presidente da Firjan (Federação das Indústrias do Rio de Janeiro), Eduardo Eugênio Vieira, que integra o Conselho de Administração do BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social). "Ontem conversei com o Eduardo Eugênio, que faz parte do Conselho do BNDES, e ele que disse que tem 30, 40 projetos congelados de etanol, porque ninguém vai colocar dinheiro com um preço do etanol que não é viavel", afirmou.
Com o congelamento dos preços da gasolina pelo governo e uma safra fraca de etanol, o consumidor tem preferido abastecer com gasolina, o que não estimula o aumento de produção do combustível.
Bueno criticou também a falta de leilões de blocos de petróleo no país, que segura o crescimento da economia. "Nunca tivemos condições macroeconômicas tão grandes nesse país para crescer, usando o bordão do Lula. Condições macroeconômicas tão grandes para crescer, e nós estamos tropeçando nas próprias pernas, e o setor de energia está sendo o símbolo desse tropeção", disse Bueno.
Ele lembrou que além da falta de leilões, o país passa por problemas trazidos pela mudança também nas regras do setor de energia elétrica e que o congelamento de preços da gasolina estaria sufocando os investimentos da Petrobras. "Tudo isso está parado e o Brasil crescendo apenas 1,5%. O congelamento do preço da gasolina tem tirado o fôlego do nosso principal palyer de energia que é a Petrobras, diminuindo a velocidade dos seus investimentos, isso tem impacto direto na economia brasileira", afirmou.
"Tem o lance da energia elétrica também, eu concordo do ponto de vista da economicidade, mas eu não concordo com a forma como foi feita, a gente saiu da posição 1 para a 1000 em um segundo, gerando desconforto para todas as empresas do setor que se refletiu na bolsa de valores", completou.

 Fonte: Folha Online