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Seis características do falso líder

A década dos 2000 e esta caracterizam-se pela quantidade e, por vezes, a qualidade dos cursos, seminários e workshops sobre Líder, Como ser Líder, Os hábitos do Líder  etc. De igual forma, as prateleiras das livrarias estão forradas de textos sobre o assunto.
O Mercado exige líderes competentes devido à acirrada competição e no momento, pela recessão econômica, as características de liderança são mais e mais exigidas. 
E no mundo real, infelizmente ainda predominam o que denomino de “falsos líderes”. Eles se constituem, numa boa porcentagem, os que ocupam posto de mando nas empresas. Não entro no mérito da corrupção, visto que praticamente institucionalizada, pode estar presente ao lado das características do falso líder, que a seguir listo:

 1.       Fez carreira por apadrinhamento (proteção de um superior e não pelas qualidades profissionais). Longe de ser exceção é mais comum do que se pensa.
2.       Fazia muito bem uma determinada função técnica e foi promovido  a gerente de pessoas, continua a tratar gente como números ou parte de um processo.
3.       Vendeu sua imagem de líder, é muito bom para a auto promoção (faz isso como habilidade e é “esperto”) no cargo, pensa nele e somente lá, ‘nos últimos vagões do trem’, pensa que pode estar ocupado com os  seus  subalternos.
4.       Tem a habilidade de “passar a perna” nos mais competentes (normalmente está sempre presente ao lado dos que determinam carreira com “informações preciosas” sobre os resultados negativos obtidos pelos seus pares).
5.        É um tremendo mau caráter. Promove a todo instante o auto engano. Faz-se  de amigo, protetor, colaborador e jamais assume posições (a vitória é sempre dele, os maus resultados sempre têm um culpado, e óbvio não é ele).
6.       Tem medo de concorrência (talvez a característica que mais identifica o falso líder), escolhe para sua equipe sempre os piores, jamais promove os melhores, dessa forma se perpetua no poder (que é para ele a fonte da vida e onde mata sua sede de poder). 
O mundo corporativo está pleno desses falsos líderes. Eles continuam a vicejar nas empresas e constituem-se no grande óbice a pessoas bem formadas, talentosas e que querem progredir. Eu mesmo tive o desprazer de conhecer, ao longo da minha carreira, vários desses falsos líderes.
É comum os verdadeiros líderes terem que se defender dos falsos, vistos que  eles estão nas empresas visando deu benefício pessoal. O tempo que os verdadeiros líderes têm para se manter na posição e trabalhar é, portanto, reduzido drasticamente.  Está aí um dos fatores que prejudicam diretamente os resultados e a competitividade.
Identificar os falsos líderes não é tarefa simples, mas deve ser um dos maiores objetivos de toda empresas, a ordem é fora com eles e, sem dúvida, a saúde da empresa tende a melhorar.

Homens de vendas á beira de um colapso nervoso:

A estagnação da economia brasileira e a pouca luz no final do túnel para reativa-la acabaram por modificar profundamente o papel do profissional de vendas.
Sem qualificar, ou hierarquizar todos os profissionais de vendas, hoje, devem tomar cuidado com a saúde, visto a cada dia serem submetidos a pressões, por vezes insuportáveis. Por quê?  A demanda retrai, o consumidor foge, os preços se elevam, o PIB será negativo (em torno de 2%), mas as Empresas, de um modo geral, não mudam seus objetivos de resultados operacionais. Esses continuam elevados, a direção diz – é assim que os acionistas desejam etc. etc.
Resultado disso:  sempre sobra para alguém, e no mundo corporativo, está sobrando para o homem de vendas.
 Sob pressão diária, mensal e sobretudo semestral, visto que hoje os resultados são assim cobrados, acaba por ser a tábua de salvação ou deve tornar-se um “milagreiro”. Os que não conseguem são demitidos e  os empregadores voltam ao mercado em busca do salvador da pátria. É claro que resultados são importantes, mas  nesse cenário, ou são menos ambiciosos, ou não serão atingidos. Essa é a realidade, mas como se costuma dizer  – “o pessoal lá de cima não quer saber”. É claro que o pessoal lá de cima sabe das dificuldades, mas isso não significa aliviar  pressão. Aprendi que pressão na dose certa é fator motivacional, mas em doses exageradas é mortal. Senhores lá de cima, observem com cuidado o que as outras áreas de competência da empresas estão fazendo, para colaborarem com vendas, estão sendo proativas (marketing, logística, finanças, etc..ou estão assistindo ao “massacre” do bode expiatório? 
Temo, pelo que tenho consultado, que as demais áreas  estão assistindo ao massacre. Resultado final:  todos perdem, uns mais cedo, outros mais tarde.

As coisas, seus Dados e as Mudanças na Indústria

Em 1776, no seu hoje histórico “Riqueza das Nações”, Adam Smith escreveu uma das leis fundamentais da evolução da economia e da sociedade. Segundo ele, em tradução livre, “a melhoria mais significativa na produtividade é efeito da divisão do trabalho”. Vista de outro ângulo, a introdução de novas tecnologias e ferramentas no ambiente de manufatura levou à mudança nos métodos e processos obedecidos pelos trabalhadores, que quase necessariamente tiveram que se especializar em uma ou poucas máquinas. Uma versão da “Lei de Smith”, de fato, é que “mudanças realmente radicais, nos negócios, nunca são apenas tecnológicas”. E Smith já percebia isso no princípio da Revolução Industrial, que começara a menos de duas décadas da publicação do seu clássico, e que iria mudar a produção -e a economia e sociedade- muito mais, nos cem anos seguintes à publicação, do que era o caso naqueles primeiros vinte.
Mais ou menos duzentos anos depois da “Riqueza”, outra revolução começou a afetar a economia e sociedade, a da informação e de sua base, a informática. A década de 70 viu os computadores chegarem nas empresas, em alguma escala, criando uma onda de inovação baseada em hardware; os sistemas de controle nas fábricas são da mesma época, criando a terceira revolução industrial, a de automação da produção (a segunda foi a das linhas de montagem). A década de 80 foi dos PCs, nas mesas das pessoas nas empresas e nas casas, e causou uma onda de inovação de -e em, e sobre- software. Nos anos 90, a internet se tornou comercial e inaugurou a era das redes, conectando instituições e estas às pessoas, mas não as pessoas entre si, o que veio a acontecer nos anos 2000 com os smartphones e a computação e comunicação móvel e pessoal. Nos anos 2010 começamos a ver as coisas, em todos os lugares, serem envolvidas por uma camada adicional de hardware e software, aliada a outra, de conectividade, que mudam o caráter de tudo o que nós, pessoas comuns, costumávamos identificar como produtos.
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Os produtos -de carros a camisas, de lâmpadas a turbinas- estão se tornando cada vez mais intensivos em serviços. Coisas, que costumavam ser passivas, estão passando a ter sensores, atuadores e capacidade computacional que não se imaginava há alguns anos e, no topo disso, começam a se conectar não só entre si, mas a tudo o que já estava na rede. Cinco décadas de inovação (hardware, software, redes, móvel, coisas) começam, agora, a funcionar juntas, na sociedade e na economia, com um grande potencial de impacto em tudo ao seu redor.
E um dos maiores impactos desta nova onda de inovação em informática, das coisas e sua internet, será sentida justamente na indústria. Primeiro -e de menor impacto relativo- porque os ambientes e sistemas de produção têm como base redes (ainda não estabelecidas em sua totalidade e intensidade) de coisas; quando tais ambientes e sistemas forem verdadeiras redes, de conexões, relacionamentos e interações entre coisas, o que costumamos chamar de fábrica se tornará um sistema -uma grande “coisa”- com suas interfaces e funcionalidades, programáveis, consumindo e gerando grandes volumes de dados sobre tudo o que faz.
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Em segundo lugar, as novas coisas que as “fábricas” fazem e farão, quando estiverem informatizadas -sim, estamos na era da informatização das coisas, dos objetos-, vão “falar”, e não só entre si e com seus donos (ou avatares deles, em aplicativos e sistemas de informação) mas, e talvez principalmente, com suas “fábricas”. Imagine as consequências: no primeiro caso, da mudança dentro das fábricas, é mais uma revolução industrial, mudando a forma e objetivo da fábrica em si até o que e como ela produz. No segundo, é a mudança na relação entre o sistema de produção e os objetos produzidos, que deixarão de ser apenas produtos -no sentido atual da palavra- para se tornarem fluxos de informação. Muitos fluxos, por sinal. Alguns deles com o que hoje costumamos chamar de fabricante.
Há quase dois séculos e meio, Smith sabia que não eram as tecnologias que tinham causado o maior impacto na primeira revolução industrial. Agora, já é possível imaginar que algo similar vai acontecer, mas numa outra dimensão. Se a primeira revolução industrial criou a fábrica, a quarta vai acabar com ela. Pelo menos no sentido literal de “estabelecimento onde se transforma matérias primas em produtos”, porque o fabricante terá que fazer muito mais do que isso e, como consequência, seu comportamento, agentes, concorrência e modelos de negócio vão mudar. Radicalmente.
Imagine um cenário (simples, em relação ao potencial das interações entre coisas e seus provedores) em que uma “fábrica” constrói, de forma integrada e a partir de múltiplos componentes e interações com sua rede de produção, um objeto qualquer. Ao despachar tal objeto para sua rede distribuição e comercialização, a “fábrica” haverá de manter um relacionamento permanente com o objeto de sua produção e certamente poderá, entre muitas outras ações, ligar e desligar a “coisa”, como parte de sua garantia e, por sinal, para o bem de seus usuários. Por outro lado, entre os dados que a tal coisa enviará à fábrica, haverá medidas de temperatura, por exemplo, em vários de seus pontos.
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Se o sistema de informação que “cuida” dessa coisa, lá no que se costumava chamar de fábrica, descobre que uma ou mais destas medidas (em conjunto com outros parâmetros) estão muito acima do normal (em relação a um grande conjunto de outras coisas do mesmo tipo) e que, quando tal ocorreu no passado, criou-se uma situação de risco (como um incêndio), o que ele -o sistema- deveria fazer? Entre as várias ações possíveis, a mais óbvia é desligar o produto. Se isso acontecer, recorrentemente, com uma porcentagem significativa de tais coisas… alarmes sistêmicos certamente darão conta de que há algo errado não com uma ou outra “coisa”, mas com toda aquela linha de produtos que, antes que algum acidente mais grave aconteça, deveria ser retirada do mercado. Nem que seja apenas para uma revisão.
Nós vimos isso acontecer com algum produto intensivo em eletrônica (há algum que não é, ou não deveria ser?) recentemente. De airbags a smartphones, entre muitos outros. Se já estivéssemos lá na internet das coisas, airbags -e seus sensores e atuadores, online- não funcionariam fora de suas especificações. Nem smartphones entrariam em combustão (não necessariamente espontânea). Porque, na internet das coisas, os produtos são integrados à produção, intensivos em serviços, e nunca saem, de verdade, da fábrica. Pelo menos é essa a tese.
Como engenheiro, pense: o que haveria de mudar, desde o projeto e produção (incluindo testes) de um objeto qualquer, até o fim de seu ciclo de vida e obrigatória reciclagem, para que a fábrica onde você trabalha pudesse ser competitiva num ambiente de internet das coisas, desde a produção integrada a toda a cadeia de valor até o produto integrado, para sempre, à fábrica? Não é apenas a mudança nos princípios e patamares tecnológicos de sua produção que vai lhe trazer para esse novo cenário, é muito mais uma mudança de modelo de negócio do que era uma fábrica e passará a ser uma rede que (produz, mas, principalmente) entende de e atende a produtos intensivos em serviços.
Por trás de produtos intensivos em serviços, em função dos fluxos de informação criados pelos e para os produtos, há grandes volumes de dados. Dependendo do produto e serviço associados, dados de alguma complexidade, e em tempo real. Ou quase. Dados de uma variedade, volume e velocidade que nenhuma fábrica viu antes, até porque esse não era, nunca foi, problema dela. A fábrica, agora e no futuro, interagindo com o cliente e usuário final, que tem seu serviço -e garantia- online. Pense em muitos milhões de produtos no mercado, cada um fazendo algumas medidas por minuto e querendo “falar” com você sobre elas. Dez mil valores por produto por dia não seria nada de anormal. Para cada milhão de produtos no mercado, dez bilhões de valores a tratar. Por dia.
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Haverá, nesse cenário, dois tipos de fábricas. O primeiro são os fabricantes puros, que usarão a internet das coisas apenas dentro das fábricas, pois que terão clientes (quem compra seu produto) mas não usuários (quem usa o produto, quem o tem e manipula no dia a dia). Estes competirão por preço, sobre qualidade e quantidade. Ninguém, no mundo real, saberá quem são. Por isso que serão, aliás, commodities, como as teles de hoje em dia.
Os segundos serão os provedores de serviço: talvez até fabriquem suas próprias lavadoras de roupa, mas isso não será fundamental. Seus produtos farão parte de uma rede que envolve desde fornecedores de partes e peças para sua montagem, quem os montou, fornecedores de insumos para que a roupa seja lavada, fabricantes das roupas, a distribuidora de energia… e, para cada “coisa”, uma grande variedade de possíveis contextos, com um sem número de agentes.
O problema, aqui, não será de engenharia de software ou de informação, o que é certamente complexo mas não complicado e muito menos impossível. O grande problema serão as mudanças de modelo de negócios. Quem descobrir para que, como, onde, quando e a que custo e preço criar valor, para o usuário final, em função de todos estes potenciais fluxos de dados, estará no futuro da internet das coisas. Parte dos outros será apenas fabricante. E todo o resto deixará de existir. Assim como na primeira revolução industrial. Como, aliás, não poderia deixar de ser, porque a Lei de Smith é universal. Só que aqui, agora, a Lei poderia ser reescrita assim: “o impacto mais significativo da internet das coisas será a transformação de produtos em serviços e sua consequência mais visível será o fim das fábricas”.
Se sua fábrica não tem, ou não está trabalhando em, uma proposta de valor para a transformação de seus produtos em serviços e se você ainda tem algum tempo de carreira, trate de mudar de emprego. Enquanto é tempo. Tipo ontem. E leve em conta que as fábricas, na e da internet das coisas, vão precisar de muito mais engenheiros. De software. Aprenda a programar. E boa sorte.
ESCRITO POR  • 11/11/2016

Europe wants to produce biofuels from sewage

Produce fuel from our sewage?
This seemingly crazy idea can come true. In southern Spain, a technology that uses microalgae is being tested, allowing biofuels to be made from wastewater - wastewater treatment that is very expensive to municipalities. It is a promising sector, but still complex and costly. Called All-Gas (pronounced "algae"), the project, launched in 2011, has just completed its first algae harvest, from the pilot unit located in the purification station of the seaside resort of Chiclana de la Frontera, near Of Cádiz. The plant, which for the time being extends over 200 square meters, aims to treat in 2016 phytoplankton grown on ten hectares and supply 200 cars and 20 trucks to biogas. The responsible for this € 12 million project, which is 60% funded by the European Union, is a consortium of six companies led by Spain's Aqualia, the world's number three water management company.

Industrial scale
"It's the first time in the world that it turns wastewater into biofuel into an industrial-scale, out-of-laboratory demonstrator," said Frank Rogalla, program coordinator and chief innovation officer at Aqualia. "We want to show that this technology is technically and economically viable." At the heart of this experiment is an old, updated water purification technique: the lagoon. In basins of 32 square meters of surface and 30 centimeters deep, microalgae develop naturally through photosynthesis, only revolved by wheels at dawn.
Almost all the ingredients required for efflorescence are present at the site: light, water and nutrients - the nitrogen and phosphorus found in pretreated wastewater. It remains to inject carbon dioxide (CO2), originating from the combustion of green waste. "Algae turns CO2 into oxygen, which allows the development of bacteria, which break down organic matter," says Frank Rogalla. "The whole of this natural ecosystem purifies the water."

High energy consumption
Once the paper is finished, microalgae, as well as part of the remaining organic matter, are harnessed energetically: collected and then placed in digesters, they produce a biogas composed essentially of methane. "I think we're going to fuel our first cars with biogas later this year," hopes Frank Rogalla. For now, with 6 kilos of algae per day, the crops are small. But those responsible for the project want to quickly install new basins. Over time, the planned production of 100 tonnes of algae per hectare per year should allow the annual production of 450 tonnes of methane on site and treat half of the wastewater in the city of Chiclana de la Frontera. This equation could solve the two main weaknesses of biofuels from algae: their energy balance and their cost. For two years now, algae has been promoted by the European Commission to replace agrofuels from rapeseed, soybeans, maize or palm trees, which have been neglected because of a not so favorable balance of carbon and competition with uncultivated land of food. In any case, algae-based fuels, which are not yet produced on an industrial scale, are criticized for their very high energy consumption. "There is still too much energy to be expended for the growth, harvesting and reuse of algae," says Olivier Bernard, a specialist in microalgae at the National Institute of Information and Automation Research (INIA).

Technique feasible until 2020
"In the All-Gas project, energy consumption is limited, because for now we only produce methane, not bioethanol or biodiesel, whose extraction is more complex," says Frank Rogalla. "In addition, the association of algae and bacteria in the lagoons allows a gain in energy compared to the procedures of the purification plants." In the latter, the so-called "activated sludge" purification mode requires an oxygen injection to allow the development Of bacteria, which consumes energy. Already the use of waste water lowers the cost of production of biofuels. "The treatment of the waters of the municipalities provides us with a source of income that amortizes the facilities," says Frank Rogalla. Thanks to this, he expects to sell methane at market price, that is, 40 cents per cubic meter. Another obstacle to be overcome is productivity. "The microalgae that develop naturally in these contaminated environments are not necessarily those that will give more biofuel," concludes Olivier Bernard. "There are still barriers to breaking down before we can produce large-scale fuels from algae. But the promising technique should be viable by 2020. "

Europa quer produzir biocombustíveis a partir do esgoto

Europa quer produzir biocombustíveis a partir do esgoto


Produzir combustível a partir do nosso esgoto?
Essa ideia aparentemente maluca pode se tornar realidade. No sul da Espanha, está sendo testada uma tecnologia que recorre a microalgas, permitindo fabricar biocombustíveis a partir de águas residuais -efluentes cujo tratamento custa muito caro aos municípios. É um setor promissor, mas ainda complexo e custoso. Batizado de All-Gas (pronuncia-se como “algas”), o projeto, lançado em 2011, acaba de realizar suas primeiras colheitas de algas, da unidade-piloto situada na estação de depuração da cidade balneária de Chiclana de la Frontera, perto de Cádis. A usina, que por enquanto se estende por 200 metros quadrados, tem por objetivo tratar em 2016 o fitoplâncton cultivado sobre dez hectares e abastecer 200 carros e 20 caminhões a biogás. O responsável por esse projeto de 12 milhões de euros, que é 60% financiado pela União Europeia, é um consórcio de seis empresas conduzido pela espanhola Aqualia, número três do mundo em gestão de águas.

Escala industrial

“É a primeira vez no mundo que se transforma água residual em biocombustível em um demonstrador em escala industrial, fora de laboratório”, comemora Frank Rogalla, coordenador do programa e diretor de inovação da Aqualia. “Queremos mostrar que essa tecnologia é viável do ponto de vista técnico e econômico.” No centro desse experimento está uma antiga técnica de depuração de águas, atualizada: a lagunagem. Em bacias de 32 metros quadrados de superfície e 30 centímetros de profundidade, microalgas se desenvolvem naturalmente através de fotossíntese, somente revolvidas por rodas ao amanhecer.
Quase todos os ingredientes necessários à eflorescência estão presentes no local: luz, água e nutrientes --o nitrogênio e o fósforo encontrados nos efluentes residuais prétratados. Resta injetar dióxido de carbono (CO2), originado da combustão de resíduos verdes. “As algas transformam o CO2 em oxigênio, o que permite o desenvolvimento de bactérias, as quais decompõem a matéria orgânica,” diz Frank Rogalla. “O conjunto desse ecossistema natural purifica a água.”

Consumo energético elevado

Uma vez cumprido seu papel depurador, as microalgas, bem como parte da matéria orgânica restante, são aproveitadas energeticamente: recolhidas e depois colocadas em digestores, elas produzem um biogás composto essencialmente de metano. “Creio que vamos abastecer nossos primeiros carros com biogás no final do ano”, espera Frank Rogalla. Por enquanto, com 6 quilos de algas por dia, as colheitas são pequenas. Mas os responsáveis pelo projeto pretendem instalar rapidamente novas bacias. Com o tempo, a produção intencionada de 100 toneladas de algas por hectare e por ano deverá permitir a produção anual de 450 toneladas de metano no local, além de tratar metade das águas residuais da cidade de Chiclana de la Frontera. Essa equação poderia resolver os dois principais pontos fracos dos biocombustíveis oriundos de algas: seu saldo energético e seu custo. De dois anos para cá as algas têm sido promovidas pela Comissão Europeia para substituir os agrocombustíveis originados da colza, da soja, do milho ou de palmeiras, menosprezados em razão de um saldo de carbono não tão favorável e da concorrência com as terras devolutas aos cultivos de alimentos. De qualquer forma, os combustíveis à base de algas, que ainda não são produzidos em escala industrial, são criticados em razão de seu consumo energético bastante elevado. “Ainda se gasta energia demais para o revolvimento, a colheita e o reuso das algas”, alerta Olivier Bernard, especialista em microalgas no Instituto Nacional de Pesquisa em Informática e Automação (Inria).

Técnica viável até 2020


“No projeto All-Gas, o consumo energético é limitado, pois por enquanto só produzimos metano, e não bioetanol ou biodiesel, cuja extração é mais complexa”, afirma Frank Rogalla. “Além disso, a associação de algas e bactérias nas lagoas permite um ganho em energia em relação aos procedimentos das estações de depuração.” Nestas últimas, o chamado modo de depuração “de lamas ativadas” necessita de uma injeção de oxigênio para permitir o desenvolvimento de bactérias, o que consome energia. Já a utilização de águas residuais abaixa o custo de produção dos biocombustíveis. “O tratamento das águas dos municípios nos proporciona uma fonte de renda que amortiza as instalações”, afirma Frank Rogalla. Graças a isso, ele espera vender metano a preço de mercado, ou seja, 40 centavos de euro o metro cúbico. Outro obstáculo a ser superado é a produtividade. “As microalgas que se desenvolvem naturalmente nesses ambientes contaminados não são necessariamente aquelas que darão mais biocombustível”, conclui Olivier Bernard. “Ainda há barreiras a romper antes de conseguirmos produzir em grande escala combustíveis originados de algas. Mas a técnica, promissora, deverá ser viável até 2020.” 

Audrey Garric 


Seat produz combustível a partir da água dos esgotos

Criar combustível automóvel a partir da água dos esgotos? Sim, já é possível, como alternativa ao gás natural comprimido. 

O projeto piloto Smart Green Gas já arrancou numa estação de tratamento de águas residuais em Jerez, Espanha. Este gás, uma fonte inesgotável, poderá ser utilizado em qualquer carro apto a funcionar a gás natural comprimido.
Por trás da ideia encontra-se a Seat e a Aqualia, uma empresa de tratamento de águas residuais, que terá ao seu serviço dois Seat Leon TGI que circularão com o novo combustível.
Segundo a Seat, uma depuradora de águas residuais de tamanho médio pode produzir mais de
1.000m3 de biogás por dia, quantidade suficiente para que 300 veículos possam fazer mais de
15.000 km por ano.
“Com este projeto de desenvolvimento e de colaboração com a Aqualia, a Seat torna-se a primeira marca do setor automóvel do país a utilizar biometano obtido a partir de águas residuais”, explica o vice-presidente para a Investigação e Desenvolvimento da Seat, Dr. Matthias Rabe.
A marca espanhola acredita que este gás poderá tornar-se numa alternativa ao gás natural comprimido.



Sludge and sewage will be used to produce electricity in Brazil

In order to solve a historical environmental problem, the São Paulo State Sewage Company (Sabesp) launched a notice this month to build an electric power generation station from the biogas that is naturally produced during the treatment process Of sewage sludge and with that eliminate the volume of sludge discarded in the landfill - 500 tons per day.

The contract will be made through a 30-year concession contract with the private initiative at the Sewer Treatment Station (ETE) in Barueri, the largest in Greater São Paulo. It treats more than 20 billion liters of sewage per month of 4.4 million people in the region, including part of the capital. Sabesp will supply the sludge and biogas generated in the ETE and the company will come with the technology to generate thermal and electric energy.

Biogas is a fuel generated in the process of biodigestion for the drying of the sludge that stays in the station after the sewage treatment and can become energy. However, today this energy potential is burned in the ETE itself and released into the atmosphere, while the dry sludge is transported to the Caieiras embankment, in Greater São Paulo, where it is decomposed.

In contrast to the disposal of sludge in the landfill used by the City of São Paulo, Sabesp treats all the slurry of the city's garbage decomposition. According to the company's metropolitan director, Paulo Massato, with the new business, the sludge can also be used by the partner to produce biogas, and any remaining waste can no longer be disposed of in the landfill, according to the National Solid Waste Plan , Sanctioned in 2010.

"The first concern is that we are depleting landfills. We have been looking for the best technology available in the world to use sludge and biogas to generate energy," Massato said.
The notice states that in the first five years of the concession, 5 megawatts of energy and 10 megawatts must be generated from the sixth year.

This energy is sufficient to supply the energy consumption of the ETE itself from 60% to 75%.
"This technology is well known and brings environmental and economic benefits. The decomposition of the sludge in the landfill emits greenhouse gases harmful to the environment," explains chemist Biagio Fernando Giannetti, a specialist in sustainability.


The information is from the newspaper O Estado de S. Paulo.