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Imposto menor, investimento maior


Pacote do governo acerta na direção das medidas. Mas falta enfrentar os entraves de longo prazo que inibem o crescimento da economia brasileira.

Por Denize BACOCCINA, Guilherme QUEIROZ e Carla JIMENEZ
 
Duas notícias no início de fevereiro acenderam a luz vermelha no quarto andar do Palácio do Planalto. No primeiro dia útil do mês, a balança comercial de janeiro apontava para um déficit de US$ 1,3 bilhão, o pior resultado para o mês desde 1973. Na mesma semana, o IBGE mostrou que a indústria brasileira havia produzido 1,5% menos do que no mês anterior. Um sinal de que o mercado consumidor continuava em expansão, mas estava sendo suprido por mercadorias importadas. A presidenta Dilma Rousseff chamou os ministros da Fazenda, Guido Mantega, e do Desenvolvimento, Fernando Pimentel, e deu a ordem: queria “para ontem” um plano para reduzir os custos de produção da indústria nacional e frear as importações, ao mesmo tempo que incentivava os investimentos para aumentar a capacidade de produção e estimulava a inovação. 
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Pacote "para ontem": ordem da presidenta Dilma é garantir condições para ter "uma indústria forte,
inovadora e competitiva".
 
O molde para um novo pacote já estava pronto. O plano Brasil Maior, lançado em agosto do ano passado, tinha desenhado as diretrizes para o setor produtivo e vinha testando algumas fórmulas, como a desoneração da folha de pagamento para quatro setores. Assim, depois de inúmeras reuniões, a equipe econômica chegou ao pacote de R$ 60,4 bilhões, anunciado na terça-feira 3, para uma plateia de quase 600 pessoas, entre políticos, sindicalistas e empresários. Mais de 20 medidas foram anunciadas, com o objetivo de beneficiar o setor exportador, privilegiar o conteúdo local e reduzir a carga tributária de 15 setores (leia quadros ao longo da reportagem). “Vamos mobilizar instrumentos de crédito, fazer desonerações e estimular as exportações, para que as empresas brasileiras invistam e ganhem competitividade”, disse a presidenta Dilma. 
 
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A fórmula trouxe um quê de déjà vu, que frustrou alguns especialistas, como foi o caso da criação de 19 Conselhos de Competitividade, uma cópia das câmaras setoriais dos anos 1990, ou ainda a extensão do desconto do IPI para alguns itens de linha branca, até junho. “É um bom pacote, mas parece mais do mesmo”, diz Lídia Goldenstein, especialista em política industrial. “Não traz a velocidade nem a profundidade de que precisamos atualmente.” Algumas medidas, porém, foram celebradas pelos empresários, como o anúncio da desoneração da folha. “O pacote diminui o peso de um dos principais componentes do custo Brasil, que são os tributos”, diz o presidente da Embraer, Frederico Curado, que passa a se beneficiar da substituição da cobrança da alíquota de 20% do INSS por um percentual que incidirá sobre o faturamento.  
Pela regra atual, o setor aeronáutico despende 2,83% da receita bruta para pagar o encargo trabalhista. Agora, passará a ter uma cobrança fixa de 1%. “É preciso entender que o copo está ficando mais cheio”, diz um otimista Curado. O empresário José Luiz Rossi, presidente da empresa de tecnologia CPM Bráxis Capgemini, já se beneficia da desoneração desde janeiro e admite que a redução da alíquota foi o impulso para dobrar de 300 para 600 o número de contratações de estagiários neste ano. “Pagar menos imposto permite que eu me torne mais competitivo e invista mais em capacitação de pessoal”, diz Rossi. O empresário pondera que a medida isoladamente não será suficiente para sanar todos os problemas do setor produtivo. “Mas é algo que está se tornando real, que veio depois de muito tempo de discussão, e isso é um começo.”
 
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Rossi, da CPM Bráxis Capgemini: "economia com a desoneração nos permitiu dobrar
a contratação de pessoal neste ano"
 
Juntos, os 15 setores eleitos pelo governo respondem por 30% dos empregos no País e por 20% da produção industrial – não por acaso, são os que apresentaram maiores quedas de produção nos últimos tempos. A medida ajuda a estancar a sangria momentânea, mas está longe de resolver problemas mais complicados, como a complexidade da cobrança tributária. O governo se defende argumentando que é uma mudança definitiva e que pode ser estendida a outros segmentos. “A desoneração é uma medida estrutural que veio para ficar e para melhorar a competitividade da indústria”, disse Nelson Barbosa, secretário-executivo do Ministério da Fazenda, lembrando que a desoneração é total no caso das exportações. Ao todo, os 15 setores vão pagar R$ 3,1 bilhões a menos de tributos, neste ano.  
A diferença será parcialmente compensada com o aumento, na mesma proporção, do PIS/Cofins para os produtos importados do mesmo setor, uma artimanha malvista, em tempos de surtos protecionistas. Mas há pontos relevantes que ganham atenção com o pacote. Uma das metas, por exemplo, é plantar a semente da inovação, carência ancestral da economia brasileira. “Não concebemos o nosso desenvolvimento sem uma indústria forte, inovadora e competitiva”, afirmou a presidenta Dilma. Para tanto, a ordem é garantir a redução de impostos e melhores condições de financiamento às empresas que invistam, especialmente, em pesquisa e desenvolvimento tecnológico. É o caso do setor automotivo, que terá de aderir a um novo regime, válido a partir de 2013. 
 
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Curado, da Embraer: "começamos a ver o copo mais cheio,
reduzindo o custo Brasil"
 
As montadoras terão de investir em inovação pelo menos 0,15% da receita bruta no ano que vem e aumentar esse percentual até 0,50% em 2017. “A maioria das empresas instaladas no Brasil, hoje, infelizmente, aplica menos do que isso em inovação stricto sensu”, disse o ministro Pimentel. A médio prazo, o objetivo é chegar a 1% do faturamento. A proposta é clara: é preciso capitalizar a posição de quarto maior mercado consumidor de automóveis e o de segundo maior produtor de caminhões. “Por que a ciência, a tecnologia e a inovação não vêm para cá? Vamos fazer com que venham”, disse Pimentel à DINHEIRO. A obrigação de investir em inovação também acompanha as vantagens concedidas ao setor de tecnologia de informação. As empresas vão pagar menos PIS/Cofins, mas terão que investir mais.  
Fabricantes de semicondutores e displays que estarão isentos de IPI, PIS e Cofins, terão de atrelar 5% da sua receita à inovação. A indústria automotiva deve ser, também, um dos indutores do aumento dos investimentos produtivos no País, uma obsessão do governo Dilma. O pacote estabelece as novas regras para o conteúdo local do setor. As montadoras terão de empregar na linha de montagem um percentual mínimo de peças produzidas na região – o percentual, que deve girar em torno de 55%, ainda será divulgado oficialmente e vai variar de acordo com a empresa. Quem não se alinhar, terá de pagar os 30 pontos percentuais de IPI adicionais, válido desde dezembro para os carros importados. Empresas que hoje importam e têm planos de se instalar no Brasil, como as chinesas Chery e JAC, a alemã BMW e a indiana de origem britânica Land Rover, terão uma regra de transição. 
 
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Elas continuarão pagando os 30 pontos adicionais de IPI, mas poderão reaver o imposto se cumprirem algumas exigências. Enquanto isso, terão cotas para importar veículos sem pagar o adicional de IPI. “Esse será um percentual pequeno do total que as empresas importam”, ressaltou Alessandro Teixeira, secretário-executivo do Mdic, prevendo que as cotas devem ser divulgadas nos próximos 90 dias. Para dar um pouco mais de fôlego ao investimento, o Tesouro repassou R$ 45 bilhões ao BNDES, que garante, assim, R$ 140 bilhões para emprestar às empresas. As taxas de juro do Programa de Sustentação do Investimento (PSI) também foram reduzidas, para facilitar a aquisição de máquinas e equipamentos.“São medidas para fortalecer a indústria brasileira e garantir que o nosso crescimento vai continuar firme neste e nos próximos anos”, disse o ministro da Fazenda, Guido Mantega.  
Embora positivo, o aumento do crédito ainda mantém um cobertor curto para as empresas no País. “Estão fazendo a coisa certa, mas muito devagar”, diz o consultor Valter Pieracciani, especializado em projetos de inovação. “Precisamos investir muito mais em inovação se a indústria nacional quiser realmente evoluir e competir lá fora.” A redução de tributos aparece, novamente, como uma alternativa para que isso aconteça. O presidente da Associação Brasileira de Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação (Brasscom), Antonio Carlos Rego Gil, calcula que a desoneração da folha deve representar uma economia de R$ 1 bilhão para as empresas do setor, que faturaram R$ 144 bilhões no ano passado. “São recursos que podem ser destinados à inovação”, diz Rego Gil. O setor, que já vinha pagando 2,5% desde dezembro do ano passado, teve a alíquota reduzida para 2%. 
 
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Rumo ao PIB de 4,5%: para o ministro Guido Mantega (à dir.), as medidas garantem o crescimento
firme da economia neste e nos próximos anos.
 
Usar essa margem para investir é a única alternativa das empresas brasileiras, avalia Erik Camarano, presidente do Movimento Brasil Competitivo (MBC). “Em outras épocas, uma medida desse tipo acabava sendo incorporada à margem de lucro das empresas”, diz Camarano. “Mas, agora, não há saída, pois a pressão é muito grande por redução de custos.” Ele lembra que muitas indústrias brasileiras são mais competitivas do que empresas de fora, mas que essa vantagem acaba sendo perdida, por exemplo, nos custos de logística, que pesam até o dobro no Brasil, se comparado aos dos países mais desenvolvidos. “As deficiências na infraestrutura já estão custando muito caro para o País”, afirma o presidente do MBC. A ausência de políticas específicas que tratem desses gargalos levou o presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, a fazer uma avaliação comedida do programa do governo.  
“As medidas são boas, mas insuficientes para atacar o problema da competitividade”, disse Skaf. “Não ouvi nada, por exemplo, sobre a redução do preço de energia.” Durante a reunião da presidenta Dilma com os 28 principais empresários do País no final de março, ela havia se comprometido a tratar do assunto quando os contratos de concessão de energia forem renovados. Mas os empresários têm pressa, e não é por acaso. Uma pesquisa da Fiesp revela que a indústria brasileira pretende investir R$ 105,3 bilhões neste ano em máquinas, equipamentos e instalações, um volume 11% menor do que foi investido no ano passado. Trata-se de um quadro indesejado tanto pelo setor privado quanto pelo governo, que mira o aumento de investimento para 24% do PIB até 2014. Reverter as expectativas do setor produtivo torna-se, portanto, um desafio primordial para a equipe econômica, que almeja alcançar o crescimento de 4,5% neste ano, previsão bem acima da média do mercado, de 3,2%, e mesmo do Banco Central, de 3,5%. 
 
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Para melhorar as expectativas, Mantega prometeu novas medidas que evitem a valorização do real, conforme a necessidade. A ofensiva do governo para tentar acelerar a atividade econômica incluiu também a redução de juros do Banco do Brasil, anunciada na quarta-feira 4, como havia sido determinada pela presidenta Dilma. Nesta semana, é a vez de a Caixa seguir a mesma toada, o que deve, em tese, incentivar a redução de juros em outros bancos. Se as medidas implementadas trarão o retorno esperado pelo governo ainda é uma incógnita. Mas o momento atual exige que o País olhe para a política industrial como uma preocupação permanente e não seja mais empurrada com a barriga. “O assunto precisa estar no radar do governo do mesmo modo que a inflação esteve até 1994, quando a economia foi estabilizada”, diz a economista Lídia Goldenstein.  
“Assim como levamos 30 anos para exterminar a inflação, com inúmeros pacotes no caminho, precisamos insistir até encontrar um ‘plano Real’ para o custo Brasil.” O anúncio do pacote da semana passada teve, num primeiro momento, o mérito de trazer de volta o otimismo, combustível para retomar projetos que estavam engavetados. O presidente da Associação Brasileira de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), Luiz Aubert Neto, por exemplo, já abrandou o discurso pessimista dos últimos anos.“O maior avanço é o governo reconhecer que há um problema de competitividade para a indústria brasileira”, diz Aubert Neto. De acordo com ele, o setor amargou uma queda de 2,2% na produção nos últimos 12 meses. Agora, além de entrar na lista das desonerações de folha, deve se beneficiar com a preferência nas compras governamentais. 
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Boato de vazamento derruba ações da OGX


Rumores não confirmados de que a petrolífera OGX teria deixado petróleo vazar no campo de produção de Waimea, no Rio de Janeiro, provocaram estragos no pregão.

Por Cláudio GRADILONE
Destaque no pregão
 
Rumores não confirmados de que a petrolífera OGX teria deixado petróleo vazar no campo de produção de Waimea, no Rio de Janeiro, provocaram estragos no pregão. As ações da OGX caíram 6,5% em dois dias. Na terça-feira 3, data do rumor, os papéis registraram a segunda maior negociação no ano, com um volume financeiro de R$ 540 milhões, apesar de a empresa desmentir qualquer problema, posição também adotada pela Agência Nacional do Petróleo (ANP). Eduardo Oliveira, da UM Investimentos, avalia que existem mais motivos para a queda no preço das ações. “Os investidores podem estar assustados com os impactos financeiros resultantes dos vazamentos da Chevron e da Petrobras e fizeram um paralelo com a empresa de Eike Batista, vendendo as ações”, diz Oliveira. 
 
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Palavra de analista:
“Duas corretoras começaram a vender grandes volumes na terça-feira”, diz Rafael Andrata, da Planner. 

Bancos

Banco do Brasil reduz os juros 
 
O Banco do Brasil começou a atacar o spread. O banco anunciou, na quarta-feira 4, que vai reduzir os juros e aumentar a oferta de crédito às pessoas físicas e às pequenas empresas. O banco vai elevar em R$ 26,8 bilhões os limites de crédito para empresas e em R$ 16,3 bilhões para pessoas físicas. “Esse movimento só é possível graças à nossa baixa inadimplência, e vai permitir que ampliemos o nosso volume de negócios”, diz Aldemir Bendine, presidente do BB. As ações caíram 5,9% no dia do anúncio. 
 
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Bendine: baixa inadimplência e mais crédito
 
 
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 Quem vem lá

IPO faz valor do BTG subir R$ 3 bi
 
A oferta pública inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) do BTG Pactual, de André Esteves, pode movimentar entre R$ 2,6 bilhões e R$ 4,1 bilhões. Com o IPO, o banco, que está avaliado entre R$ 23 bilhões e R$ 27 bilhões, pode aumentar esse valor em até R$ 3 bilhões. Serão oferecidos 90 milhões de units. O preço de lançamento varia entre R$ 28,75 e R$ 33,75 e o período para reserva de ações vai de 11 a 23 de abril.
 
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Fique de Olho: Os atuais acionistas terão o direito de preferência na compra de até 10% das ações vendidas na oferta inicial. Isso é equivalente a até 10,8 milhões de units, ou R$ 310,5 milhões, considerando o valor do piso da oferta.

Saúde

Nova fórmula na Dasa 
 
O executivo Marcelo Noll Barboza deixará a presidência do laboratório Dasa, após três anos e meio na posição. Ele será substituído interinamente por Romeu Côrtes Domingues, atual presidente do conselho de administração, por 180 dias. Em 2011, o lucro líquido da companhia foi de R$ 145 milhões, resultado 3,9% abaixo do registrado em 2010.  
 
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 Papéis avulsos

Tenda abala as estruturas da Gafisa e as ações desabam
 
O mercado financeiro não digeriu bem os resultados preliminares da construtora e incorporadora Gafisa, divulgados no domingo 10. Até a quarta-feira 4, as ações haviam caído 4,2%. A desvalorização se deve ao prejuízo de R$ 1,1 bilhão em 2011, comparado ao lucro de R$ 416 milhões do ano anterior. A causa do ajuste foram os acertos nas contas da construtora Tenda, comprada pela Gafisa em 2008. Revisão de custos, provisão para distratos e multa por atrasos geraram perdas de R$ 889,5 milhões, 69% das quais originadas na Tenda. 
 
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A Gafisa informou que quatro mil clientes da Tenda não obtiveram financiamentos imobiliários, o que levou ao cancelamento dos negócios e à necessidade de devolver-lhes o dinheiro. Só esse item causou um rombo de R$ 91,2 milhões. Eduardo Machado, analista da corretora mineira Amaril Franklin, avalia que a situação pode se complicar ainda mais quando da divulgação dos resultados definitivos, prevista para a segunda-feira 9. Para Machado, a incorporação da Tenda foi um erro. “Foi um péssimo negócio, pois a construtora sempre apresentou muita inadimplência e atrasos nas obras.” 
 
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Mercado em números

Brasil Foods 
R$ 1,4 bilhão - Foi o lucro líquido da BRFoods no ano passado. O montante é 70,1% superior ao resultado de 2010. 
 
Natura
R$ 830 milhões - Foi o lucro líquido da companhia de cosméticos e maquiagem no ano passado. Esse resultado é 11,7% maior que em 2010.
 
Aliansce
R$ 500 milhões - É o valor que a empresa de shoppings pretende arrecadar com a emissão de notas promissórias. A empresa pagará juros de 100% do CDI mais 1,40% ao ano. 
 
BR Malls
R$ 120 milhões - Foi o valor pago pela administradora de shoppings ,por 50% do Rio Anil Shopping, em São Luís, no Maranhão.
 
Vivo
R$ 120 milhões - Será o montante investido pela operadora espanhola para transformar as marcas Telefônica e Speedy em Vivo.

AES Eletropaulo
R$ 3,39 - É o valor por ação que será pago pela companhia de energia elétrica em forma de dividendo para os acionistas. O pagamento ocorrerá em 15 de maio.
 
Pelo mundo

Executivo do JP Morgan renuncia após multa 
 
O executivo Ian Hannam, presidente do conselho de administração da área de Equity Capital Markets do banco americano JP Morgan, pediu demissão do cargo na terça-feira 3 para lutar contra a multa de 450 mil libras imposta pela britânica Financial Services Authority (equivalente à CVM do Brasil), por uso de informações privilegiadas em 2008. No dia, as ações caíram 2%. 
 
Indústria americana eleva encomendas em fevereiro
 
As encomendas à indústria dos EUA cresceram 1,3% em fevereiro, na comparação com janeiro, para US$ 468,41 bilhões, informou o Departamento de Comércio do país, na terça-feira, 3. As encomendas de bens de capital, excluindo defesa e aviões, são um sinalizador importante dos investimentos, e cresceram 1,7% em fevereiro.
 
Molson compra a cervejaria Tcheca StarBev
 
A americana Molson anunciou na terça-feira 3, a aquisição da cervejaria StarBev, que atua no Leste Europeu, por US$ 3,52 bilhões. A StarBev tem 20 rótulos, e é representante naquela região das marcas Stella Artois e Leffe Lowenbrau. No dia do anúncio das negociações, as ações da Molson subiram 0,9%, para US$ 45,66. 
 
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Personagem

Santander busca eficiência
 
Depois de concluir a integração com o ABN Amro, a ordem no Santander é crescer. A questão é como fazer isso em um mercado consolidado, no qual quase todos os clientes são atendidos por mais de um banco. A estratégia, agora, será aumentar a intensidade  das relações com os clientes já existentes. Carlos Galán, vice-presidente financeiro do banco espanhol, conversou com a DINHEIRO:
 
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Carlos Galán, vice-presidente de finanças: avanço no mercado.
 
O Santander concluiu sua integração com o ABN Amro. Quais os novos passos da estratégia?
Ainda temos de melhorar nossos índices de eficiência, o que significa tanto reduzir custos quanto aumentar nossos lucros. As margens financeiras de 2011 estão melhores do que as do ano passado, mas ainda precisamos avançar nisso. 
 
Isso quer dizer acelerar no crédito?
Sim, mas com critério. Nossa meta é crescer com saúde, ou seja, crescer em linha com o comportamento do mercado, sem exagerar na alavancagem. Nossa estratégia com relação ao crédito tem sido um pouco mais cautelosa nos últimos anos, e isso permitiu que superássemos as crises sem sobressaltos.
 
Como melhorar o resultado, então?
Sabemos que a maioria de nossos clientes possui outros relacionamentos bancários. Isso é normal, dado o acentuado nível de concorrência no mercado. Por isso, lançamos um projeto que chamamos de “3.1”. O princípio é simples: em três anos queremos ser o primeiro banco dos nossos clientes. Para isso, estamos nos fortalecendo em áreas estratégicas.
 
Quais, por exemplo?
Uma delas é a adquirência, ou seja, o serviço de capturar e processar transações eletrônicas realizadas por meio de cartões de débito e crédito. Nossa empresa de adquirência, a GetNet, está estruturada para concorrer no mercado e ampliar as bases de clientes tanto pessoas físicas quanto empresas.

O golpe de mestre da UFC


Saiba como o lutador Vitor Belfort quer transformar a modalidade de artes marciais que mais cresce no mundo em um negócio bilionário no País.

Por Rosenildo Gomes FERREIRA e Marcio ORSOLINI
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Confira a entrevista com o editor-assistente de negócios da DINHEIRO, Rosenildo Gomes Ferreira
 
Em 2001, o carioca Vitor Belfort fez uma das maiores apostas de sua vida ao investir quase todas as suas economias na Nasdaq, a bolsa eletrônica na qual são negociados os papéis de empresas de tecnologia dos Estados Unidos. Sofreu um nocaute técnico quando a bolha da internet estourou, logo depois, e quase foi à lona no primeiro round de sua vida financeira. “Perdi muito dinheiro,” diz Belfort, sem revelar o montante. Lutador experiente, que conquistou aos 19 anos o primeiro título mundial do MMA (sigla de artes marciais mistas, em inglês), acostumado a aprender até com a derrota, Belfort lembra que o nocaute financeiro  lhe deixou algumas lições preciosas. 

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Vitor Belfort, o CEO da UFC: "Sempre administrei minha carreira
como se fosse uma empresa"
 
A principal delas foi a de jamais aplicar o dinheiro ganho em combates e nos contratos de patrocínio, cerca de US$ 5 milhões por ano, de acordo com estimativas do mercado, em setores nos quais não possua um mínimo de conhecimento. Hoje, aos 35 anos, com 23 títulos no currículo, ele começa a preparar o terreno para assumir a carreira empresarial em tempo integral. Com isso, terá fim a rotina de desferir socos, cabeçadas e chutes, até finalizar – golpe que imobiliza o oponente, forçando-o a desistir da luta – os adversários no octógono. “Sai o lutador e entra em cena o CEO da UFC”, afirma. O MMA atualmente é uma verdadeira máquina de fazer dinheiro. A Ultimate Fighting Championship (UFC), principal promotora desse tipo de evento no mundo, possui um valor de mercado estimado em US$ 1 bilhão.  
Atingiu esse patamar graças à grande penetração da modalidade, cujas lutas são transmitidas para um bilhão de residências em todo o planeta. Foi isso que despertou o apetite de potências do mundo dos negócios, como a fabricante de motocicletas Harley-Davidson, a emissora Fox e a Budweiser, a cerveja mais vendida nos EUA. No Brasil, a lista não é menos portentosa: a filial da Procter & Gamble (P&G), a operadora de tevê por assinatura Sky e a Rede Globo são algumas das que se associaram ao MMA. É com esse novo público que Belfort pretende ter um contato mais próximo daqui para a frente. Sua missão: transformar a modalidade no segundo esporte mais popular do Brasil, atrás apenas do futebol. Na cena global, o MMA já desponta como o terceiro esporte mais popular, perdendo para o futebol e a para a Fórmula 1. 
No Brasil, a cada semana ele ganha a adesão de um contingente cada vez maior de fãs.  Isso pode ser medido pelo crescimento do número de praticantes de MMA e de academias que estão oferecendo a modalidade nas principais cidades do País. Hoje, existem 300 atletas profissionais. Boa parte desse fenômeno se deve ao campeão mundial dos pesos médios Anderson Silva, considerado “o rosto do MMA”. Até 2010, ele era um desconhecido do público brasileiro. Mas a partir de fevereiro 2011, quando venceu o próprio Belfort, aplicando-lhe um chute certeiro no rosto em uma luta memorável,  em Las Vegas, sua popularidade cresceu estratosfericamente. Hoje, ele é um popstar do quilate de um Neymar, o camisa 11 do Santos e da Seleção Brasileira.  
Sua participação  em programas de tevê é disputada a tapas, pois a simples presença do atleta mexe com os índices de audiência – para cima, é claro. Sua carreira é administrada pela agência  9ine, de Ronaldo Fenômeno, a mesma que cuida da vida profissional de Neymar. O rol de patrocinadores mudou também de patamar. Transformado num dos queridinhos dos anunciantes, Silva é o único atleta da categoria patrocinado pela americana Nike. Nos últimos meses, ele dividiu seu tempo entre treinos, lutas no octógono e uma série de comerciais para tevê. Como garoto-propaganda, estrelou comerciais para empresas do naipe da Ford, Burger King, Honda Motos e Budweiser, que renderam 413 inserções na tevê em 2011 e 97 no primeiro trimestre de 2012, de acordo com o boletim Controle da Concorrência, publicado pela consultoria paulistana FW Comunicação e Marketing. 
 
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 Se Silva é uma espécie de Pelé para o MMA, Belfort será o cartola encarregado de aumentar o número de adeptos e aficionados pelo esporte. Sua transição de lutador para homem de negócios começou a ser planejada em 2010, quando se mudou para Las Vegas com a mulher, Joana Prado, e os três filhos. A cidade abriga a sede da UFC. Nesse período, Belfort intensificou a leitura de livros sobre negócios e passou a acompanhar palestras do bilionário americano Warren Buffett, dono da Berkshire Hathaway. No Brasil, seu principal guru é o empresário Eike Batista. “Para crescer e aumentar minha influência na categoria, tinha de estar perto do centro de decisões,” diz Belfort. A opção se mostrou acertada. O todo-poderoso Dana White, CEO e sócio da UFC, viu nele o executivo ideal para ajudá-lo a abrir caminho no Brasil e o encarregou de atuar como o porta-voz da UFC por aqui.  
“O Vitor sempre foi um grande embaixador do esporte”, afirma White. “Não poderia pensar em ninguém melhor para trabalhar conosco.” (leia entrevista ao final da reportagem) Foi Belfort, por exemplo, quem fez a ponte entre a  Sky e a UFC. “White e seus sócios estimulam as pessoas a gerar negócios e estão sempre dispostos a ouvir sugestões”, diz Belfort. O contrato final para a transmissão das lutas foi negociado pela IMX, controlada por Batista e promotora oficial das lutas da UFC no País. Para se relacionar com as empresas e gerenciar a carreira de atletas, Belfort criou a Vitabel, cujo destaque no portfólio é o lutador César Mutante, e a Kyvida Marketing Esportivo. O crescimento no número de negócios que gravitam em torno da UFC é fruto direto do trabalho desenvolvido por White, ex-empresário de lutas de boxe, e pelos irmãos Frank e Lorenzo Fertitta, herdeiros de cassinos em Las Vegas.  
Em 2001, eles pagaram US$ 2 milhões para assumir o controle da UFC, criada pelo brasileiro Rorion Gracie, em 1993, mas que se encontrava em decadência por ser identificado como sinônimo de vale-tudo. Hoje, essa imagem vem perdendo força, graças à adoção de um manual com regras rígidas de conduta para os lutadores. Com isso, a UFC ganhou musculatura. As lutas, que começaram nos EUA, no Canadá e no Japão, chegaram ao Brasil em 2011. Até junho, White espera levar o espetáculo para a Suécia e Índia. O rápido avanço do esporte atraiu a atenção de investidores de peso, especialmente no Brasil. A Rede Globo é uma das que estão apostando alto no MMA. No fim de 2011, a  emissora pagou R$ 18 milhões para tirar a atração da Rede TV!, que lançara a UFC no País.  
O acordo prevê a transmissão de seis lutas neste ano, sendo três delas realizadas no Brasil. Além disso, a Globo está exibindo o reality show The Ultimate Fighter – Em Busca de Campeões, mais conhecido pela sigla TUF. São duas equipes de lutadores treinadas por Belfort e por seu velho adversário Wanderlei Silva. Desde sua estreia, no domingo 25 de março, o programa semanal manteve a média de 11 pontos no Ibope. De acordo com a direção da Globo, esse número representa um incremento de 10% para o horário. O vencedor receberá como prêmio um contrato com a UFC no valor estimado de R$ 100 mil. A final acontece em 23 de junho, durante o UFC 147, no estádio Engenhão, no Rio. Uma das atrações da noite será a revanche entre Belfort e Wanderlei. Na última vez que eles se enfrentaram, em 1998, Belfort  levou a melhor. 
 
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O evento é visto como um importante passo para a consolidação da modalidade no Brasil. Isso porque pela primeira vez uma luta  será realizada em um estádio de futebol, com público estimado em quase 50 mil pessoas. Até agora, os combates vinham sendo realizados em arenas montadas em casas de espetáculo. A mudança é proporcional ao avanço do MMA, tanto no aspecto esportivo quanto de geração de negócios. Uma boa medida está nas vendas de cerca de 500 produtos licenciados com a marca UFC, que atingiram US$ 140 milhões, em 2011, no Brasil. “Trata-se de um recorde na América Latina”, diz Marcus Macedo, CEO da Exim Licensing, que representa a UFC na região e possui licenças de personagens dos estúdios DreamWorks, como o ogro Shrek. “Até então, nenhuma marca ou personagem havia atingido esse volume de recursos em um tempo tão curto”, afirma Macedo.  
Agora, ele está trabalhando na comercialização de licenças da marca TUF, usada no reality show. “Serão roupas e acessórios mais populares, que serão vendidos até mesmo em supermercados.” Vincular o nome ao UFC vem se mostrando uma boa estratégia para empresas dos mais variados segmentos e tamanhos. É o caso da P&G. Para alavancar o desempenho do desodorante Gillette no Brasil, a empresa decidiu patrocinar o TUF. Desde janeiro, as vendas deram um salto de 30%. O êxito da estratégia fez com que a P&G procurasse a direção da UFC, nos EUA, para firmar um novo contrato, fechado em março, para fazer promoções nos pontos de venda do Brasil, criar embalagens especiais e distribuir brindes, como camisas da UFC. “Estamos destinando 10% de nossa verba de marketing para a modalidade”, afirma Fernando Souza, gerente de marketing da Gillette, sem revelar os valores.  
Outra que está colhendo frutos com o esporte é a Sky. O Combate, seu canal de lutas, encerrou março com 202,2 mil assinantes, um salto de 54% em relação ao mesmo pe-ríodo de 2011, de acordo com Marcelo Miranda, diretor de marketing da Sky. Até mesmo empresas de médio porte aderiram à febre das lutas de MMA. Uma delas é a Forcefield, fundada em 2005 pela empresária paulistana Nathalie Mikellides, fabricante de protetores bucais. No início de fevereiro, ela foi procurada pela Rede Globo para fornecer o equipamento aos integrantes do reality show TUF. “Nossas vendas crescem 20% ao mês”, diz Nathalie. “Muitas pessoas pedem moldes semelhantes aos dos lutadores do programa.” Outro empreendedor que está aproveitando a popularidade do MMA no País é Artur Regen, sócio e diretor-executivo da Marc4. 
 
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Impulso: para acelerar a performance do desodorante Gillette, Souza,
diretor da P&G, associou o produto ao MMA. Resultado: em três meses
as vendas cresceram 30%.
 
Regen fabrica 310 itens com a marca UFC, entre roupas e acessórios (luvas e sacos de treinamento, por exemplo), presentes em dois mil pontos de venda no País. Agora, a Marc4 está investindo R$ 1 milhão em novas linhas. Quem também viu nesse filão uma boa chance de ganhos foi o empresário paulistano Ruy Drever. Praticante de muay thay, ele abriu a primeira loja-conceito do País dedicada exclusivamente à venda de produtos com a grife UFC e que inclui até mesmo um octógono para treinamento dos 12 atletas patrocinados pela Pretorian. O negócio ocupa um prédio de quatro andares na rua Oscar Freire, uma das maiores concentrações de grifes de luxo por metro quadrado de São Paulo. Algumas dessas empresas também integram a lista de patrocinadores de Belfort, que, apesar de ser um veterano do octógono, ainda é uma referência na modalidade.  
O Banco BMG, um tradicional investidor no futebol, está com ele desde 2007.  “O retorno dos times de futebol é de cinco vezes, em média, em relação ao valor do investimento em marketing”, diz  Márcio Alaôr, vice-presidente do BMG. “Com Belfort, essa taxa é de nove vezes.” A relação de apoiadores de Belfort inclui ainda a Sky, a Gillette, e a Rvca, fabricante de material esportivo. Além disso, ele é sócio da Bony Açaí, criada pelo empresário paraense Bony Monteiro. Os produtos são fabricados pela Arbor Brasil, cuja marca mais conhecida é a cerveja Therezopolis. Monteiro é um dos sócios da Arbor. A distribuição do Bony Açaí, em versões lata e caixinha, começou a ser feita no fim de 2011, no Rio.  
A meta é estendê-la aos demais Estados até o fim do ano. No mercado internacional, o Bony Açaí já está nas gôndolas de supermercados dos EUA, da Arábia Saudita, da Coreia do Sul e da Austrália. “Queremos que o açaí seja reconhecido mundialmente como um energético natural”, diz Monteiro. A ambição de Belfort é construir uma trajetória no mundo dos negócios semelhante à sua atuação no octógono. Para ajudar nessa tarefa, ele assinou contrato com a paulista XYZ, da área de promoções de eventos. “Entre os lutadores brasileiros, sou o mais preparado para assumir o papel de CEO porque sempre administrei minha carreira como se fosse uma empresa”, finaliza Belfort. 
 
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“O MMA não é um esporte violento”
 
Dana White, o CEO da Ultimate Fighting Championship (UFC), diz que o Brasil se tornou o maior mercado da modalidade fora dos Estados Unidos. Acompanhe os principais trechos da entrevista concedida à DINHEIRO:
 
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O MMA é acusado de ser um esporte violento. Como o sr. reage a esse tipo de crítica?
Essa imagem está ultrapassada. O MMA é um esporte técnico, com lutadores disciplinados, treinados e totalmente preparados para o octógono. O MMA e o boxe são os únicos esportes regulamentados pelo governo americano. Em 19 anos aconteceram mais de duas mil lutas e nunca tivemos uma lesão séria na UFC. Nenhum gestor de outro grande esporte de contato pode dizer o mesmo. Até em 
eventos de cheerleading (exibição de chefes de torcidas) acontecem acidentes graves. 
 
Qual é o potencial de negócios que podem ser gerados pela modalidade no Brasil?
Não costumo abrir os números envolvidos nesse negócio, porque somos uma empresa de capital fechado. Mas é inegável que o MMA é um grande sucesso no Brasil. O País está roubando do Canadá a condição de segundo maior mercado do mundial da categoria. Nunca vi torcidas tão animadas como as dos eventos realizados no Brasil. 
 
Quanto a temporada 2012 da UFC deve movimentar, em termos de audiência de tevê, por exemplo?
Já somos os maiores provedores do sistema pay per view no mundo. No ano passado, vendemos 200 mil pacotes de lutas, a um custo médio de US$ 251. 
 
O que, na sua opinião, explica o sucesso mundial da UFC?
A luta é uma atividade universal. Está no DNA das pessoas. Além disso, quando alguém vai a um evento fica hipnotizado e se torna um fã, pois se trata do mais excitante esporte do mundo. Eu penso que o MMA é o melhor esporte para se assistir ao vivo. 
 
O MMA está presente em diversos países. O sr. pensa em levar as lutas para a Europa, por exemplo?
Sim. Hoje a programação já está disponível, via tevê, em mais de 150 países, em 22 línguas. Estamos deslanchando na Índia e acabamos de assinar com a Fox um acordo para transmitir as lutas para a Ásia. Até o fim de abril, teremos uma luta na Suécia. A procura foi tamanha que os ingressos se esgotaram em apenas três horas. Nossos próximos alvos são a Noruega e a Dinamarca. Também estamos de olho nos países do Leste Europeu. 
 
O sr. virá ao País, em junho, para assistir ao UFC 147?  
Claro, eu nunca perco uma luta. Sem dúvida, será o maior evento esportivo do ano. Não só de MMA, mas de todas as modalidades. Todos querem assistir à luta de Anderson Silva contra Chael Sonnen, sem contar a revanche entre Vitor e Wanderlei Silva.Será uma ocasião especial e os olhos do mundo estarão voltados para o Brasil.