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A Era da Incerteza

Os fatores que levaram o país à autossuficiência em petróleo, como segurança jurídica, estabilidade regulatória e respeito às regras de mercado, não são mais nítidos, diz Adriano Pires. Com o advento do pré-sal, voltam os privilégios à estatal, perde espaço a ANP e interrompe-se o ciclo virtuoso que fora estabelecido – isto em um momento em que, nos US, o shale gas reduz preços e multiplica volumes e produtores.


A história recente da indústria do petróleo brasileira pode ser dividida em três eras. A primeira foi a era da Petrossauro, onde a Petrobras exerceu o monopólio da União em toda a cadeia do petróleo e gás natural, com a exceção da distribuição dos derivados, durante quase 45 anos.
A segunda foi a era da abertura, que permitiu a União contratar com empresas estatais e privadas a realização das atividades antes exercidas unicamente pela Petrobras.
O sucesso dessa nova era deu-se por conta de três pilares básicos: segurança jurídica, estabilidade regulatória, e respeito às regras de mercado. A segurança jurídica foi estabelecida pela própria lei, que estabeleceu igualdade de condições entre a Petrobras e as demais empresas que desejassem participar do mercado brasileiro de exploração de petróleo e gás. A estabilidade regulatória passou a ser garantida pela ANP, que foi constituída como uma agência reguladora autônoma e independente, capaz de organizar o mercado e garantir a concorrência. O respeito às regras de mercado se deu pela desregulamentação dos preços dos combustíveis, que teve como objetivo estabelecer um sinal correto do ponto de vista de preço final e, consequentemente, de remuneração dos investimentos das empresas participantes desse mercado. Isso possibilitou que o Brasil alcançasse a longamente almejada autossuficiência na produção de petróleo.
Com o anúncio da descoberta do pré-sal inicia-se a era da incerteza, caracterizada pelo convívio do regime jurídico da concessão com o da partilha de produção e por uma maior intervenção do Estado.
O modelo da partilha surge sob a alegação de que a elevada rentabilidade projetada pelos campos do pré-sal exigiria um novo marco regulatório, que garantisse a apropriação dos recursos pelo “povo brasileiro”. O novo arranjo institucional estabeleceu o modelo de partilha e trouxe consigo vários retrocessos, que passaram a criar inúmeras incertezas. O primeiro ponto diz respeito à quebra da estabilidade regulatória, por conta da substituição do modelo. Em segundo lugar, o novo modelo de partilha retoma o monopólio da Petrobras na operação dos campos e dá um mínimo de 30% para a estatal nos futuros leilões do pré-sal, retirando a igualdade de condições de todas as empresas nas futuras licitações. Desde 2008 não se realizam leilões de blocos de petróleo, o que de certo modo mostra a perda de autonomia da ANP e a política de conteúdo local tornou-se mandatória. Diante desses fatos, a incerteza maior é se haverá continuidade do ciclo virtuoso que o setor de petróleo viveu no Brasil durante a vigência exclusiva do modelo jurídico da concessão. Tudo leva a crer que não.
Enquanto o Brasil abandonou o seu ciclo virtuoso, no continente norte americano inicia-se um que significa uma mudança na geopolítica e de paradigma da indústria do petróleo e gás natural. Com as recentes descobertas de petróleo e gás natural não convencionais no Canadá e nos Estados Unidos, esses países voltaram a ser grandes produtores de energia, com preços bastante competitivos. O crescimento da produção de shale gás está fazendo com que o preço do gás no mercado americano seja hoje de U$2 milhão/BTU, o que significa 4 vezes mais barato do que no Brasil. Isso tem provocado a conversão de térmicas a carvão para gás, tarifas altamente competitivas para a indústria e até viabilizado o chamado gás liquido(GTL) para substituir o diesel.
No Brasil, a Petrobras afirma que falta gás para a geração térmica e a tarifa do setor industrial é das mais elevadas do mundo. No Canadá o petróleo não convencional (sand oil) fez com que o país, segundo a Agência Internacional de Energia, se transformasse na segunda maior reserva de petróleo do mundo(185 bilhões de barris), depois da Arábia Saudita. Hoje o Canadá já produz 1,5 milhões de barris/dia de petróleo não convencional. Calcula-se que em 2012 serão investidos 380 bilhões de dólares no segmento de exploração e produção de petróleo e gás natural no Canadá e Estados Unidos. Todo esse investimento feito por empresas privadas.
Enquanto isso o setor de petróleo e gás natural no Brasil fica prisioneiro do tripé ideologia, política e populismo.
(*) Adriano Pires é diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE)
Fonte: Sindcomb Notícias, junho/12

Rio de Janeiro terá investimentos de R$ 211,5 bi para 2012-2014

O Rio de Janeiro terá investimentos públicos e privados recordes para o triênio 2012-2014, com destaque para os setores de logística e transporte. A nova edição do estudo Decisão Rio mostra que o estado receberá R$ 211,5 bilhões no período, valor 67,5% maior do que o previsto para 2010-2012. A Petrobras lidera os investimentos por setor, com R$ 107,7 bilhões (50,9%).
Do valor total, R$ 40,5 bilhões irão para o setor industrial, sendo que R$ 6,1 bilhões (15,1%) irão para o setor petroquímico, R$ 10,1 bilhões (24,8%) para siderurgia e R$ 15,4 bilhões (38%) para construção naval.
O presidente da Firjan, Eduardo Eugenio Gouvêa Vieira, antecipou durante o II Balanço da Indústria Naval e Offshore, realizado em 23/04/12, que do valor total previsto para a construção naval, R$ 6 bilhões irão para os novos estaleiros.
"O estado terá até 2014 o maior número de instalações portuárias do Brasil. Esse será um grande e importante diferencial do Rio de Janeiro", comentou Cristiano Prado, gerente de Competitividade Industrial e investimentos da Firjan.
O setor de infraestrutura terá investimentos de R$ 51 bilhões, sendo R$ 14,8 bilhões para energia (28,9%).
"O estudo apresenta um volume recorde de investimentos que vão muito além do setor de petróleo e gás e dos megaeventos esportivos", afirma Gouvêa Vieira.
A apresentação do documento aconteceu em 05/06/12, na sede da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan). Nele constam 234 empreendimentos previstos para o período 2012-2014, sendo 61,5% deles já em andamento, ou seja, com obras já iniciadas e licenças ambientais adquiridas.
Ainda segundo o documento, o volume dos investimentos estrangeiros na indústria de transformação mais do que triplicou: de R$ 5,8 bilhões para R$ 17,8 bilhões. Além disso o número de empreendimentos dobrou de 14 para 28.
O Decisão Rio é um estudo, realizado desde 1995, sobre as intenções de investimentos no estado do Rio de Janeiro, junto aos investidores, para um período prospectivo de três anos.
O seu objetivo é mostrar as tendências de investimentos e apresentar oportunidades de negócios aos tomadores de decisão do setor público e da iniciativa privada, além de divulgar nacionalmente e internacionalmente as oportunidades existentes no Rio de Janeiro, atuando como instrumento de atração de novos investidores ao estado.

Rio investe R$ 500 milhões para se tornar referência na área energética
O governo do estado do Rio de Janeiro anunciou em 11/06/12 o programa “Rio Capital da Energia”, que tem como objetivo tornar o estado referência em eficiência energética, inovação tecnológica e economia verde. Inicialmente, o programa reúne 35 projetos com investimento de R$ 500 milhões até 2015. Alguns projetos começam a ser implementados durante a Rio+20, Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, que começou em 11/06/12 e vai até o dia 22.
De acordo com Júlio Bueno, secretário do Estado de Desenvolvimento Econômico e coordenador do programa, a carteira de projetos é dinâmica, e podem ser anunciadas novas iniciativas. Segundo ele, os primeiros projetos também vão ajudar a atrair novos investimentos. “A vantagem do programa é dar visibilidade aos projetos e permitir uma alavancagem, um crescimento, além de canalizar recursos”, completou.
O lançamento foi realizado no Palácio Guanabara após reunião a portas fechadas de autoridades do Estado com investidores. Participaram o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, o empresário Eike Batista, o presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Maurício Tolmasquim, entre outros.
Tolmasquim ressaltou a importância do programa para o Rio de Janeiro, que já é conhecido como a capital da energia por ser responsável por 80% da produção nacional de petróleo, e deve passar a ser também a capital da energia renovável. “O Rio acaba sendo uma síntese de Houston, capital do petróleo, e Copenhagen, capital do meio ambiente, pois reúne petróleo e energia limpa”, comparou.
A eficiência energética será explorada por meio de projetos que envolvem sistemas de iluminação, climatização de prédios públicos estaduais, como escolas, hospitais e delegacias. O programa englobará também a implantação de sistemas que utilizem energias alternativas. O Maracanã, o Centro de Tecnologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e a Biblioteca Pública do Estado receberão usinas fotovoltaicas, que utilizam painéis solares para gerar energia. Outro projeto que se destaca é a tecnologia diesel-GNV, que pode ser utilizada em ônibus e permite a redução de 20% nas emissões de gás carbônico e de 80% de material particulado.
Fonte: Brasil Econômico/Clipping CanalEnergia, junho/12

Caterpillar vai remanufaturar motores em SP


A Caterpillar, gigante americana do setor de bens de capital, vai instalar no Estado de São Paulo uma linha dedicada à remanufatura dos componentes de motores usados por máquinas e equipamentos. O projeto - apresentado como uma contribuição ao desenvolvimento sustentável - será divulgado oficialmente durante evento da Rio+20.
Na ocasião será firmado o protocolo de intenções que marca o início dos trabalhos para implantação do novo processo industrial. A empresa diz não ter ainda definido o local onde a unidade será instalada, mas a tendência é que ela fique próxima ao complexo industrial da Caterpillar em Piracicaba, no interior paulista, onde também está a sede do grupo no Brasil.
Esta será a primeira operação de remanufatura da Caterpillar na América do Sul. A tecnologia, contudo, já é usada pela multinacional em operações do tipo em outros países.
O processo de remanufatura - relativamente comum na indústria de autopeças - consiste em desmontar, limpar, inspecionar, restaurar, adicionar peças novas e, por fim, realizar a nova montagem e testes dos componentes que estão no fim de sua vida útil. A redução de custo em relação a um produto novo é de aproximadamente 40%, estima a Caterpillar.
O grupo também não está divulgando os investimentos previstos no empreendimento. Mas, conforme as pessoas próximas ao projeto, trata-se de um montante pouco expressivo quando comparado ao programa de investimentos de R$ 350 milhões em curso no Brasil.
"Não são valores significativos. Primeiro, eles vão testar o mercado. Após isso, esse é um negócio que poderá vir a ter um peso importante", afirma Luciano Almeida, presidente da Investe SP, a agência de fomento aos investimentos em São Paulo.
Entre os projetos tocados no Brasil, a Caterpillar deu início em outubro às operações de sua fábrica de retroescavadeiras e carregadeiras em Campo Largo (PR). Recentemente, começou a produção de locomotivas em Sete Lagoas (MG) - por meio de seu braço ferroviário, a Progress Rail Services.
Paralelamente, trabalha na expansão de linhas em Piracicaba, que ganhou espaço com a transferência de parte da produção para o Paraná. Também em Piracicaba, a Caterpillar inaugurou em março uma linha de geradores para a indústria petroleira.
Em visita ao Brasil em fevereiro, o presidente global da empresa, Doug Oberhelman, mostrou otimismo sobre a demanda dos projetos de infraestrutura e afirmou que o grupo passaria a examinar a necessidade de novos investimentos para fazer frente ao consumo de bens de capital no país.
Por Eduardo Laguna/Valor Econômico

Um novo Ceará


Além de dez empresas recém-chegadas, outras 106 pleiteiam a oportunidade de implantar seus empreendimentos na 'terra do sol'

ÂNGELA CAVALCANTE

Segundo o governo do estado, dez novas indústrias estão instaladas e prestes a ser inauguradas no Ceará. [Uma delas, a Fita Elásticas Estrela S.A., foi inaugurada em 15 de maio]. Juntas, elas somam investimentos da ordem 534,25 milhões de reais e irão gerar 4 405 empregos diretos. Embora, por si só, tais números já sejam animadores para qualquer setor, isso é apenas a 'ponta do iceberg', pois representa uma ínfima parte do desenvolvimento que o segmento industrial proporcionará ao estado e aos cearenses nos próximos anos.
Além das dez empresas recém-chegadas, outras 106 pleiteiam a oportunidade de edificar suas plantas fabris na 'terra do sol'. Dentre elas, 32 já apresentaram propostas de protocolos de intenções, que aguardam a deliberação do Conselho Estadual de Desenvolvimento Industrial (Cedin), presidido pelo governador do estado, Cid Gomes. Os 32 empreendimentos somam aproximadamente 2,6 bilhões de reais. Se todas forem efetivamente implementadas, essas empresas terão impacto direto no mercado de trabalho local, com a criação de mais 5 130 empregos.
De acordo com o presidente do Conselho Estadual de Desenvolvimento Econômico do Ceará (Cede), Ivan Bezerra – industrial de tradição no estado no ramo têxtil que exerce também o cargo de 1º vice-presidente da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (FIEC) –, na pauta do Cedin, onde ele também tem assento, constam ainda nove aditivos a protocolos de intenções, que são modificações e melhorias nos protocolos originais, e mais 19 propostas de protocolos em execução. “No total, temos 28 empresas com propostas de resoluções para serem aprovadas. São empresas que já deram início à construção de suas fábricas, gerando 765 empregos, e que somam investimentos em torno de 54,3 milhões de reais”, estima Ivan Bezerra.
Os dados fornecidos pelo Cede indicam, segundo seu titular, a ocorrência de um inédito fenômeno vivenciado pelo Ceará: a migração em massa de parques fabris e grandes grupos empresariais do Sul do país para o semiárido nordestino, mais especificamente para o nosso estado. Esses empreendimentos estariam sendo atraídos por causa dos benefícios oferecidos pelo governo, incluindo os incentivos fiscais, somados a outras vantagens competitivas, como localização e infraestrutura portuária e logística, e a perspectiva promissora que se instalou por aqui com a chegada de empreendimentos estruturantes como refinaria, siderúrgica e termelétrica, além da transposição da bacia do Rio São Francisco e da Transnordestina, dentre outras promessas.
“Nós temos benefícios ótimos; temos a posição logística favorável na qual o Ceará se encontra. Além disso, temos um porto com navios constantemente indo para Europa e Estados Unidos, que gastam apenas seis a sete dias de viagem até o destino. Enquanto que do Sul do Brasil para a América ou a Europa são gastos de dez a 12 dias. Então, já temos uma economia de três a quatro dias em relação a estados da região Sul”, calcula o presidente do Cede.
Outro fator apontado por Ivan Bezerra para explicar a busca das indústrias pelo Ceará é o crescimento do poder de consumo da população nordestina. “De três anos para cá, a região se encontra em um momento no qual o poder aquisitivo está cada vez mais alto. Por isso a demanda é muito grande, ampliando a cadeia de fornecimento no Ceará. E as empresas estão vindo para atender a tal demanda.”
De acordo com o presidente do Cede, passou o tempo em que o Ceará e o Nordeste eram considerados ‘terras de perspectiva dura’. “Hoje, nós temos um novo Nordeste e um novo Ceará.” Não fosse isso, por que um grupo como a Vulcabras sairia de um estado tão próspero, como o Rio Grande do Sul, para se implantar totalmente no Ceará?, pergunta. Ele lembra que no momento a Vulcabras emprega 16 000 funcionários em nosso estado.
Fato semelhante ocorreu com a Grendene, que emprega aqui 22 000 funcionários e também deixou o Rio Grande do Sul. “Outra empresa de calçados – a Paquetá – se transferiu para o Ceará há oito anos e tem hoje quatro indústrias instaladas que empregam 4 500 pessoas. E olha que ela está dobrando para 9 000 o número de funcionários”, anuncia Ivan Bezerra, para quem estamos em outro Ceará: “No Ceará que tem o Porto do Pecém, que possui uma logística para o mundo todo muito fácil e barata. Nós temos dois portos muito bons, com custo muito pequeno. É outro Ceará e, consequentemente, outro Nordeste. Atualmente, o crescimento nordestino é maior do que o crescimento brasileiro”.
As experiências bem sucedidas de grandes empresas no estado também são atrativos irrefutáveis, na opinião do secretário. “O presidente do Grupo Marisol, Vicente Donini, por exemplo, se deu muito bem aqui e agora está trazendo uma fábrica de calçados do Rio Grande do Sul. Ele já avisou que logo trará boas novidades.”
Segundo Ivan Bezerra, quem já veio para o Ceará dá informações a outros empresários. “Tem industrial que garante que não quebrou porque veio para cá. Alguns dizem que os benefícios fiscais e o mercado deram condições de sobrevivência a suas empresas.” Essas experiências de uns para outros formam uma corrente que gera muitos frutos para o estado. “Sou também empresário e tenho empresas subsidiadas, que recebem benefícios do governo do estado. Então, sei o quanto a empresa pode se desenvolver em função desse subsídio”, atesta.
Vice-presidente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil (Abit) há 14 anos e há 30 anos no mercado nacional com a Têxtil Bezerra de Menezes (TBM), o presidente do Cede possui articulação nacional no setor industrial, transitando com natural facilidade nos negócios e na política do governo Cid Gomes. Isso lhe possibilita saber em primeira mão das intenções de empresas que planejam se transferir para o Ceará.
Empresários de Santa Catarina já confidenciaram a Ivan Bezerra que pretendem migrar para o Ceará, a fim de fugir dos impactos negativos causados pelas constantes cheias e pela falta de mão de obra. “Eles dizem que existe semana de passar três dias sem ter como os funcionários irem para a fábrica por causa das enchentes. Há empresário com empresas no Ceará e em Santa Catarina que pretende vir de vez para nosso estado porque a mão de obra é farta e a produtividade do cearense é muito maior”, confidencia. Com a vinda de boa parte do parque fabril catarinense para o Ceará, ele estima que nos próximos dois anos o estado poderá chegar à posição de segundo ou primeiro polo têxtil do Brasil.
Defensor dos incentivos fiscais, Ivan Bezerra planeja torná-los mais atraentes no Ceará em relação a outros estados nordestinos. “Já estou com um pleito para levar ao governador, mostrando o que os outros estados oferecem e o que nós estamos ofertando. Nós estamos aquém. Então, estou levando uma proposta de aumentarmos e nunca ficarmos abaixo dos demais”, adianta.
Para ele, ao conceder incentivos fiscais, o estado ganha de maneira indireta – o que compensa a redução na arrecadação de impostos. “Se a empresa não está aqui, não tem imposto. O estado não arrecada nada, não há emprego. Ora, se a empresa oferece empregos, já é muita coisa. E existe a arrecadação indireta. Uma empresa que emprega mil pessoas, propiciará cerca de 3 000 refeições por dia aos funcionários. Quanto circularia em dinheiro, gerando novos empregos e injetando recursos no mercado?
E quanto de imposto o estado estaria recebendo? E esses funcionários todos ganhando dinheiro, quanto gastariam? Dessa forma, o estado recebe indiretamente”, defende Ivan Bezerra.
Filho de Juazeiro do Norte, no Cariri, o empresário tem se empenhado pessoalmente em melhorar o perfil industrial daquela região. “Em Juazeiro, existia um distrito industrial nominal. Sem indústria. Porque não tinha sequer o acesso. Na gestão do Cid Gomes, nós asfaltamos e criamos acesso e hoje são aproximadamente 300 hectares, todos loteados, cedidos para indústrias de calçados, de alumínio, de móveis e de confecção. Ou seja, 100% já comprometidos. Já estamos pensando em aumentar essa área do Distrito Industrial (DI).”
Além da ampliação anunciada para o DI de Juazeiro, está nos planos do governo criar outros distritos industriais, além dos existentes em Maracanaú (três), Jaguaribe, Juazeiro do Norte e Sobral. O de Acopiara, em andamento, tem previstas 31 indústrias, que vão gerar em torno de 1 700 empregos diretos. Outros municípios cotados para ganhar distritos industriais, segundo o secretário, são Iguatu e Tauá. “Iguatu é uma região muito central e Tauá irá puxar a região dos Inhamuns para esse distrito, pois o município sozinho não avança. É preciso haver um aglomerado de localidades que se abasteça nele”,  justifica Ivan Bezerra. Além das ações locais e da articulação nacional para ampliar o parque fabril cearense, o estado prospecta internacionalmente. “Estamos vendo a possibilidade de trazer uma fábrica de automóveis coreana para cá.”

Política industrial

Base da política industrial do estado do Ceará, o Fundo de Desenvolvimento Industrial (FDI), criado em 1979, mantém um sistema de incentivos fiscais que, além de promover a atração de indústrias ao estado, estimula as empresas a se instalarem no interior cearense. Dentre os critérios para conceder benefícios, o FDI prevê que quanto mais longe a empresa se instalar da capital, Fortaleza, maior será a redução do Imposto de Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), que pode chegar a 75% do total do imposto a ser pago.
Também há outros requisitos como número de empregos gerados e o Produto Interno Bruto (PIB) do município onde a indústria irá se instalar. Quanto maior o número de postos de trabalho oferecidos pela empresa e quanto menor o PIB municipal da planta fabril maior será a isenção de impostos.

Balanço

No ano passado (2011), foram analisados pelo Cedin 255 pleitos referentes ao FDI. Dentre eles, foram aprovados 92 novos empreendimentos, com protocolos de intenções firmados, somando investimento da ordem de 3,99 bilhões de reais no Ceará, com perspectiva de geração de 9 629 empregos diretos, beneficiando 29 municípios cearenses.
Os projetos mais expressivos, considerando o volume de investimentos privados atraídos, concentram-se nos segmentos de geração de energia, produção de biocombustível, cimento e louças sanitárias, além de uma montadora de veículos. Entre 2007 e 2011, foram criados 13 723 empregos no Ceará por empresas atraídas pela política industrial do estado, que geraram um volume de investimentos estimados em 1,05 bilhão de reais.
 
ENTENDA MELHOR: 
O Conselho Estadual de Desenvolvimento Industrial (Cedin) é presidido pelo governador e tem como conselheiros os presidentes do Cede e da Adece, além dos secretários da Fazenda, de Planejamento e Gestão e Desenvolvimento Agrário.

Perfil da indústria cearense

Respondendo por 24,5% da economia do estado e com 73,9% das empresas concentradas na região metropolitana de Fortaleza, a indústria gera 334.000 empregos no Ceará e é responsável por 64,5% das suas exportações.  Os segmentos têxtil e vestuário, calçados, alimentos e bebidas, mais a construção civil, concentram 75% dos empregos gerados pela indústria cearense. Os cinco principais setores exportadores são calçados, couros, castanha de caju, ceras vegetais e fruticultura, que respondem por mais de 75% do total exportado.

Eu escolhi esperar...


Volkswagen de São Carlos lança nova área de usinagem


Com investimento de R$ 90 milhões, a fábrica da Volkswagen em São Carlos (SP) inaugurou nova área de usinagem para elevar a capacidade de produção de 3.300 para 3.800 motores por dia. Conta com o sistema de usinagem denominado MQL, que utiliza a mínima quantidade de lubrificante no processo, trazendo ganhos ambientais e de eficiência. A área será a responsável pela usinagem de blocos para a montagem dos motores da família EA-111, já produzidos na unidade.
Os centros terão sistema de alimentação de peças direcionado a uma mesa de transporte, o que resultará em ganho de produtividade. As lavadoras e máquinas de estanqueidade possuem o conceito de robô integrado à máquina, resultando em melhor limpeza das peças, montagem do selo e teste.
Com a conquista de sete milhões de motores produzidos desde o início de suas atividades, em outubro de 1996, a unidade de São Carlos se consolida como a terceira maior fábrica de motores do grupo, atrás de Salzgitter (Volkswagen), na Alemanha, e Györ (Audi), na Hungria.

Tetra Pak divulga novas embalagens para o mercado brasileiro


Tetra Recart
Na Fispal Tecnologia 2012 – Feira Internacional de Embalagens, Processos e Logística para as Indústrias de Alimentos e Bebidas,que acorre até 15 de junho, no Anhembi, a Tetra Pak divulgou que o projeto para produção das embalagens Tetra Recart em Ponta Grossa, no Paraná, deve ser concluído no segundo semestre de 2013. O investimento é de R$ 144 milhões. A meta da companhia é multiplicar por oito as vendas de embalagens para alimentos até 2020 no País. A Tetra Recart é indicada para embalar alimentos em pedaços, como grãos, frutas, pratos prontos e sopas.
Fernando Varella, diretor executivo de vendas de contas food da Tetra Pak, informou que há três grandes projetos na América Latina, que devem resultar em oito novos produtos nas gôndolas até o final deste ano, contribuindo para que 130 milhões de embalagens possam ser comercializadas em toda a região em 2012.
Lokka
Durante o evento, a empresa expõe uma nova opção de abertura para a embalagem Tetra Top de 100 ml, chamada Lokka. Conveniente para ocasiões de consumo imediato, estará disponível no mercado nacional em dezembro. Entre as outras novidades expostas, estão as tampas de rosca verdes, fabricadas com polietileno de alta densidade (PEAD) a partir de cana-de-açúcar. Segundo a companhia, já foram produzidos 800 milhões dessas tampas, e a intenção é de que todas as tampas de rosca da marca sejam à base de cana-de-açúcar.

Tetra Evero Aseptic Separable Top
Ainda durante a Fispal Tecnologia, também é apresentada a Tetra Evero Aseptic Separable Top, uma evolução da garrafa cartonada que apresenta perfuração, permitindo separá-la da parte superior de polietileno, facilitando o processo de reciclagem.