Brasil Econômico
Companhia pretende usar gás gerado pela decomposição do
lodo de estação de tratamento para abastecer veículos da sua frota Américo
Sampaio: experiência tem o apoio de fundação alemã que repassará tecnologia
para o Brasil
Uma experiência que deu bons resultados em
cidades europeias como Estocolmo, Lille e Berna começará a ser reproduzida pela
Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp).
Trata-se do aproveitamento do gás gerado pela
decomposição do lodo do esgoto da estação de tratamento de Franca, no interior
paulista, como combustível para automóveis e ônibus.
A importação dos equipamentos da Alemanha já
foi autorizada e a previsão é que os primeiros 49 carros da frota da empresa já
estejam rodando com o novo combustível em março.
"Estamos buscando parceria com a prefeitura de
Franca para testar o uso do biogás em pelo menos três ônibus da frota municipal",
adiantou Américo Sampaio, superintendente de inovação tecnológica da
Sabesp.
A rigor, ele informa, a tecnologia já foi comprovada na
Europa, e funciona muito bem.
"Agora é testar a eficiência da planta, o funcionamento dos
veículos e a logística do processo", afirma Sampaio.
Orçado em R$ 6 milhões, o projeto é desenvolvido em
parceria com o Instituto
Fraunhofer, de Stuttgart, que repassará R$ 5,1 milhões e as
instalações (uma estação compacta e automatizada do tamanho
deumcontêinermarítimo, capaz de produzir quase 2 mil metros cúbicos de gás por
dia). O restante R$ 900 mil será bancado
pela Sabesp, que fará a conexão do gás, a adaptação da estação, a análise e a
conversão.
Sem desperdício
A proposta da companhia é aproveitar o lodo ativado,
resultante do processo de tratamento de esgoto destinado à destruição de
poluentes orgânicos biodegradáveis.
O material resultante da reação produz o biogás, composto
de 70% de metano e de grande capacidade energética. Na maioria das estações de tratamento de
esgoto, esse gás é queimado e lançado na atmosfera.
"É um desperdício", considera Sampaio. Ele conta que existem algumas tentativas de
usar o biogás para produção de energia elétrica.
O Centro Nacional de Referência em Biomassa (Cenbio)
fez uma experiência desse tipo na estação de tratamento da Sabesp em Barueri
(SP) e a Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) testa o
aproveitamento do biogás na estaçãoArrudas de Belo Horizonte. No Paraná, a Sanepar produz eletricidade a
partir do esgoto em Foz do Iguaçu (PR) e vende para a empresa regional de
energia.
No caso da utilização do biogás como combustível é
necessário fazer o enriquecimento e purificação para a remoção de siloxanos,
que são substâncias que formam crostas que podem entupir pequenas tubulações do
equipamento e gás carbônico. O processo
de fabricação filtra o gás sulfídrico, responsável pelo odor que costuma exalar
das estações de tratamento e também é corrosivo. Esse gás é então comprimido em cilindros e já
passa para os veículos que precisam ser adaptados.
Segundo Sampaio, a estação de tratamento de Franca
é capaz de produzir 1.900 metros cúbicos de biometano por dia. Considerando que
cada metro cúbico equivale a umlitro de gasolina, seria possível abastecer 10%
da frota da Sabesp de cerca de 5 mil veículos.
"Essa produção inicial pode reduzir as emissões de dióxido de
carbono em até 16 toneladas por ano", calcula o superintendente.
Essa é a principal vantagem do uso do biogás e o motivo
pelo qual o Ministério do Meio Ambiente disponibilizou os fundos para
fornecimento da tecnologia. O projeto
será testado em Franca durante três anos e poderá se estender a outras estações
de tratamento."Umacoisa é produzir o biogás, a outra é disponibilizar para
a frota", diz Sampaio.
Ele acredita que, no futuro, como já acontece em outros
países, haverá carretas cheias de cilindros que levarão o combustível para os
pontos de consumo. "Se isso for
viável, será uma fonte renovável e limpa muito mais barata que a
gasolina", afirma.
Luis Abrahão







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