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Energias limpas são oportunidade de negócio com a Suíça



Encontro realizado na FIESC reuniu brasileiros e suíços. Foto: Filipe Scotti
Empresários interessados em ampliar seus negócios para a Suíça devem estar atentos aos segmentos mais promissores daquele país, que é considerado o mais competitivo do mundo, de acordo com o Fórum Econômico Mundial. Os setores mais aquecidos são os de maquinário, químico e farmacêutico, biotecnologia, equipamentos médicos e odontológicos, e energias limpas. As perspectivas foram apresentadas durante o Seminário Oportunidades de Negócios, Parcerias, Investimentos entre Santa Catarina e Suíça, realizado na FIESC, na quarta-feira (9).
"Entre as vantagens de internacionalizar os negócios na Suíça estão a oportunidade de participar de cadeias globais, conquistar novos mercados, faturar em moedas atualmente mais fortes e fortalecer a posição competitiva no mercado interno", salientou Bruno Aloi, gerente de Desenvolvimento de Negócios da Swiss Business Hub Brazil. Ele citou características que explicam a posição privilegiada da Suíça no ranking de competitividade. "O país é considerado o mais competitivo do mundo por várias razões: investimentos em inovação, sistema educacional, estabilidade política, tributos competitivos, infraestrutura, pouca burocracia e acesso ao mercado de trabalho", elencou, alertando ainda para a alta proteção de patentes, marcas e design de produtos registrados na Suíça.

O presidente da FIESC, Glauco José Côrte, destacou as principais características de Santa Catarina, Estado que mantém importantes parcerias com a Suíça. "Temos uma posição estratégica com acesso a países importantes do Mercosul. Somos a indústria mais diversificada e desconcentrada do Brasil, com mais de 50 mil estabelecimentos de acordo com a vocação de cada região", ressaltou. Ele falou sobre o desempenho da economia catarinense em 2017, destacando que a indústria registrou saldo positivo de 12,2 mil postos de trabalho. "Este ano geramos quase 24 mil postos de trabalho, atrás apenas de São Paulo. Estamos atentos às transformações tecnológicas, ao surgimento da chamada indústria 4.0 e à necessidade de conciliar investimentos fortes na educação dos nossos jovens e do trabalhador que está empregado", informou Côrte.
Urs Brönimman, cônsul geral da Suíça em São Paulo, falou sobre a importância do acordo firmado na semana passada (3 de maio) entre a Receita Federal e o governo da Suíça para evitar a dupla tributação e combater a evasão fiscal. "Esperamos que este novo acordo facilite as relações econômicas entre Suíça e Brasil", declarou.

O diretor da Swiss Business Hub Brazil, Philippe Praz, acredita que o acordo contribuirá para que as empresas brasileiras abram filiais no país europeu com regras seguras. "Agora, esperamos estabelecer logo um acordo de livre comércio com o Brasil, por meio do Mercosul. Sabemos do impasse com o setor agrícola, que é super protegido, mas queremos avançar", salientou.
Guilherme Bez Marques, da Agência Investe SC, destacou o modelo de parceria mantido entre a FIESC e o governo do Estado, único no Brasil. "A agência foi criada para atrair investimentos e incentivar novos negócios em Santa Catarina. O objetivo principal é a complementação da cadeia produtiva, atrair elos faltantes, para elevar a competitividade da nossa indústria", afirmou. Entre as empresas já atraídas pela Investe SC estão a Ala Calçados, Ekomposit, BMW e a Kromberg & Schubert.
A representante do escritório regional do Itamaraty em Florianópolis, Tania Malinski, afirmou que um dos principais compromissos da instituição é com a eficiência. "Temos preocupação com o longo prazo e com a legitimidade da nossa representação. O intercâmbio entre os países é constante, com relações cordiais e consolidadas. Nas reuniões com a Suíça, têm estado em destaque temas como ciências e tecnologia, educação, saúde, energia e meio-ambiente. O Itamaraty considera que há boas perspectivas para cooperação em nanotecnologia, tecnologia da informação e comunicação", afirmou.

Quem já investe
Em Santa Catarina - O gerente de relações institucionais do Floripa Airport, Simon Locher, apresentou o projeto do aeroporto de Florianópolis, que deve ser entregue até o final do primeiro semestre de 2019. Cerca de R$ 550 milhões serão investidos na obra do novo terminal e a meta é elevar 7% ao ano o tráfego aéreo na Capital. A Zurich tem concessão para operar o terminal pelos próximos 30 anos.
Na Suíça - Henrique Hass e Mário Verdi, proprietários da Inventsys, relataram a experiência de instalar a empresa na Suíça, destacando a pouca burocracia e a relação de confiança com os investidores. Trata-se de uma startup de Porto Alegre que criou uma plataforma voltada para o conceito smart cities. Ela permite o gerenciamento de patrimônio público das cidades. Rodando em qualquer tipo de smartphone, o aplicativo utiliza o recurso de geolocalização para permitir que os usuários do sistema possam registrar dados e imagens no inventário público, registrar problemas e informações, integrando a comunicação e departamentos de uma prefeitura. A empresa na Suíça foi viabilizada por investidores locais.
Balança comercial
Em 2017, Santa Catarina ampliou os embarques para a Suíça em 41%, registrando US$ 17,1 milhões em produtos como carnes de aves, motores e geradores elétricos e roupas de cama, mesa e banho. Já as importações registraram US$ 49,6 milhões, um crescimento de 26% em relação a 2016, destacando-se água mineral e gaseificada, glândulas e outros órgãos para uso opoterápico e tintas para impressão, de escrever e para desenhar.

Alta do petróleo beneficia Petrobras e o Brasil, dizem especialistas

A alta do preço do barril de petróleo no mercado internacional, hoje acima dos US$ 70, é bom para o país, para estados e municípios e também para a Petrobras, que fechou o primeiro trimestre do ano com um lucro líquido de R$ 6,9 bilhões, resultado 56% maior do que o de igual período do ano passado.
A avaliação é de especialistas ouvidos pela Agência Brasil. Eles creditam que, mantidas as tensões geopolíticas atuais, principalmente no Oriente Médio, e a posição da Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) de corte da produção, a tendência é de que o preço se sustente e até venha a aumentar mais ainda, fechando o ano com um preço médio de US$ 75 o barril.
Para o sócio-fundador e diretor do Centro Brasileiro de Infra-Estrutura (CBIE), Adriano Pires, o mundo vive hoje momentos de grande turbulência geopolítica: “primeiro foi essa tentativa de invasão da Síria pelos EUA, França e Reino Unido; ao mesmo tempo, tem a questão da Venezuela, um governo complicado, e a ameaça dos Estados Unidos de adotar sanções comerciais se as eleições naquele país não forem transparentes”.

Benefício à Petrobras
Conforme Pires, a atual elevação no preço do óleo no mercado internacional, em um primeiro momento, só traz benefícios ao país. “No caso do Brasil, essa alta também beneficia a Petrobras, que voltou a ser uma empresa petroleira. No governo passado, havia uma intervenção muito grande na empresa e acabava que ela tinha prejuízos com o petróleo caro, uma vez que não conseguia repassar para o preço dos combustíveis”, disse.
O especialista diz que a Petrobras não atuava de acordo com a lógica do mercado, de modo que tinha prejuízo com petróleo caro e lucrava somente com o petróleo barato, já que praticava preços rígidos. “Agora não, o governo, de forma correta, deu liberdade para que a empresa repasse para os preços dos derivados a alta do petróleo no mercado internacional, e isso está ajudando a companhia a se recuperar do estrago provocado pela política do governo anterior. O resultado do último trimestre, quando a empresa aumentou seu lucro em 56% em relação ao mesmo trimestre do ano anterior, comprova isso”, afirmou.
O ex-diretor da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) Hélder Queiroz também elogiou a decisão do governo de dar liberdade à Petrobras para praticar preços dos derivados tendo como parâmetro o mercado internacional.
“A política de preços da Petrobras alinhada com o mercado internacional é o que de melhor podia ter acontecido para o setor no país. É a política certa e a melhor opção. Nós não podemos repetir os erros do passado onde o governo usou a Petrobras como instrumento de subsídio. Isto não significa que não se possa discutir os impactos que os preços elevados provocam na economia”, disse à Agência Brasil.
Segundo Queiroz, preços mais altos são “evidentemente” muito bons. “Pelo lado empresarial porque a Petrobras passa a ter uma possibilidade de geração de caixa maior. Já do ponto de vista tributário há o aumento da arrecadação de royalties, que está atrelada ao petróleo e também ao dólar (que são dois elementos positivos). Isto faz com que a arrecadação aumente porque o real se desvalorizou um pouco e a arrecadação em reais vai ser maior se o preço do petróleo subir”.
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Benefício aos estados
Para Adriano Pires, diretor do CBIE, do ponto de vista dos estados e municípios, a alta também é benéfica, uma vez que petróleo caro aumenta a arrecadação dos royalties, “e royalties são sempre uma necessidade, uma vez que a maioria [dos estados], e principalmente o Rio de Janeiro, passa por grave crise fiscal, talvez a maior da história”.
Avaliação semelhante faz o professor do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Edmar Almeida, especialista em energia. Para ele, o Brasil, na atual conjuntura, se beneficia do preço elevado do petróleo e em particular o Rio de Janeiro, que está com sua economia deprimida e tem na indústria do petróleo um polo dinâmico de sua economia.
“De uma maneira geral, a indústria de petróleo do país, que passou por um período de crise muito severa, tem um grande potencial de crescimento e o preço do petróleo elevado acelera esse processo de retomada de crescimento, que aliás já estava ocorrendo com impacto positivo não só para o país, mas também para o Rio”.

Inflação do petróleo
O aumento nos custos vinculados ao petróleo foi lembrado como um problema do atual cenário pelo diretor do CBIE. Pires ressalta que a continuidade da elevação do preço do barril pode vir a ser prejudicial ao país na medida em que petróleo caro pode levar ao aumento da inflação no Brasil e em outros países. “E isso pode levar os governos a elevar os juros, o que pode retardar ou dificultar o crescimento econômico. Também pelo lado do consumidor, a alta pode vir a ser ruim, porque petróleo caro significa também gasolina cara”.
Ele ponderou, entretanto, que o Brasil leva a vantagem, neste caso, de ter o etanol como opção. “A maioria dos carros do país hoje já sai da fábrica flex e, neste caso, o consumidor pode sempre optar pelo etanol em detrimento da gasolina”.
O ex-diretor da ANP Hélder Queiroz de outro lado, pondera que a relação entre alta de gasolina e inflação não é tão direta.
“O governo tentava controlar os preços, o governo Dilma em particular, da Petrobras com medo de acelerar a inflação. Hoje a gente tem a menor inflação da história na economia brasileira em décadas e nos últimos anos nós praticamente dobramos os preços dos derivados. Isto prova que esta relação entre liberação de preços e inflação não necessariamente é uma realidade, a inflação é uma questão muito mais complicada”, afirmou Queiroz.
O professor Almeida, que também atribui a alta atual do preço do barril à instabilidade no Oriente Médio, lembra que o fenômeno vai incentivar o aumento da produção fora da Opep, o que pode reequilibrar a pressão sobre os preços.

Volatilidade de preços
Para o ex-diretor da ANP, também professor do Instituto de Economia da UFRJ, a alta recente só comprova que ninguém pode prever com certeza o comportamento dos preços do petróleo. “Há menos de um ano, as maiores empresas de petróleo, como a Shell e a British Petroleum, desenharam cenário com o título Lower Price Forever (preços baixos para sempre) e, no entanto, os preços estão subindo. E isto só comprova que os preços de petróleo dependem de variáveis em eterna mutação”.
Ele concorda, no entanto, com as avaliações de que a situação atual da alta do preço do barril tem um viés geopolítico mais uma vez. “E hoje está havendo mais um sobressalto que está afetando o preço das commodities, um produto que tem como característica histórica ser volátil e esgotável - daí estes saltos para cima e para baixo”.
O professor da UFRJ só vê vantagens para o país com a volta desta tendência de alta. “No caso específico nosso, o Brasil se tornou o país do petróleo. Hoje temos uma produção relevante e maior do que a de muitos países da Opep, além de uma exportação também relevante e que chega a mais de um milhão de barris por dia”.

Calibração dos impostos
Apesar de defender a nova política de preços em vigor, Queiroz ressalta que é preciso também levar em conta a questão relativa ao bolso do consumidor. “E esta é uma questão relevante: temos que discutir, por exemplo, a questão dos impostos. Porque se os preços continuarem em alta o governo pode conter os preços dos derivados via redução de impostos, uma vez que a carga tributária é muito elevado no país”.
Segundo Queiroz, há alguns impostos, como a Cide [Contribuições de Intervenção no Domínio Econômico], por exemplo, que já contam com mecanismos neste sentido. “Quando os preços sobem muito, o governo pode reduzir estes impostos até para poder manter uma certa estabilidade na arrecadação”.
Para o ex-diretor da ANP, esta “calibração” dos impostos seria muito bom até do ponto de vista tributário. “Seria saudável você pensar em calibrar via impostos evitando uma maior volatilidade dos preços. O governo, agora que os preços estão altos, poderia se reunir e através de decreto simples do Ministério da Fazenda reduzir impostos, o que traria um alívio para o bolso do consumidor”.
Publicado em 11/05/2018 - 17:11
Por Nielmar de Oliveira

#ModoloControlePotencia


Investimentos no Brasil devem somar R$901 bi entre 2017 e 2020, diz BNDES


O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Paulo Rabello de Castro, afirmou nesta quarta-feira que os investimentos no Brasil entre 2017 e 2020 vão totalizar cerca de 901 bilhões de reais.

Segundo ele, um estudo do banco mostrou ainda que o destaque deve ser o setor de óleo e gás, sobretudo via as áreas e projetos no pré-sal, com desembolsos de 285 bilhões de reais.
Ele previu ainda que o investimento pode fechar esse ano abaixo de 16 por cento do Produto Interno Bruto (PIB), ao lembrar que o orçamento apertado do governo federal tem afetado esse cenário.


Para atingir níveis mais altos e levar a taxa de investimento a cerca de 25 por cento do PIB a partir de 2022, o presidente do BNDES disse que o banco tem de emprestar 50 bilhões de reais a mais por ano.

China quer construir ferrovia atravessando o Brasil


Uma das maiores empresas ferroviárias do mundo, a CRCC (China Railway Construction Corporation) estuda liderar um consórcio para construir a Fiol (Ferrovia de Integração Oeste-Leste) e integrá-la ao porto de Ilhéus (BA). Hoje, a ferrovia tem um pequeno trecho em operação.

A intenção dos chineses é clara: escoar soja (segundo principal produto que eles compram no país, atrás do minério de ferro) do Centro-Oeste até o porto baiano Mas também há um interesse geopolítico. Eles querem criar alternativas ao canal do Panamá, obra bancada pelos EUA no século passado e que os asiáticos veem ainda hoje sob controle dos americanos.
Para criar essa alternativa, a Fiol terá cerca de 1.500 quilômetros e cruzará com a FNS (Ferrovia Norte-Sul).

Hoje, os grãos precisam seguir de caminhões até o porto de Santos (SP) ou ser transportados até um entroncamento da Ferrovia Norte-Sul rumo ao porto de Itaqui, no Maranhão. No entanto, existem dificuldades de passagem no trecho controlado pela mineradora Vale, único ponto de acesso até o porto do Nordeste.

O plano dos chineses inclui outro braço ferroviário, a partir da Ferrovia Norte-Sul, que seguirá de Campinorte (GO) até Lucas do Rio Verde (MT) e, de lá, até Porto Velho (RO). Essa linha continuará rumo ao Peru até um porto no oceano Pacífico.
O projeto foi apresentado pelo grupo chinês a representantes do governo brasileiro durante a viagem do presidente Michel Temer à China, no fim de agosto.

Desde então, o governo da Bahia já contratou a consultoria Accenture para desenvolver o projeto. Como a Fiol já é uma ferrovia prioritária da União, o governo baiano se comprometeu a transferir o projeto para o PPI (Programa de Parcerias de Investimentos) assim que estiver pronto. 

A expectativa é que isso ocorra até o início do próximo ano para que a ferrovia seja licitada ainda no governo Temer. Pelas conversas iniciais, os chineses teriam de entrar no leilão, embora tenham manifestado a intenção de realizar a obra por conta própria desde que o governo desse autorização.

O apetite dos chineses não termina aí. Três outros grupos também se apresentaram para formar um consórcio e construir os 934 quilômetros da Ferrogrão, entre Sinop (MT) e Miritituba (PA). O projeto está em consulta pública e deverá consumir cerca de R$ 12 bilhões.
Nas conversas, o governo chinês deixou claro para os brasileiros seu interesse em ter a segurança de fornecimento de energia e ali- mentos. Por isso, não mede esforços nem recursos para investir em infraestrutura.

De janeiro a outubro, os chineses compraram US$ 19 bilhões em soja do Brasil, origem de 59% de todo o grão importado pelos asiáticos. 
No mesmo período, o país importou US$ 5,5 bilhões em petróleo do Brasil. Outra explicação é que o projeto permitiria à China uma alternativa ao canal do Panamá, que, segundo eles, é “controlado” pelos EUA.

VENEZUELA
O apetite chinês pelo Brasil vem aumentando especialmente depois da crise na Venezuela De janeiro a outubro, o país recebeu US$ 10,8 bilhões do gigante asiático, como já mostrou a Folha. 
A maior parte desses recursos foi destinada a fusões e aquisições especialmente na área de energia e transporte.

Entre os exemplos, estão a compra de 45,36% da CPFL Energia pela State Grid Corp of China, por US$ 3,7 bilhões, e da hidrelétrica de São Simão, por US$ 2,26 bilhões, pela State Power Investment Corporation.
O interesse chinês também levou Pequim a fechar um acordo com o Brasil e criar, em maio, um fundo de investimento de US$ 20 bilhões destinado a financiar projetos de infraestrutura no país que sejam considerados relevantes para ambas as partes.

Fonte: Folha de S.Paulo 


ANP vê quadro de mudanças profundas no mercado de gás natural do país


O diretor-geral da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), Décio Oddone, afirmou nesta terça-feira que há um cenário de transformações profundas no mercado de gás natural brasileiro. Segundo ele, esse quadro se deve principalmente ao movimento de venda de ativos da Petrobras no setor, abrindo espaço para outros investidores.
“Pela primeira vez, depois de muito tempo, temos um cenário em que vemos transformações profundas no mercado de gás”, disse o diretor em seminário sobre perspectivas da indústria de gás natural no Rio de Janeiro, na sede da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), no Rio.

Segundo ele, o setor de gás natural viveu “sob o domínio da Petrobras” nas últimas duas décadas. Oddone afirmou que agora vê “discussões sobre outros atores investindo em transporte de gás natural no Brasil”.

O diretor-geral da ANP acrescentou que a perspectiva de chegada do gás natural dos campos do pré-sal para o território brasileiro no futuro vai dar uma “chacoalhada” no mercado, com o aumento da oferta. Ele constatou que o mercado de gás natural brasileiro ainda é relativamente pequeno, com um consumo da ordem de 100 milhões de metros cúbicos diários, nos períodos de acionamento termelétrico. Quando as térmicas não são ligadas, esse consumo cai para quase a metade.

A Petrobras deixará de ser o garantidor do suprimento de gás natural do Brasil, mas continuará sendo um agente importante no mercado de energia no país, afirmou o gerente executivo de gás natural da Petrobras, Rodrigo Costa.
Segundo ele, com a abertura do mercado de gás natural brasileiro, a partir da venda de ativos da Petrobras no setor, os demais investidores terão oportunidade de ofertar o energético na malha de gasodutos do país. “Vamos ter uma diversidade de consumidores e uma diversidade de ofertantes. Serão criados ‘hubs’ de negociação [de gás natural]”, disse.

Crise no Rio
O diretor de governança e conformidade da Petrobras, João Elek, afirmou em relação à crise institucional do Estado do Rio de Janeiro hoje, é importante passar por uma fase ruim para que seja alcançada uma melhoria no futuro.

“A crise pela qual o país passa e particularmente o Estado do Rio de Janeiro, é consequente de uma crise ética muito acentuada, e o compliance em grande parte atua nessa frente. [...] Acredito que a crise pela qual nós todos passamos seja muito desagradável, a imagem institucional do país está arranhada. Entretanto, às vezes é importante passar por uma fase ruim para, daí para a frente, partir para uma melhoria, uma vez que ocorre a conscientização”, disse Elek.

Segundo ele, nunca as instituições democráticas brasileiras foram tão desafiadas como tem acontecido recentemente. Ele acrescentou que pessoas tão prestigiadas nunca foram questionadas como hoje. No passado, destacou ele, essas pessoas seriam consideradas intocáveis.
Fonte: Valor


Após quase ir à falência, Usiminas reage e aposta na recuperação da economia

Quase três anos após passar por uma das piores crises de sua história, correndo o risco de ir à falência, a Usiminas dá sinais de reação. Em abril do próximo ano, a siderúrgica deve religar seu alto-forno na unidade de Ipatinga, no Vale do Aço, em Minas Gerais, voltando a operar a plena carga, com a aposta de que a economia brasileira poderá engrenar de vez. A companhia também aumentou a produção de minério para exportar para o mercado asiático.

Considerada um dos símbolos da indústria nacional, a Usiminas tenta se afastar de um passado recente marcado por uma forte turbulência financeira que abateu a empresa a partir de 2015 – quando o País também entrou em uma de suas maiores recessões e os preços internacionais do minério de ferro afundaram, comprometendo siderúrgicas de todo o mundo. Em meio a essa tempestade, a Usiminas protagonizou uma das maiores disputas societárias em curso no Brasil, arranhando ainda mais imagem do grupo. 

“O pior ficou para trás”, disse Sérgio Leite, presidente da Usiminas, ao Estado. A recuperação dos setores automotivo e de linha branca tem ajudado a puxar os resultados do grupo este ano. O executivo afirmou que a companhia voltou a fazer planos, vai antecipar o pagamento de amortização de parte de suas pesadas dívidas, que somam R$ 6,8 bilhões, e está otimista em relação a 2018. Mas ainda não há euforia. Segundo Leite, não há previsão de religar os altos-fornos da unidade de Cubatão (SP) antes de 2020.

Para religar o alto-forno de Ipatinga (que foi desligado em 2015), a companhia está investindo cerca de R$ 80 milhões em manutenção de equipamentos. Foram contratados nos últimos meses 500 trabalhadores, dos quais 400 temporários.
A Mineração Usiminas (Musa), que voltou a ativar duas unidades de tratamento de minério nos últimos meses, também admitiu 400 pessoas e faz planos para sair de uma produção de 2,4 milhões de toneladas este ano para 6 milhões de toneladas a partir do primeiro trimestre de 2018. “Boa parte vai para o mercado asiático”, afirmou Leite.

A contratação ainda é tímida perto do que o grupo já dispensou – entre 2014 e 2016 foram cortados mais de 4 mil funcionários, período mais agudo da crise da empresa.
Histórico da crise. A fase de “deterioração dos resultados” da empresa começou a partir do quarto trimestre de 2014 e se arrastou ao longo de 2015: a empresa registrou uma série de prejuízos consecutivos e a crise da empresa atingiu o pico quando o grupo passou a ter geração de caixa negativa, com o risco de entrar em recuperação judicial. Para piorar a situação da empresa, os dois principais acionistas do bloco de controle – o grupo ítalo-argentino Ternium/Techint e a japonesa Nippon – tornaram público um litígio que se arrasta até hoje. Procurados, não comentam.

Uma trégua entre os dois maiores acionistas e outro importante sócio, a CSN, de Benjamim Steinbruch, que também entrou na disputa, foi dada no primeiro semestre de 2016 quando os três se uniram para fazer um aporte de R$ 1 bilhão na companhia, que corria o risco de falir, lembrou Leite. Essa etapa foi batizada de fase de “sobrevivência”, onde vários ativos foram colocados à venda, como a Usiminas Mecânica (nenhum foi vendido). O movimento de “construção de resultados”, segundo Leite, começou a ser implementado este ano, após a companhia voltar ao azul. “Estamos na fase de reposicionamento da Usiminas.”

Para Otto Nogami, do Insper, o atual momento do País requer cautela e pode atingir as indústrias. “A aposta da Usiminas está calcada na recuperação da economia, que ainda não se consolidou. Qualquer passo em falso, pode colocar tudo a perder.”
Valorização. As ações da Usiminas na Bolsa tiveram forte valorização este ano, enquanto as de suas concorrentes – CSN, de Benjamin Steinbruch; e Gerdau, apresentaram desempenhos diferentes no mesmo período. Na sexta-feira, o valor de mercado da Usiminas atingiu R$ 12,38 bilhões, alta de 56% no acumulado do ano, de acordo com levantamento da Economática. A CSN, de Benjamin Steinbruch, está avaliada em R$ 10,08 bilhões, queda de 31,5% no mesmo período. Já a Gerdau vale R$ 17,955 bilhões na Bolsa, aumento de 7% neste ano. 

Para Pedro Galdi, analista de mercado da Magliano Corretora, a recuperação da Usiminas em relação às outras siderúrgicas reflete a área de atuação da companhia e a maior disciplina financeira da empresa nos últimos meses. Como produtora de aços planos, a Usiminas se beneficiou da recuperação do setor automotivo, um dos principais compradores desse tipo de matéria-prima. Já CSN e Gerdau produzem aços longos, utilizados pelos setores de construção civil, máquinas e equipamentos, que ainda não reagiram.
Relatório do BTG Pactual, divulgado no fim de novembro, reconhece a melhora operacional da Usiminas, mas ainda vê desafios para o grupo pela frente.
Fonte: Estadão