
O
diretor-geral da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis
(ANP), Décio Oddone, afirmou nesta terça-feira que há um cenário de
transformações profundas no mercado de gás natural brasileiro. Segundo ele,
esse quadro se deve principalmente ao movimento de venda de ativos da Petrobras
no setor, abrindo espaço para outros investidores.
“Pela primeira vez, depois de
muito tempo, temos um cenário em que vemos transformações profundas no mercado
de gás”, disse o diretor em seminário sobre perspectivas da indústria de gás
natural no Rio de Janeiro, na sede da Federação das Indústrias do Estado do Rio
de Janeiro (Firjan), no Rio.
Segundo ele, o setor de gás
natural viveu “sob o domínio da Petrobras” nas últimas duas décadas. Oddone
afirmou que agora vê “discussões sobre outros atores investindo em transporte
de gás natural no Brasil”.
O
diretor-geral da ANP acrescentou que a perspectiva de chegada do gás natural
dos campos do pré-sal para o território brasileiro no futuro vai dar uma
“chacoalhada” no mercado, com o aumento da oferta. Ele constatou que o mercado
de gás natural brasileiro ainda é relativamente pequeno, com um consumo da
ordem de 100 milhões de metros cúbicos diários, nos períodos de acionamento
termelétrico. Quando as térmicas não são ligadas, esse consumo cai para quase a
metade.
A
Petrobras deixará de ser o garantidor do suprimento de gás natural do Brasil,
mas continuará sendo um agente importante no mercado de energia no país,
afirmou o gerente executivo de gás natural da Petrobras, Rodrigo Costa.
Segundo ele, com a abertura do
mercado de gás natural brasileiro, a partir da venda de ativos da Petrobras no
setor, os demais investidores terão oportunidade de ofertar o energético na
malha de gasodutos do país. “Vamos ter uma diversidade de consumidores e uma
diversidade de ofertantes. Serão criados ‘hubs’ de negociação [de gás natural]”,
disse.
Crise
no Rio
O diretor de governança e
conformidade da Petrobras, João Elek, afirmou em relação à crise institucional
do Estado do Rio de Janeiro hoje, é importante passar por uma fase ruim para
que seja alcançada uma melhoria no futuro.
“A crise
pela qual o país passa e particularmente o Estado do Rio de Janeiro, é
consequente de uma crise ética muito acentuada, e o compliance em grande parte
atua nessa frente. [...] Acredito que a crise pela qual nós todos passamos seja
muito desagradável, a imagem institucional do país está arranhada. Entretanto,
às vezes é importante passar por uma fase ruim para, daí para a frente, partir
para uma melhoria, uma vez que ocorre a conscientização”, disse Elek.
Segundo
ele, nunca as instituições democráticas brasileiras foram tão desafiadas como
tem acontecido recentemente. Ele acrescentou que pessoas tão prestigiadas nunca
foram questionadas como hoje. No passado, destacou ele, essas pessoas seriam
consideradas intocáveis.
Fonte: Valor






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