Juros astronômicos inadimplência recorde

Com taxas de 238%, cartão de crédito vê falta de pagamento ir a 30% em maio.
Dados do Banco Central (BC) mostram que, em maio, a inadimplência nas operações com cartões de crédito - cujos juros chegam a 238% ao ano - alcançou 29,5%. É a maior de todas as linhas de crédito calculadas pela instituição.
Em segundo lugar, vêm operações com export notes, usadas por empresas: 20%, seguida por linhas de refinanciamento de saldo devedor de cheque especial e cartão de crédito (19,5% de inadimplência). Esse cenário ajudou a levar a inadimplência das famílias e empresas ao recorde de 6%.
Isso ocorreu num momento, em que o BC registrou que o volume de crédito no Brasil atingiu R$ 2,136 trilhões, em maio, mais 1,7% sobre o mês anterior e 18,3% em 12 meses. Segundo o BC, o montante equivale a 50,1% do PIB.
O chefe do Departamento Econômico do BC, Tulio Maciel, disse, porém, não ver risco no ritmo de crescimento do crédito no país. Segundo ele, os países desenvolvidos têm relação crédito/PIB acima de 70%. Neles, porém, os juros não são astronômicos como no Brasil.
Não por acaso, o consumidor está fugindo do cheque especial e do cartão de crédito. Enquanto a média diária das concessões do crédito pessoal, incluídas os consignados em folha, cresceu 4,8%, mês passado sobre abril, houve retração de 6,7% no cheque especial e de 13% no rotativo do cartão.
Para o consultor econômico da Confederação Nacional do Comércio (CNC), Carlos Thadeu de Freitas, a evolução do crédito no país não preocupa: "Não é o fim do modelo de crescimento alavancado pelo consumo. O aumento da inadimplência já era esperado, em função das vendas, que foram muito fortes. O crescimento da renda e as medidas do governo, sobretudo redução de juros, vão ajudar a estabilizá-la."
Para Freitas, se o país voltar a crescer a inadimplência até diminuirá: "Para tanto, é preciso aumentar o investimento. O excesso de aperto da política monetária e a crise na Europa prejudicaram, até aqui, a economia. E a inadimplência aumenta quando a economia encolhe", resume.

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