Setor
responde por até 40% do faturamento da empresa na área de Sistemas de
Construção
A entrada da
Basf, gigante do setor químico, na construção de torres eólicas começou no
início dos anos 2000 e em projetos offshore, mais exatamente fornecendo os
grautes – concretos com agregados finos e alta fluidez e baixa retração – para
a instalação de parques geradores offshore na Europa. Cinco anos depois, a
empresa tinha estabelecido sua penetração nesse tipo no Brasil, o que se
revelou um acerto. Com mais de 5 mil torres ativadas e um potencial gerador de
11 GW, os ventos pesam na matriz energética brasileira.
Fábio
Augusto Gallo, coordenador de Especificações da área de Sistemas para
Construção da Basf, destaca que, entre 30% e 40% do faturamento da divisão
brasileira dessa área, vem do fornecimento de produtos que literalmente
fortalecem a instalação de torres eólicas, sejam as totalmente fabricadas em
concreto ou parte delas – torres metálicas ancoradas em base de concreto.
Para cada
tipo de construção, a empresa têm dois grautes, mas as formulações em si são
praticamente personalizadas. Fatores como clima, altura da torre, tecnologia do
fabricante de aerogeradores estão entre os componentes que determinam a
especificação mais correta. Um exemplo são as construções no Nordeste, onde os
grautes precisam ter maior fluidez para se adequar às temperaturas mais altas.
“As especificações precisam ser adequadas para garantir que a vida útil de uma
torre alcance os 15 anos sem necessidade de manutenções não”, explica Gallo.
Infelizmente,
segundo ele, a Basf tem sido acionada para remediar a situação de algumas
torres, com uma manutenção antecipada em função da inadequação do graute. Na
avaliação do especialista, isso pode ter ocorrido pela combinação entre um
graute inadequado e pela aplicação em si. “O treinamento da mão de obra, que é
altamente especializada, tem sido uma de nossas metas”, complementa o
executivo. De acordo com ele, a Basf tem, mundialmente, 30 aplicadores
referenciados, sendo apenas um para a área de offshore. “É um processo rígido e
temos dois aplicadores no Brasil com a validação da Basf”, comenta.
Gallo lembra
que além dos aplicadores, que são empresas de engenharia altamente
especializadas, há um rol de companhias tecnicamente habilitadas que atuam no
mercado e que estão no alvo da empresa para serem “evangelizadas” tecnicamente.
Ele lembra que a fabricante alemã tem um departamento com grande conhecimento
do material e que esse know how tem sido compartilhado.
No caso das
torres totalmente em concreto, Gallo lembra que uma atenção especial acontece
na consolidação das juntas verticais e horizontais, além dos materiais usados
para as formas químicas em campo. O know how a empresa, inclusive, permite a
indicação de equipamentos de bombeamento mais corretos, o que reduz o risco de
se ativar uma torre cujo desempenho será comprometido.
Nas torres
metálicas, um problema crítico é a presença de fissuras, o que pode chegar, em
casos mais críticos, a inviabilizar a entrada de operação da instalação eólica.
Por
Nelson Valêncio






0 comentários:
Postar um comentário