A Cie.
Maritime Belge construiu a primeira embarcação comercial que navega à base de
hidrogênio e não polui, levando o mundo a dar mais um passo em direção ao
transporte de cargas sem emissões.
A embarcação de transporte de
passageiros Hydroville é capaz de operar com hidrogênio comprimido ou óleo
combustível comum, segundo a empresa belga. A embarcação foi certificada
recentemente para operar como navio marítimo pela Lloyd’s Register. A CMB expandirá
a tecnologia aos motores de navios de carga após os testes iniciais.
“O potencial do hidrogênio em
todo o mundo é enorme”, disse Alexander Saverys, CEO da CMB, que tem sede em
Antuérpia, em entrevista por telefone. “A explosão das energias renováveis
oferece uma oportunidade real de produção de hidrogênio barato.”
A poluição gerada pela
trilionária indústria do transporte marítimo ainda é pouco regulada. Segundo
estimativa, o setor produz 3 por cento das emissões globais, mas não foi
incluído no acordo climático de Paris de 2015. Os navios quase sempre queimam
óleo combustível pesado, uma das formas mais poluentes e baratas de energia.
No entanto, a supervisão às
emissões do transporte marítimo está prestes a mudar. A Organização Marítima
Internacional, uma agência das Nações Unidas, deverá impor a partir de 2020
novas regras rígidas que limitarão a quantidade de emissões de enxofre dos
navios. Existem também negociações a respeito da adição de um imposto ao
carbono.
Compromisso
internacional
“Há um compromisso muito forte
para descarbonizar o transporte marítimo por parte de países poderosos como
China, Japão e um grupo de nações europeias”, disse Tristan Smith, professor do
instituto de energia da University College London e ex-arquiteto naval. “O hidrogênio
é uma das formas mais econômicas de fazer isso. Está comprovado, funciona no
sistema de energia e sua combustão é fácil de realizar nos navios.”
Outros meios de transporte
pendem para as baterias, como os carros e caminhões elétricos, mas elas não são
uma opção para o transporte marítimo de cargas, que consome muita energia.
“Nem
com a maior bateria do mundo conseguiríamos navegar um dia inteiro”, disse Roy
Campe, gerente de pesquisa e desenvolvimento da CMB. “Nossas viagens geralmente
levam duas ou três semanas.”
A conversão de um navio para a
queima de hidrogênio é uma adaptação relativamente simples, segundo Campe. A
empresa investiu “menos de 10 milhões de dólares” para desenvolver a tecnologia
e estima que a conversão custaria cerca de US$ 20 milhões em uma embarcação de
carga pequena.
Embarcações
mais baratas
O objetivo de longo prazo da
CMB é fabricar um navio sem emissões e mais barato de operar do que as
embarcações comuns. Saverys estima que o custo do hidrogênio cairá à medida que
as energias renováveis se multiplicarem e acredita que isso permitiria reduzir
pela metade o custo do combustível de navio em cerca de uma década.
A CMB
atualmente recebe hidrogênio da indústria química, mas futuramente preferirá
conseguir o elemento por meio de eletrólise alimentada por energias renováveis.
Atualmente, a produção do elemento a partir de uma combinação de energias
renováveis e de rede na Alemanha custa cerca de 19 euros por milhão de unidades
térmicas britânicas, uma métrica usada para medir gás, estima a Bloomberg New
Energy Finance.
Fonte:
Bloomberg News






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