Chineses e russos são candidatos aos ativos de óleo e gás da Vale


A Vale ainda não definiu sua estratégia de venda dos ativos de petróleo e gás, e o mercado já dá como certa a participação de empresas chinesas e russas na disputa. As chinesas Sinopec e Sinochem e a anglo-russa TNK-BP já deram mostras de seu interesse ao se tornarem sócias da Repsol, Galp, Statoil e de HRT no Brasil. No momento, informa uma fonte, a Vale está aprofundando seu conhecimento sobre o resultado exploratório dos blocos que compõe seu portfólio antes de formalizar sua decisão de vender esses ativos.
Fontes do mercado a par dos planos da mineradora dizem que ainda não há clareza sobre como será conduzida a venda dessas participações. A empresa ainda estaria com dúvida sobre a melhor maneira de turbinar os ganhos e por isso não sabe se venderá todos os ativos reunidos na Vale Exploração e Produção de Gás Natural (ligada à diretoria de Energia), ou se serão oferecidos separadamente. Qualquer que seja o modelo, a decisão não surpreendeu o mercado, para quem a companhia estava diversificando demais seu foco de atuação.
Setor considera hora boa para venda, pois a ANP não faz nova oferta de áreas marítimas de petróleo há quatro anos
Certamente é um ajuste importante em relação ao que o Roger imaginava para ultrapassar a BHP-Billiton, que é maior do que a Vale por conta do óleo e gás, diz um observador, em referência ao ex-presidente da Vale, Roger Agnelli.
A mineradora não informa quanto custou até agora sua investida na área de exploração de gás, seu principal foco. Esse valor será levado em conta quando ela precificar as áreas durante o processo de oferta. Por ora, só é possível saber alguns valores passados, mencionados por Agnelli, durante entrevista na Petrobras em 2009. Ao anunciar a aquisição, pela Vale, de participação acionária em três blocos da estatal, Agnelli mencionou que o orçamento da Vale para explorar gás tinha sido de US$ 60 milhões em 2008, cifra que poderia chegar a US$ 260 milhões naquele ano (2009). A estratégia da empresa era a de produzir gás para consumo próprio e geração de energia termelétrica, reduzindo o custo do insumo e, consequentemente, seus custos. Pelos balanços da companhia não é possível saber se Agnelli teve sucesso em reduzir custos, já que eles não discriminam investimentos em óleo e gás, publicados na rubrica energia, que inclui investimentos em geração.
A Vale entrou no segmento de óleo e gás em 2007, na 9ª rodada, visando exploração de gás para consumo próprio em suas instalações industriais e para geração de energia elétrica. Chegou a ter participação acionária em 29 blocos exploratórios e hoje é concessionária de 18 áreas.
Em 2008, a companhia pagou R$ 15 milhões pela Petroleum Geoscience Technology (PGT), empresa brasileira que nasceu na incubadora da Coppe/UFRJ para análise e interpretação de dados de bacias petrolíferas e se tornou a semente da Vale Exploração. Posteriormente, adquiriu participações em áreas já em estágio avançado de exploração por outras petroleiras, como o BM-S-4, da italiana Eni Oil do Brasil na bacia de Santos, e fez um farm-in comprando 50%. Esse bloco foi adquirido na 1ª Rodada de Licitações da Agência Nacional do Petróleo (ANP), em 1999, parecia uma grande promessa para produção de gás mas ele foi devolvido à agência em maio de 2010.
O baixo resultado da estratégia da Vale no setor tem sido notado. Alguns avaliadores acreditam que a empresa se cercou de pessoas sem grande histórico no setor. A companhia informa cinco descobertas de gás nas bacias de Santos e Espírito Santo nas áreas onde é sócia, resultado da perfuração de 14 poços. Mas não é possível determinar reservas.
Nesse negócio, é sócia da Shell, Petrobras, BP, Ecopetrol e Woodside. Não é operadora de nenhum bloco. As últimas aquisições foram as participações acionárias de 12,5% no BM-S-48 e BM-S-55, operados pela RepsolSinopec. Enquanto o mercado menciona chances de o BM-S-55 estar prestes a ser devolvido, no BM-S-48 foram descobertos os reservatórios de Vampira e Panoramix, na bacia de Santos. Por isso, o valor dos ativos de óleo e gás que serão oferecidos ao mercado ainda depende de avaliação.
A guinada da Vale para fora do setor de óleo e gás pode ser explicada pela necessidade de fortalecer seu caixa para tocar investimentos pesados em projetos de mineração, prioridade da sua atuação. Somente o projeto Serra Sul, no sul do Pará, na província mineral de Carajás, que deverá ter licença prévia neste trimestre, é um investimento de US$ 8 bilhões para produzir 90 milhões de toneladas de minério de ferro a partir de 2016. Uma ampliação adicional de Carajás vai custar US$ 2,9 bilhões. A ampliação do projeto de carvão de Moatize, em Moçambique, vai exigir mais US$ 2 bilhões, conforme dados da companhia.
Para a Vale, o momento é bom para vender blocos de petróleo, considerando a escassez de novas áreas em oferta no país, após quatro anos sem oferta de áreas marítimas pela ANP. A mineradora deve competir por compradores com a Anadarko. A companhia independente americana já pôs à venda áreas com descobertas no pré e no pós-sal, como Wahoo, Itaúna e Itaipu, na bacia de Campos.
Fonte: Valor Econômico/Nicomex Notícias, janeiro/12
Vale reavalia estratégia na área de óleo e gás
Empresa decidiu não participar de leilões e pode vender ativos e se concentrar em mineração
Com a forte demanda por investimentos nos projetos de mineração nos próximos anos, a Vale decidiu não participar de novos leilões da Agência Nacional do Petróleo (ANP) e iniciou estudos para otimizar sua estratégia na área de óleo e gás. Segundo fontes, a partir desses estudos — ainda sem data de conclusão — a mineradora vai decidir se mantém, vende ou se associa a outras companhias que atuam no segmento. Hoje, a Vale tem participações em 18 blocos, nos quais tem como sócias Petrobras, Repsol, Shell, Ecopetrol e BP.
Desde que assumiu a presidência da Vale, em maio de 2011, Murilo Ferreira decidiu concentrar os esforços da companhia em minério de ferro, níquel, cobre, carvão e fertilizantes. Os projetos nessas áreas vão consumir mais de US$ 100 bilhões nos próximos cinco anos e, como os negócios de óleo e gás são muito intensivos em capital, a direção da companhia não incluiu a atividade petrolífera na lista de prioridades.
Caso a mineradora venha a se desfazer dos ativos de óleo e gás, será mais uma ruptura na estratégia traçada por seu ex-presidente Roger Agnelli. A entrada da Vale no setor tomou fôlego em 2007, quando a empresa criou um departamento de óleo e gás. Em seguida, estreou na 9 Rodada de Licitações da ANP e comprou, com autorização da agência, participações de companhias privadas em outras áreas na Bacia de Santos e Espírito Santo.
Para analista, empresa deve priorizar negócios rentáveis
Uma dessas aquisições envolveu uma fatia de 40% em cinco blocos exploratórios da Shell na Bacia de São Francisco (MG). O negócio foi anunciado em fevereiro de 2011 — antes da posse de Ferreira —, mas só em 14 de dezembro passado a empresa deu entrada na ANP com pedido de cessão de direitos. A agência ainda avalia a solicitação.
Em 2010, a Vale divulgou estudo da consultoria DeGolyer & MacNaughton com estimativas de suas reservas de óleo e gás. Foram certificadas reservas potenciais de 210 milhões de barris na época e potencial de produção de 58 mil barris por dia em 2017. O volume é irrisório diante da produção nacional, hoje de 2,5 milhões de barris diários.
Mas o que Agnelli queria não era ser um ator de destaque na indústria do petróleo e, sim, produzir gás natural para consumo próprio, com o objetivo de reduzir gastos com energia. A Vale é a maior consumidora individual de energia do país. Para analistas, a estratégia fazia sentido nos tempos de Agnelli, mas hoje o cenário mudou:
— Temos uma crise internacional e uma forte demanda por investimentos em mineração. Se a Vale sair do setor de óleo e gás, poderá se dedicar aos negócios mais rentáveis — diz Leonardo Zanfelício, da Concórdia.
Fonte: Danielle Nogueira e Ramona Ordoñez, O Globo/Nicomex Notícias, janeiro/12

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