A EcoRodovias venceu ontem o leilão da BR-101, em trecho que vai do Espírito Santo à Bahia, oferecendo um deságio sobre a tarifa-teto de 45,63%. O preço proposto pelo grupo conseguiu vencer outros sete concorrentes - como CCR e Odebrecht. Embora representantes do governo federal tenham comemorado o resultado, a companhia diz que terá 10,47% de remuneração sobre o investimento - número que vai na contramão do que é defendido pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).
O próprio diretor-geral da ANTT, Bernardo Figueiredo, disse em entrevista a jornalistas após o leilão que não concordava com taxas de remuneração de dois dígitos no setor, que estariam sendo praticadas em aditivos de contratos estaduais.
Nos últimos meses, a ANTT vem defendendo como taxa ideal para obras de infraestrutura números próximos a 8%. Essa, inclusive, era a previsão de retorno que a BR-101 teria, segundo os estudos do governo para o projeto de concessão da rodovia.
Os cálculos da ANTT, no entanto, foram feitos em 2009 e estariam deslocados da realidade atual da economia brasileira. É o que defende Marcelino Rafart de Seras, presidente da EcoRodovias. "Os estudos da ANTT estão defasados. Os nossos foram feitos por uma multinacional e temos uma estratégia clara e bem definida. O Espírito Santo tem tido um crescimento muito significativo nos últimos anos", disse ele em teleconferência com jornalistas.
Devem ser realizados pela concessionária (consórcio formado pela EcoRodovias, com 80%, e pela SBS, com 20%) investimentos da ordem de R$ 2,14 bilhões ao longo dos 25 anos da concessão, sendo aproximadamente R$ 1,34 bilhão em ampliações da rodovia e R$ 796 milhões em manutenção e melhorias (valores de 2009).
O volume de investimentos, combinado ao deságio, assustou investidores. O preço das ações da empresa caiu 5,55% no dia. Segundo Seras, o mercado ainda não avaliou bem os números. A princípio, o desembolso a ser feito pode desacelerar o crescimento de resultados do grupo, mas a entrada no projeto não deve prejudicar o apetite da EcoRodovias para a disputa pelos aeroportos, segundo Seras. Se analisado o resultado do terceiro trimestre de 2011, é possível observar que a relação entre dívida líquida e Ebitda é de apenas 1,0 ao final do período. A empresa tem 2,5 como teto - o que ainda dá fôlego aos futuros projetos.
Segundo Seras, a companhia sonda projetos que somam R$ 3 bilhões em investimentos nos próximos dois anos. Dentre essas oportunidades, além do leilão de aeroportos, estão duas rodovias vistas com atenção pelo grupo.
Uma delas é a Rodovia dos Tamoios (SP 99), que deve passar em breve por concessão pelo governo do Estado de São Paulo. Outra é a BR-470, em Santa Catarina. Sobre os leilões que integram a terceira etapa do programa federal de concessões (trechos das BR-040 e BR-116), Seras diz ter interesse somente nesta última. "Na BR-040, vamos [apenas] acompanhar", disse ele, praticamente descartando o interesse da empresa na rodovia.
O governo espera fazer até julho os leilões das BR-040 e BR-116, que compõem a fase 1 da terceira etapa de concessões de rodovias federais. Segundo Figueiredo, da ANTT, a expectativa é publicar os editais em abril e realizar os leilões em junho ou julho. O leilão da fase 2, cujo processo licitatório foi mais acelerado, ocorreu ontem e marcou a primeira concessão de rodovias do governo da presidente Dilma Rousseff, que dá prosseguimento à política iniciada no governo FHC.
Por Valor Econômico - SP - Por Fábio Pupo | De São Paulo






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