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Petrobras anuncia descoberta de petróleo e gás na Argentina

Em um momento em que ainda é discutida a cassação de uma concessão da Petrobras Argentina, a empresa anuncia a descoberta de um campo de petróleo e gás na província de Santa Cruz, Patagônia, com potencial de 6 milhões de barris equivalentes. A Petrobras Argentina tem 50% de participação neste bloco, onde uma descoberta anterior já permite produção de petróleo e gás.

A Petrobras Argentina anunciou em 26/06/12 a descoberta de um campo de petróleo e gás natural na área de concessão de exploração conhecida como Estancia Agua Fresca, localizada na província de Santa Cruz, na região da Patagônia.
Segundo a estatal, a descoberta ocorreu durante a perfuração do poço exploratório La Cancha Austral, localizado a cerca de 230 quilômetros (km) a noroeste da capital da província Río Gallegos, a uma profundidade de 3.020 metros.
A Petrobras informa, ainda, que os resultados preliminares dos testes indicam a presença de gás natural e petróleo. Segundo estimativas iniciais da companhia, há reserva em potencial de cerca de 6 milhões de barris de petróleo equivalente (petróleo e gás).
O poço é a segunda descoberta da concessão, que tem uma jazida com produção de cerca de 3 mil barris de petróleo por dia e de 90 mil metros cúbicos de gás natural. A Petrobras Argentina é a operadora do consórcio exploratório e tem como parceira no empreendimento a General de Combustibles, ambas possuindo 50% de participação no bloco.

Fonte: Agência Brasil/Portal Naval

Rolls-Royce entrega sua primeira embarcação a gás natural

Como temos comentado, as restrições às emissões poluentes dos motores marítimos têm-se acentuado nos portos do norte da Europa, o que vem tornando o gás natural cada vez mais o combustível escolhido. A Rolls-Royce, uma das líderes nesta nova linha, acaba de entregar, na Noruega, seu primeiro barco acionado a GNL, que reduz o NOx em 90%, elimina o SOx e atenua o CO2 .

A Rolls-Royce, empresa global de sistemas de energia, presente no Brasil há mais de 50 anos, anunciou a entrega de sua primeira embarcação offshore movida a gás, a Island Crusader, para a Island Offshore. O moderno e avançado modelo UT 776 CDG, para suporte a plataformas, é o primeiro de dois encomendados pela armadora norueguesa.
O diretor administrativo da armadora, Håvard Ulstein, exaltou as vantagens da nova embarcação. “Um dos focos mais importantes da Island Offshore é a redução do consumo de combustível. As linhas de casco favoráveis do modelo UT 776 CD contribuem para uma taxa significativamente baixa de consumo energético ao longo dos calados operacionais. Acreditamos que a contribuição mais importante para a redução de emissões é a diminuição do consumo de combustíveis para uma determinada quantidade de trabalho realizado. A opção pelo Gás Natural Liquefeito (LNG) é um passo lógico neste sentido”, afirmou o executivo.
O vice-presidente sênior de tecnologias para navios da Rolls-Royce na divisão Offshore, Jørn Heltne, comemorou a entrega do moderno navio. “É sempre um prazer observar que uma nova embarcação foi entregue a um cliente satisfeito. O inovador navio é o primeiro de seu modelo e foi projetado para reduzir os impactos ao meio ambiente, enquanto aumenta a eficiência energética. Estamos muito felizes com a confiança que a Island Offshore novamente depositou em nossa tecnologia e técnica em projetos offshore”, exaltou Heltne.
Esta é a primeira embarcação offshore a ter motores principais a gás de combustão pobre. Como resultado, as emissões de óxido de nitrogênio (NOx) serão reduzidas em cerca de 90%, enquanto as de óxido de enxofre (SOx) e partículas serão insignificantes. Já as emissões de gás carbônico (CO2) reduzirão significativamente. O navio também é equipado com dois motores a diesel para quando ele precisar operar sem o fornecimento de gás.
O Island Crusader vai operar no Mar do Norte, através do transporte, fornecimento e serviços entre bases de fornecimento onshore e locais de perfuração offshore. A embarcação tem 96 metros de comprimento e também será equipada para a recuperação de petróleo.
Com esta última encomenda, a Island Offshore agora tem sete embarcações de suporte a plataformas UT 776 CD em operação e três outras já estão sendo construídas.

Fonte: Portal Naval/TN Petróleo

Leilões de gás natural como matéria-prima

A indústria brasileira vive momentos de fraca performance, não encontrando condições competitivas com os estrangeiros, face, entre vários outros motivos, ao alto custo do gás natural. O presidente da distribuidora Bahiagás, vendo de perto as dificuldades das indústrias químicas que usam o gás como matéria-prima, sugere leilões específicos para gás com este destino.

A divulgação pelo IBGE do resultado do PIB de 2011, crescimento de 2,7%, mostrando forte desaceleração em relação ao crescimento de 7,5% registrado em 2010, acendeu o sinal de alerta no futuro da economia brasileira, especialmente no setor industrial. A participação do setor industrial no PIB recuou para 14,6% ante 16,2% em 2010. Apesar da diversificação do nosso parque industrial, o peso relativo da indústria no PIB recuou aos níveis de 1956. Diferentemente da China, onde a indústria representa 43,1% do PIB, da Coréia com 30,4% e de 20,8% da Alemanha.
No momento atual, um em quatro produtos industrializados consumidos no Brasil é importado, segundo a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). Em 2003 essa relação era de um para dez. A conjuntura econômica internacional, marcada pela retração das atividades, com o consequente aumento da capacidade ociosa da indústria global e sua corrida para os mercados emergentes agravou os problemas da indústria nacional. Iniciativas e políticas que ampliem as condições de competitividade do parque industrial brasileiro são fundamentais para garantir o crescimento da economia nacional, com inclusão social.
A indústria química é um importante e dinâmico setor da economia do Brasil, tanto em termos percentuais, quanto em termos efetivos. Limitada por impostos, câmbio desfavorável, lapsos logísticos e penalizada por energia e matéria-prima cada vez mais cara, a indústria química brasileira sofre dura concorrência internacional, principalmente das fabricas instaladas em países que dispõem de gás natural farto e a preços baixos.
Um instrumento preciso de política industrial para o setor químico deveria abordar de forma imediata o preço do gás natural matéria-prima. Com peso significativo na formação do custo desta indústria, o gás natural usado como matéria-prima no Brasil, segundo a Abegás, atingiu em 2011 apenas o volume de 735 mil m3/dia representando cerca de 2% do consumo nacional.
Acreditamos que leilões específicos para o gás matéria-prima poderão contribuir substancialmente para melhorar a competitividade da indústria química. Por ser, ao mesmo tempo, pouco importante no consumo total e ter papel estratégico a jusante, o preço diferenciado — do gás natural matéria-prima - deve ser alvo de uma ação de curto prazo do governo federal.
Iniciados em maio de 2009, os leilões de gás natural realizados pela Petrobras (até hoje foram realizados 11 leilões), até hoje foram realizados 11 leilões, juntamente com os descontos concedidos nos contratos firmes, se constituíram em um instrumento fundamental para minimizar os altos preços do gás natural nacional, viabilizando a manutenção da sua competitividade e a ampliação do mercado. Os preços de gás natural de leilão estão cerca de 30% abaixo dos preços dos contratos de longo prazo.
A realização de leilões específicos para o gás matéria-prima, com prazos mais elásticos e valores de referência mais flexíveis, poderá contribuir substancialmente para ajudar, no curtíssimo prazo, a melhora da competitividade da indústria química.  (*) Presidente da Companhia de Gás da Bahia (Bahiagás)
Fonte: Brasil Econômico/Sindcomb Notícias

Leilões: comprovação de reservas dificulta fechamento de contratos para fornecimento de gás, diz Petrobras

Os próximos leilões de energia A-3 e A-5 (operação em 3 e 5 anos) quase certamente não contarão com termelétricas a gás natural, a persistirem as regras atuais, que exigem, para participação no evento, de contratos de fornecimento de gás por 20 anos. Segundo a Petrobras, a comprovação das reservas necessárias para isto seria possível para algumas unidades, não dezenas de concorrentes como no último leilão.

Diretor de Gás e Energia da estatal afirma ainda que, atualmente, térmicas não conseguem competir com eólicas e projetos hidráulicos.
A comprovação de reservas de gás por 20 anos - tempo do contrato das térmicas que vencem os leilões de energia nova - dificulta o fechamento do contrato de suprimento do combustível com os empreendedores que pretendem disputar os próximos leilões A-3 e A-5, previstos para outubro desse ano. Segundo José Alcides Santoro, diretor de Gás e Energia da estatal, a empresa tem que comprovar reservas de gás para todos os empreendedores que solicitarem o insumo, o que inviabiliza o processo.
"Nós temos o gás. O que ocorre é que de acordo com as regras do leilão de energia, nós temos que comprovar reservas por 20 anos para todos os contratos de fornecimento de gás. Se eu tiver 50 empreendedores, por exemplo, solicitando gás, eu tenho que ter reserva para todas as propostas, mesmo que venha a ser contratado no leilão apenas um empreendimento", analisou.
Para o executivo, essa é uma questão que precisa ser solucionada. "Essa é a principal dificuldade, comprovar reservas para o fornecimento de gás. Tem também a questão da competitividade do gás com relação a outras fontes, que tem valores totalmente diferentes da geração termelétrica", declarou. Segundo ele, hoje é quase impossível que uma térmica a gás consiga competir com projetos eólicos e hidráulicos.

Fonte: Carolina Medeiros, CanalEnergia

Shell anuncia investimento de mais de R$ 4 bi no Espírito Santo e parceria com a Ufes

O E.Santo provavelmente se firmará como o terceiro maior produtor offshore de gás natural, atrás apenas do Rio e S.Paulo. Para isto irão colaborar os investimentos anunciados pela Shell, de R$ 4 bilhões nos próximos anos, a maior parte concentrada na Fase II do Parque das Conchas, no litoral sul do Estado. A empresa fará outros investimentos junto a instituições de ensino (UFES) e potenciais fornecedores locais.
A Shell Brasil anunciou que vai investir R$ 4 bilhões no Espírito Santo nos próximos anos para a sequência dos projetos de exploração e produção de petróleo e gás natural no Estado. O anúncio foi feito em 21/06/12, pelo presidente da empresa, André Araújo, durante reunião com o governador Renato Casagrande.
Atualmente, a companhia opera no Parque das Conchas, litoral Sul Capixaba, onde produz cerca de 52mil barris de petróleo por dia. Com o investimento, a empresa avança na Fase 2 do projeto, visando ampliar sua produção com o incremento de 11 poços, sendo 7 produtores e 4 injetores de água e gás natural. A meta é que estejam produzindo até o fim de 2013.
Segundo o governador Renato Casagrande, o encontro foi importante para estreitar os laços com a empresa que atua no Estado. “Trata-se de um investimento robusto, que abre oportunidades para nossa indústria. Por isso, é importante estreitar as relações da companhia com o Governo, as universidades e os fornecedores locais, de modo que possamos atuar juntos, em sintonia com o programa de desenvolvimento que planejamos, para crescermos de forma equilibrada e sustentável”, destacou.
O presidente da Shell Brasil, André Araújo, compartilha da opinião do governador. Para ele, o encontro foi importante para aproximar a empresas dos fornecedores e das instituições capixabas. “O Espírito Santo já fornece cerca de R$ 170 milhões por ano para a Shell e representa 8% do nosso cadastro de fornecedores. Mas, com certeza, isso tende a crescer bastante com esse diálogo com o Governo, as empresas e instituições do Estado. O desenvolvimento do conteúdo local é parte de nossa estratégia”, destacou.
Para o secretário de Desenvolvimento, Márcio Félix, o encontro foi positivo e abre novas perspectivas para a economia local. “A Shell é um ator importante do nosso setor de petróleo e gás. Queremos aproximá-la da nossa sociedade, integrando-a às diversas instituições e segmentos para atuar mais em conjunto e gerar novas oportunidades no Estado”, reforçou.

Parceria com a Ufes

Além do investimento de US$ 2 bilhões, os executivos da Shell anunciaram ainda o lançamento do programa “Embaixador Shell” na Ufes, que visa à formação e atração de talentos profissionais, além de projetos de pesquisa e desenvolvimento tecnológico junto à Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes). “O programa aproxima oito de nossos executivos seniores da universidade, de modo que possamos ter um diálogo permanente e atuar no dia a dia acadêmico, conhecendo as potencialidades e demandas, desenvolvendo projetos e profissionais com perfil para trabalhar na empresa”, avaliou Araújo.
No Espírito Santo, o “Embaixador Shell” será iniciado em 2013. Hoje, ele já é realizado junto à Universidade de São Paulo (USP), à Universidade de Campinas (Unicamp) e à Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). A Ufes será a quarta universidade brasileira a integrar o programa. “O conhecimento é um ativo fundamental e as empresas precisam de talentos. A demanda é grande e tende a crescer. Trata-se de um gargalo bom, mas que precisa ser tratado”, reforçou .
Shell no ES
No Espírito Santo, a Shell opera no Parque das Conchas (BC-10), Bacia de Campos, onde extraiu o primeiro óleo em 2009. A plataforma instalada na costa capixaba é o FPSO Espírito Santo, com capacidade para processar 100 mil barris de petróleo e 1,4 milhão de metros cúbicos de gás natural por dia.
A produção no Parque das Conchas começou em 2009 e atualmente é de 52 mil barris equivalentes (óleo e gás). No projeto capixaba, a Shell empregou uma série de novas e avançadas tecnologias para fazer frente aos diversos desafios do projeto, entre eles a profundidade da água e a viscosidade do óleo. Bombas elétricas de 1.500 cavalos de potência impulsionam o petróleo extraído, por 1.800 metros, até a superfície para o processamento na plataforma flutuante de produção, estocagem e transferência FPSO Espírito Santo, cujo comprimento é de 330 metros de comprimento. .
Fonte: Gazeta Online/Portal Naval

Água do mar deve ser vista como área a ser explorada

A produção de água doce a partir da dessalinização da água do mar deverá duplicar em volume até 2016, atingindo 106 milhões de m³/dia, graças aos avanços tecnológicos e à disponibilidade e preço do gás natural, especialmente na região do Golfo Pérsico. No Brasil, não temos este tipo de empreendimento, mas é na água do mar que se desenvolveram diversas novas empresas nacionais, como a Salt Ambiental, a Aquamet e a Oilfinder.
Estudo do Instituto Internacional de Gerenciamento de Água (IWMI) revela que, a partir de 2030, serão necessários mais 2 mil km³ de água por dia para alimentar a população mundial. O volume é 25% maior do que o usado atualmente. Não é à toa que, assim como o petróleo, a água é apontada neste século como um insumo fundamental para a economia global e vem se tornando uma mercadoria cada vez mais valiosa. Trata-se de um mercado estimado em US$ 350 bilhões, montante que deverá crescer 4,7% ao ano e atingir US$ 530 bilhões anuais, em 2016.
Na ânsia de matar a sede do mundo, crescem, por exemplo, os negócios ligados diretamente à dessalinização de águas oceânicas. Estima-se que até 2016 a capacidade global de produção de água doce diária por meio da extração do sal deva alcançar 106,6 milhões de metros cúbicos por dia, contra 42,7 milhões de metros cúbicos registrados em 2007. E as oportunidades para novos empreendimentos não param por aí. Ao contrário do passado, têm grandes chances de dar certo nesse mercado quem conseguir transformar estudos - antes fechados nos laboratórios de pesquisa das universidades - em ferramentas a favor da diminuição do consumo e aumento do reúso da água, além de redução de perdas com a imprevisibilidade do clima em setores importantes como energia, agronegócio e petróleo.
Foi o que fez o oceanógrafo Daniel Ruffato, 27 anos, e seus sócios, ao fundarem em 2010, no Centro de Inovação, Empreendedorismo e Tecnologia (Cietec), a Salt Ambiental, especializada em consultoria e suporte a empresas que atuam em ambientes lacustres e marinhos. Em pouco tempo, eles conquistaram clientes como a Petrobras, Shell e Queiróz Galvão. Mas, ao contrário do que se podia imaginar no início, o carro-chefe da empresa passou a ser os aplicativos desenvolvidos para facilitar o processamento e a apresentação de dados oceânicos em trabalhos de campo. O mais inovador é o Ocean DB, projetado para smartphones, tablets e computadores que usam sistema Android. O aplicativo fornece parâmetros oceanográficos, como temperatura, salinidade, oxigênio dissolvido na água e frequência de empuxo. "Foi um ano de estudo até concluir o projeto, mas estamos em condições de oferecer as médias climáticas desde a superfície até o fundo de todos os mares e oceanos do mundo", afirma Ruffato. Lançado no início de abril, com acesso gratuito, o aplicativo registrou nos primeiros 30 dias 100 mil downloads. O empreendedor observa, contudo, que o Ocean DB é um projeto em andamento, que deve evoluir para uma plataforma de gerenciamento de dados em tempo real, para auxiliar no planejamento e operações de monitoramento de emergências ambientais.
Com faturamento estimado de R$ 600 mil para este ano, a Salt Ambiental projeta investir, ainda, na divulgação de dois de seus produtos: a garrafa Van Dorn, que coleta água do mar em qualquer profundidade por meio de um dispositivo mecânico, já encomendada pelo Instituto Oceanográfico; e a modelagem numérica para simular cenários, ondas, marés, nível dos oceanos, correntes, níveis de dispersão de poluentes e transporte de sedimentos. "Trabalhamos de forma interdisciplinar na análise de todos os lados, o que traz à Salt um diferencial no mercado", observa Ruffato.
Atenta à movimentação que a descoberta da camada do pré-sal provocou - só a Petrobras deverá investir US$ 33 bilhões na exploração de petróleo no litoral brasileiro até 2014 - a carioca Aquamet mudou o rumo dos seus negócios, depois de uma encomenda feita pela própria Petrobras, em 2008. "Eles estavam atrás de alguém que fizesse projeções de longo prazo para o clima nos mares da costa brasileira", lembra Ricardo Silva, 38 anos, sócio da Aquamet. Como a petrolífera já era cliente, eles resolveram investir. Desde, então, a empresa cresce a uma média de 15% ao ano, devendo faturar em 2012 cerca de R$ 2 milhões.
A prestação de serviços de monitoramento marítimo capaz de dar à Petrobras informações sobre como agir em situações de emergência, como vazamento de óleo causado por problemas nas plataformas ou nos navios petroleiros, levou a Aquamet a desenvolver um aplicativo que incorpora tanto previsões meteorológicas quanto oceânicas, incluindo temperatura do mar, correntes e ondas. Lançado em janeiro desse ano, a novidade tem chamado a atenção não só dos tradicionais clientes de logística portuária e petroleiros, como de estaleiros internacionais, segundo Silva. "O próximo passo será desenvolver equipamentos para captação de dados no mar; por enquanto só se trabalha com fotos de satélite", adianta.
Quem também surfou na onda do pré-sal foi o oceanógrafo Manlio Fernandes Mano, 37 anos, que colou no mercado uma proposta alternativa e mais barata do que a prospecção de áreas a serem exploradas para extração de petróleo. O que antes era feito exclusivamente com o auxílio de um navio, a um custo médio de R$ 150 mil por dia, hoje pode ser feito em qualquer parte do mundo, sem sair do Rio de Janeiro e independentemente das condições climáticas. Uma exclusividade da start up criada por Mano, batizada de Oilfinder, com sede no Rio de Janeiro.
Mano desenvolveu um sistema de processamento e modelagem de imagens obtidas por satélite capaz de identificar a origem e a trajetória de vazamentos naturais de óleo antes da mancha chegar à superfície. "É algo extremamente novo", diz Mano. "Um projeto completo custa R$ 250 mil por dois meses. Com o navio, leva-se o dobro do tempo e o custo é por dia". O primeiro cliente foi a Petrobras, mas o empreendedor projeta grande crescimento, graças aos leilões das áreas de perfuração de petróleo que serão exploradas nos próximos cinco anos. Este ano o faturamento deve chegar a R$ 2 milhões, com previsão de dobrar até 2013.

Fonte: Valor Econômico/TN Petróleo

O Resgate da Petrobras

A performance da Petrobras nos últimos anos, com a estagnação da produção de petróleo, atrasos na conclusão dos principais empreendimentos e a queda de suas ações, não foi criticada como deveria pela oposição brasileira, que teria a seu favor o excelente desempenho da empresa nos anos que se seguiram à abertura do mercado. Somente agora, diz Adriano Pires, com a nova diretoria, vê-se a prevalência dos interesses políticos sobre os técnicos e econômicos.

Nas últimas três campanhas para a Presidência da República, um dos temas principais foi a política do petróleo e a Petrobras. De um lado, o PT acusando os candidatos do PSDB de entregar as reservas brasileiras de petróleo para empresas privadas estrangeiras e privatizar a Petrobras. Essa tese se acentuou na última campanha presidencial, com a descoberta da camada do pré-sal. De outro lado, o PSDB refém dos argumentos populistas e nacionalistas petistas e fugindo do debate em torno do setor de petróleo e da Petrobras.
O que chama a atenção é como o PSDB nunca teve coragem de defender a política que o seu governo elaborou e implantou para o setor de petróleo, bem como a gestão da Petrobras. Isso porque, se houve uma política no governo do PSDB que só apresentou resultados positivos e diríamos até mesmo espetaculares, essa foi no setor de petróleo. Durante o governo Fernando Henrique assistimos à abertura do mercado de petróleo, que levou a um aumento nas reservas provadas de 82%, entre 1995 e 2002, e de 118%, na produção de petróleo. Em quatro anos, a ANP promoveu quatro leilões de concessão de áreas exploratórias de petróleo e gás. Isso proporcionou a entrada das principais empresas internacionais do setor, como BG, Shell, Statoil, Repsol, etc., e possibilitou a criação de empresas privadas nacionais como OGX, QGEP e HRT. A Petrobras elevou seus lucros, modernizou-se e internacionalizou-se, atingindo um nível de governança que permitiu que suas ações passassem a ser negociadas na Bolsa de Nova York. Como resultado das práticas de mercado e da melhora da governança, as ações da empresa apresentaram valorização de 386% no governo FHC.
Nos oito anos de governo do presidente Lula, os resultados obtidos no setor de petróleo, bem como os da Petrobras, foram decepcionantes. A ANP realizou apenas cinco leilões e a área exploratória, que alcançou um máximo de 341 mil km², em 2009, será reduzida para 114 mil km², no final de 2012, devido a não ocorrência de leilões desde 2008. Os preços dos combustíveis voltaram a ser administrados pelo governo e promoveu-se a política do "falta tudo". Hoje, importamos gasolina, diesel, querosene de aviação e até etanol.
O uso e abuso da Petrobras levou ao não cumprimento das metas de produção de petróleo e a atrasos no plano de investimentos. Após a descoberta das reservas do pré-sal, foi realizada uma operação de capitalização da estatal, que se mostrou desastrosa para o acionista minoritário, desvalorizando em 44% as ações da empresa desde então. Ante a má performance da Petrobras nos últimos anos, chama novamente a atenção como os partidos de oposição, em particular o PSDB, não denunciaram o que estava ocorrendo na gestão da Petrobras. Ao contrário, tiveram uma participação tímida quando o governo mudou, em 2010, o marco regulatório do setor de petróleo, mais uma vez, perdendo a oportunidade de mostrar para a sociedade os êxitos do governo FHC e fazer ver que o que estava atrás das alterações propostas eram questões mais de cunho político do que técnico.
Para a surpresa da maioria, é no governo da presidente Dilma, com a nomeação de Graça Foster para a presidência da Petrobras, que se estão explicitando as mazelas da estatal e tentando reencontrar o caminho da excelência. A primeira boa notícia foi a nomeação da nova diretoria, sem qualquer interferência política. O anúncio do novo Plano de Negócios também mostrou metas mais realistas. A priorização dos investimentos em exploração e produção e o adiamento dos de refino demonstram que prevaleceu a racionalidade econômica.
Falta superar uma série de obstáculos para que a gestão da Petrobras volte a olhar mais os interesses dos acionistas e menos os dos políticos. Os dois principais desafios seriam a empresa ter autonomia para propor e executar a sua política de preços de combustíveis e deixar de ser utilizada pelo governo como instrumento de política industrial no que se refere ao conteúdo local. É preciso voltar a cuidar e resgatar a Petrobras.
(*) Diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE) Fonte: O Estado de S.Paulo